Obra-prima
Teus retorces; obra-prima do meu gozo!
Em consentidos arranhos nas ancas e sôfregos suspiros de inclemente agonia,
Na escalada ansiosa ante o abismo sem-volta do regozijo - e da revolta - que eu sentia...
Tu, três vezes mais te contorcias
E eu, dopado de alegrias breves mais tardias,
Não antevia o grande nojo, que se estanca, mas que derrama - ah! se derrama, um dia...
E nestas tintas sangradas das telas de minhas retinas
Guardarei teu semblante apertado, o teu batom vermelho borrado, a tua boca suculenta mordida...
Tuas pernas tremulando atravessadas, teu cabelo crespo esparramado e a tua mão entreaberta, estendida.
E deste embate enegrecido e retalhado és meu despojo;
Tu, suprema obra-prima do meu nojo,
Retorce entorpecido da minha vida!
-- João Otero - 28/29-nov-09 --
01 Dezembro 2009
poesia: Não Quero Mais
Não Quero Mais
Terminar é o que eu mais sei na minha vida
Terminar, não concluir;
Terminar assim, sem o por-vir
É o que mais tenho feito nesta vida
Eu sei deixar aberta minha ferida
Eu sei voltar de um beco-sem-saída
Com um passo nem tão calmo, mas nem manco
E quando se me dá em solavanco minha partida,
Percebo que minha alma, ressentida,
Se apega outra vez num sopro franco...
Terminar é o que eu mais fiz durante a vida
Terminar, não concluir;
Terminar sem mais, com dor, sem rir...
"Não quero mais" - hei de mentir
Terminar, talvez, pra não sentir
Minha parca esperança iludida
-- João Otero - 19-nov-09 --
Terminar é o que eu mais sei na minha vida
Terminar, não concluir;
Terminar assim, sem o por-vir
É o que mais tenho feito nesta vida
Eu sei deixar aberta minha ferida
Eu sei voltar de um beco-sem-saída
Com um passo nem tão calmo, mas nem manco
E quando se me dá em solavanco minha partida,
Percebo que minha alma, ressentida,
Se apega outra vez num sopro franco...
Terminar é o que eu mais fiz durante a vida
Terminar, não concluir;
Terminar sem mais, com dor, sem rir...
"Não quero mais" - hei de mentir
Terminar, talvez, pra não sentir
Minha parca esperança iludida
-- João Otero - 19-nov-09 --
poesia: Analgésico
Analgésico
Escrever poesia me tem efeito analgésico...
Nem te odeio mais!
-- João Otero - 22-abr-09 --
Escrever poesia me tem efeito analgésico...
Nem te odeio mais!
-- João Otero - 22-abr-09 --
poesia: Sério
Todas as vezes que fiquei sério na vida, é porque noutra vida - mais interna - me doíam uns amores.
-- João Otero - 18-mai-09 --
-- João Otero - 18-mai-09 --
poesia: Para Dizer
Para Dizer
Requer-se algum sobejo de sensibilidade alheia para que se possa dizer alguma coisa linda,
...ou alguma coisa extremamente feia.
-- João Otero - 22-nov-09 --
Requer-se algum sobejo de sensibilidade alheia para que se possa dizer alguma coisa linda,
...ou alguma coisa extremamente feia.
-- João Otero - 22-nov-09 --
poesia: Poesia a ti
Poesia a ti
É, eu acho que gosto mesmo de ti...
Me atraquei a ser poeta como nunca vi!
...Eu já penso poesia quando penso em ti!
-- Joao Otero - 5-nov-09 --
É, eu acho que gosto mesmo de ti...
Me atraquei a ser poeta como nunca vi!
...Eu já penso poesia quando penso em ti!
-- Joao Otero - 5-nov-09 --
poesia: Rio de Janeiro
Rio de Janeiro
Fui passsear na bahia
Me disseram que era Rio de Janeiro
Olhei por lado e só vi praia
Não vi o rio;
E é inverno - estamos em julho!
...ou será que é janeiro?
-- João Otero - 1-ago-09 --
Fui passsear na bahia
Me disseram que era Rio de Janeiro
Olhei por lado e só vi praia
Não vi o rio;
E é inverno - estamos em julho!
...ou será que é janeiro?
-- João Otero - 1-ago-09 --
poesia: Hóspede
Hóspede
Surgiu sem ser esperado
Chegou sem ser anunciado
Entrou sem ser convidado
Ficou um pouco e bagunçou tudo..
Saiu sem deixar vestígio
Partiu sem nenhum motivo
Sumiu sem ser perturbado
Passou...
mas deixou um vício
-- João Otero - 4-nov-09 --
Surgiu sem ser esperado
Chegou sem ser anunciado
Entrou sem ser convidado
Ficou um pouco e bagunçou tudo..
Saiu sem deixar vestígio
Partiu sem nenhum motivo
Sumiu sem ser perturbado
Passou...
mas deixou um vício
-- João Otero - 4-nov-09 --
poesia: Na Queda
Na Queda
Se soprarem novos ares...que venham!
Rasgando meu rosto aos uivos, e que tenham
Dó, raiva e desgosto
Elevando minhas asas ao céu, pra eu cair de mais alto!
E que me sinta na queda
Sorver sua carícia fugaz
Gostando do medo que faz
O gélido frio do salto
Pois o que leva, um dia traz...
A emoção contrária da queda
na dura face da pedra,
a qual um dia beijei
No frio de uma dor assaz
Vivi a vida que fiz
Onde jamais alguém quis,
Um dia estive
e voltei!
-- João Otero - 1-mai-03 --
Se soprarem novos ares...que venham!
Rasgando meu rosto aos uivos, e que tenham
Dó, raiva e desgosto
Elevando minhas asas ao céu, pra eu cair de mais alto!
E que me sinta na queda
Sorver sua carícia fugaz
Gostando do medo que faz
O gélido frio do salto
Pois o que leva, um dia traz...
A emoção contrária da queda
na dura face da pedra,
a qual um dia beijei
No frio de uma dor assaz
Vivi a vida que fiz
Onde jamais alguém quis,
Um dia estive
e voltei!
-- João Otero - 1-mai-03 --
poesia: Rosas
Rosas
Queime as rosas, quebre as rimas...
Nada me enfeita mais com brilho!
O suspirar é meu deleite,
O lamentar é meu suspiro.
Calo as vozes, cerro os cílios...
-- João Otero - 1998 --
Queime as rosas, quebre as rimas...
Nada me enfeita mais com brilho!
O suspirar é meu deleite,
O lamentar é meu suspiro.
Calo as vozes, cerro os cílios...
-- João Otero - 1998 --
poesia: Malvada
Malvada
oh! desdenhosa dona de um coraçao carcomido
malvada dama que beijou meu caro amigo
te quero mal, mas nao sou teu inimigo
de minha parte, o teu maior castigo,
vai ser saber
que por completo me poderías ter tido
mas nunca mais vais ter!
-- Joao Otero - 21-abr-09 --
oh! desdenhosa dona de um coraçao carcomido
malvada dama que beijou meu caro amigo
te quero mal, mas nao sou teu inimigo
de minha parte, o teu maior castigo,
vai ser saber
que por completo me poderías ter tido
mas nunca mais vais ter!
-- Joao Otero - 21-abr-09 --
27 Novembro 2009
poesia: Falo
Falo
Eu falo falo
e você nao entende...
Tem muito mais que eu queria fazer!
Eu falo falo
se estou descontente
e você nao entende,
ou finge nao saber
Eu, enquanto falo,
deixo você sorridente!
Mas das minhas vírgulas você nao entende -
ou finge não querer
Só sei que se estou descontente,
mesmo se for de repente,
eu falo falo e procuro você
...E ainda você nao entende
que enquanto eu falo falo,
pra muito mais eu preciso você!
-- João Otero - 27-nov-09 --
Eu falo falo
e você nao entende...
Tem muito mais que eu queria fazer!
Eu falo falo
se estou descontente
e você nao entende,
ou finge nao saber
Eu, enquanto falo,
deixo você sorridente!
Mas das minhas vírgulas você nao entende -
ou finge não querer
Só sei que se estou descontente,
mesmo se for de repente,
eu falo falo e procuro você
...E ainda você nao entende
que enquanto eu falo falo,
pra muito mais eu preciso você!
-- João Otero - 27-nov-09 --
24 Novembro 2009
poesia: Dúvida
Dúvida
o que fazer quando não tens, já tendo?
o que fazer com o que já ia sendo
e agora vai... como já vai se vendo?
o que é meu, isso eu não dou, não vendo
mas e o que quero mais, como eu emendo?
e o que mostrar pra quem não está vendo?
isso que se esvai... isso que ia sendo...
o que fazer quando eu lembrar tremendo
da fé que cri, que já me tem descrendo?
a minha agonia, essa me vai crescendo...
o que fazer quando tu tens, não tendo?
-- João Otero - 24-nov-09 --
o que fazer quando não tens, já tendo?
o que fazer com o que já ia sendo
e agora vai... como já vai se vendo?
o que é meu, isso eu não dou, não vendo
mas e o que quero mais, como eu emendo?
e o que mostrar pra quem não está vendo?
isso que se esvai... isso que ia sendo...
o que fazer quando eu lembrar tremendo
da fé que cri, que já me tem descrendo?
a minha agonia, essa me vai crescendo...
o que fazer quando tu tens, não tendo?
-- João Otero - 24-nov-09 --
22 Novembro 2009
poesia: Sorrisos Banguelas
Sorrisos Banguelas
Hoje percebo que as bocas banguelas têm mais sorrisos.
Nos tombos infantis ou nos quebrados da velhice,
As bocas banguelas têm mais sorrisos.
E os brancos dentes de marfim e madrepérolas,
Os desentortes de metal,
O sangue cuspido no asfalto...
...São meia-vidas na jornada pela inocência perdida
Que os corações doídos, os erros e os conflitos extremados se abrandem naturalmente.
Assim como caem os dentes.
"Just a little patience", é só o que é preciso.
"Nous ne pouvon pas perdre la naïveté."
-- João Otero - 22-nov-09 --
Hoje percebo que as bocas banguelas têm mais sorrisos.
Nos tombos infantis ou nos quebrados da velhice,
As bocas banguelas têm mais sorrisos.
E os brancos dentes de marfim e madrepérolas,
Os desentortes de metal,
O sangue cuspido no asfalto...
...São meia-vidas na jornada pela inocência perdida
Que os corações doídos, os erros e os conflitos extremados se abrandem naturalmente.
Assim como caem os dentes.
"Just a little patience", é só o que é preciso.
"Nous ne pouvon pas perdre la naïveté."
-- João Otero - 22-nov-09 --
18 Novembro 2009
poesia: Exército de Mim
Exército de Mim
Milhares de coisas se alinham à minha frente
Um exército de coisas contra mim, somente
Milhares de mim, em seus diversos tons diferentes...
E mesmo assim, eu ainda sou pouca gente!
-- João Otero - 18-nov-09 --
Milhares de coisas se alinham à minha frente
Um exército de coisas contra mim, somente
Milhares de mim, em seus diversos tons diferentes...
E mesmo assim, eu ainda sou pouca gente!
-- João Otero - 18-nov-09 --
poesia: Meus Amores e seus Horrores
Meus Amores e seus Horrores
Meus amores têm horrores,
cada qual com seu cantar
Tamborilem seus tambores
quando os vires desfilar
Corneteiem aos quatro ventos
minhas dores, meu pesar
Cada qual dos meus amores
tem seu horror singular
E àquele que profira
silêncios ao me chamar
Àquele que com ausência
de carícias me tocar
Esse amor terá de mim
amores sem fim que eu vou lhe dar!
-- João Otero - 18-nov-09 --
Meus amores têm horrores,
cada qual com seu cantar
Tamborilem seus tambores
quando os vires desfilar
Corneteiem aos quatro ventos
minhas dores, meu pesar
Cada qual dos meus amores
tem seu horror singular
E àquele que profira
silêncios ao me chamar
Àquele que com ausência
de carícias me tocar
Esse amor terá de mim
amores sem fim que eu vou lhe dar!
-- João Otero - 18-nov-09 --
17 Novembro 2009
pensamento: Rebeldia
"A rebelida é bem-vinda. Se por causa; e não por pretexto."
-- João Otero - 17-nov-09 --
-- João Otero - 17-nov-09 --
13 Novembro 2009
poesia: Tempo
Tempo
Olhei ao lado e o tempo ia...
Vagarosamente, num vagar errante
Deslizando viscoso num mar de presentes
Que iam passando, passando, passando...
Olhei o tempo, que ia balançando
Num trotear capenga, em movimento brando
Ia, nem curvado, nem ereto, sendo
Um rastro de névoa no gélido campo
E quando eu passei, ele foi me vendo
Ir no meu trotear, claudicando manco
Olhei ao lado e ia indo o tempo
Enquanto eu fui passando, passando, passando...
-- João Otero - 13-nov-09 --
Olhei ao lado e o tempo ia...
Vagarosamente, num vagar errante
Deslizando viscoso num mar de presentes
Que iam passando, passando, passando...
Olhei o tempo, que ia balançando
Num trotear capenga, em movimento brando
Ia, nem curvado, nem ereto, sendo
Um rastro de névoa no gélido campo
E quando eu passei, ele foi me vendo
Ir no meu trotear, claudicando manco
Olhei ao lado e ia indo o tempo
Enquanto eu fui passando, passando, passando...
-- João Otero - 13-nov-09 --
09 Novembro 2009
pensamento: Mulher Ideal
Se a minha mulher ideal é tão perfeita...
...que diabos iria ela querer comigo?!
...que diabos iria ela querer comigo?!
06 Novembro 2009
poesia: Freguês
Freguês
Pra que definir isso agora?
Por que não esperar meia-hora, um dia, um mês..?
Quem sabe meu coração vire teu freguês
Ou simplesmente vire as costas, vá embora...
-- Joao Otero - 5-nov-09 --
Pra que definir isso agora?
Por que não esperar meia-hora, um dia, um mês..?
Quem sabe meu coração vire teu freguês
Ou simplesmente vire as costas, vá embora...
-- Joao Otero - 5-nov-09 --
05 Novembro 2009
poesia: Olhos
Olhos
Os meus olhos inchados, como dois radares
Escaneando as ruas e todos os lugares
Te encontrando em cada sombra, em cada blusa amarrotada
Os meus olhos absortos, esperando na escada
Orando preces desconcertantes e inconformadas
Com a proeminência sutil de uma agulha gotejada
De veneno e ânsias, de bruxas e de fadas
Olhando às vezes torto, a me fazer palhaço
Ou murchando as minhas pétalas, todo feito em pedaços
Trarão um dia minhas pálpebras acenando apavoradas
Cedendo ao solo sujo esses meus joelhos castigados
Ao dobrarem-se no amor da minha garganta sufocada
E essa dor gentil - bendita dor tão esperada,
Sobrepujando o tédio, embaralhando os meus enfados
Ah, essa dor..! Não trocarei por nada!
-- Joao Otero - 27-10-09 - 5-nov-09 --
Os meus olhos inchados, como dois radares
Escaneando as ruas e todos os lugares
Te encontrando em cada sombra, em cada blusa amarrotada
Os meus olhos absortos, esperando na escada
Orando preces desconcertantes e inconformadas
Com a proeminência sutil de uma agulha gotejada
De veneno e ânsias, de bruxas e de fadas
Olhando às vezes torto, a me fazer palhaço
Ou murchando as minhas pétalas, todo feito em pedaços
Trarão um dia minhas pálpebras acenando apavoradas
Cedendo ao solo sujo esses meus joelhos castigados
Ao dobrarem-se no amor da minha garganta sufocada
E essa dor gentil - bendita dor tão esperada,
Sobrepujando o tédio, embaralhando os meus enfados
Ah, essa dor..! Não trocarei por nada!
-- Joao Otero - 27-10-09 - 5-nov-09 --
04 Novembro 2009
poesia: Será?
Será?
Nao.. nao é tu
Nem tu..
Tu também não é..
Será tu?
..Ou quem será que é?
-- João Otero - 4-nov-09 --
Nao.. nao é tu
Nem tu..
Tu também não é..
Será tu?
..Ou quem será que é?
-- João Otero - 4-nov-09 --
02 Novembro 2009
poesia: Madrugada
Madrugada
A lua no mar é coisa linda
ao brilho de estrelas embalada
Espia pelo véu de algumas nuvens
enquanto se esconde acanhada
da onda incensurada que nos brinda
Ah! Que coisa linda a madrugada!
-- Joao Otero 2-nov-09 --
A lua no mar é coisa linda
ao brilho de estrelas embalada
Espia pelo véu de algumas nuvens
enquanto se esconde acanhada
da onda incensurada que nos brinda
Ah! Que coisa linda a madrugada!
-- Joao Otero 2-nov-09 --
30 Outubro 2009
poesia: Por te gostar
Por te gostar
Te gosto, sem mais, por te gostar, somente
E te gostando tanto, com um gostar ardente
gosto-te mais do que me gosto, e sofro
neste gostoso alento de degustar teu gosto
E de gostar-te tanto, de te gostar sem medo
eu gosto até de só lembrar teu rosto
E ao te gostar de longe, de te gostar tão cedo
gosto-te o dobro que te tenho dito
gosto-te tal qual coração aflito
gosto-te mais do que eu teria gosto
-- João Otero - 30-out-09 --
Te gosto, sem mais, por te gostar, somente
E te gostando tanto, com um gostar ardente
gosto-te mais do que me gosto, e sofro
neste gostoso alento de degustar teu gosto
E de gostar-te tanto, de te gostar sem medo
eu gosto até de só lembrar teu rosto
E ao te gostar de longe, de te gostar tão cedo
gosto-te o dobro que te tenho dito
gosto-te tal qual coração aflito
gosto-te mais do que eu teria gosto
-- João Otero - 30-out-09 --
25 Outubro 2009
Poesia: Sonhos
Sonhos
..São mais desvairios de um maluco insistente
a provocar o ócio desta impotente rotina;
a projetar memórias mais coloridas na retina
de um futuro errante e quase que ausente
E o presente, lá se vai... Nem vi
Quem sabe um dia apareça de repente
naquele canto onde eu talvez me sente
para rimar os sonhos que eu vivi
-- João Otero - 25-out-09 --
..São mais desvairios de um maluco insistente
a provocar o ócio desta impotente rotina;
a projetar memórias mais coloridas na retina
de um futuro errante e quase que ausente
E o presente, lá se vai... Nem vi
Quem sabe um dia apareça de repente
naquele canto onde eu talvez me sente
para rimar os sonhos que eu vivi
-- João Otero - 25-out-09 --
23 Outubro 2009
poesia: Se o teu pão fosse ázimo
Se o teu pão fosse ázimo
Se o teu pão fosse ázimo
não me cheiraria a pão
Me alimentaria a alma
e não algum coração
Se o teu pão fosse ázimo
o tomaria em tua mão
E não de alguns pedaços
rasgados com aflição
Se o teu pão fosse ázimo
me traria à imensidão
Não me levaria a um cláustro
de liberta privação
Se o teu pão fosse ázimo
Mas não
-- João Otero - 23-out-09 --
Se o teu pão fosse ázimo
não me cheiraria a pão
Me alimentaria a alma
e não algum coração
Se o teu pão fosse ázimo
o tomaria em tua mão
E não de alguns pedaços
rasgados com aflição
Se o teu pão fosse ázimo
me traria à imensidão
Não me levaria a um cláustro
de liberta privação
Se o teu pão fosse ázimo
Mas não
-- João Otero - 23-out-09 --
13 Setembro 2009
poesia: Popcorn
Popcorn
có cócoró coró có
có cór
có cócoró coró có
...corn
corn cócoró coró corn
...pop
pop póporó coró pop
popcorn
pi pipiripi piripi
pipoca
pop pó poró poró pop
popcorn
pipoca
pi pipiri piripi pop
caca
ca cacará cará cá
cacaca
pop
- João Otero - 10-set-2009 -
có cócoró coró có
có cór
có cócoró coró có
...corn
corn cócoró coró corn
...pop
pop póporó coró pop
popcorn
pi pipiripi piripi
pipoca
pop pó poró poró pop
popcorn
pipoca
pi pipiri piripi pop
caca
ca cacará cará cá
cacaca
pop
- João Otero - 10-set-2009 -
09 Junho 2009
texto: Lembranças sinestésicas
Putz.. tava vendo aquela foto ali embaixo ampliada, da neve, e acabei me "transportanto" pro dia.
Lembrei de estar indo pro trabalho e sentir aquele frio na espinha tipo "que pepino que eu vou ter que encarar hoje?". Olhei pra fora e ví aquele solzão, meus tênis afofando a neve e fazendo um barulhinho gostoso... Entrei no carro, e vem aquela sensação "que saco, eu podia estar dormindo"; "vou ter que enfrentar a merda do trânsito até o trabalho"... Chega lá, estaciona, e me veio a lembrança: tira o cinto, desce do carro, se abaixa (que saco!) pra pegar a mochila pesada, fecha o carro... caminha até a porta de entrada pensando "que merda; trabalho... meu chefe... :-/ ".
Sento na poltrona do meu escritório. Automaticamente vem o cheiro do café e o gosto do biscoitinho adocicado de manteiga que eu sempre comprava nas vending machines. Levanto e vou servir o café e comprar os biscoitos. Volto pra mesa de trabalho pra tomar o café e ler notícias... Mato tempo até as 10:40, até que resolvo "encarar" o dia: monto um plano de ação, discuto um pouco com o chefe até convencer o cara - que as vezes não era muito fácil - e já tá na hora do almoço... Saio por 1:30 pra almoçar - comida indiana, provavelmente; ou um Panera Bread; ou talvez um Ruby Tuesday. Volta com aquela preguiça e mata mais um pouco de trabalho até as "2:20 pm", escovar os dentes, completar o plano do dia. A tarde às vezes passava rápido.. Hora da academia! Hora de ir embora! Ufa...! Trabalho de novo, só amanhã...!! Puta preguiça... Voltar logo pra casa e encomendar uma pizza de pepperoni do Papa Johns, com um litrão de coca zero, enquanto tomo o banho. A pizza chega; atendo a porta naquela friozão lá fora, mas dentro de casa tá quente (calefação). Senta na cama, abre a pizza no colo e liga o dvd pra assistir Battlestar Galactica, ou Lost, ou Jericho, ou algum outro filme interessante que tenha chegado pelo meu Netflix.
...Que fome que essa neve acabou me dando agora. :)
"Maus tempos" agradáveis aqueles. hehe
Lembrei de estar indo pro trabalho e sentir aquele frio na espinha tipo "que pepino que eu vou ter que encarar hoje?". Olhei pra fora e ví aquele solzão, meus tênis afofando a neve e fazendo um barulhinho gostoso... Entrei no carro, e vem aquela sensação "que saco, eu podia estar dormindo"; "vou ter que enfrentar a merda do trânsito até o trabalho"... Chega lá, estaciona, e me veio a lembrança: tira o cinto, desce do carro, se abaixa (que saco!) pra pegar a mochila pesada, fecha o carro... caminha até a porta de entrada pensando "que merda; trabalho... meu chefe... :-/ ".
Sento na poltrona do meu escritório. Automaticamente vem o cheiro do café e o gosto do biscoitinho adocicado de manteiga que eu sempre comprava nas vending machines. Levanto e vou servir o café e comprar os biscoitos. Volto pra mesa de trabalho pra tomar o café e ler notícias... Mato tempo até as 10:40, até que resolvo "encarar" o dia: monto um plano de ação, discuto um pouco com o chefe até convencer o cara - que as vezes não era muito fácil - e já tá na hora do almoço... Saio por 1:30 pra almoçar - comida indiana, provavelmente; ou um Panera Bread; ou talvez um Ruby Tuesday. Volta com aquela preguiça e mata mais um pouco de trabalho até as "2:20 pm", escovar os dentes, completar o plano do dia. A tarde às vezes passava rápido.. Hora da academia! Hora de ir embora! Ufa...! Trabalho de novo, só amanhã...!! Puta preguiça... Voltar logo pra casa e encomendar uma pizza de pepperoni do Papa Johns, com um litrão de coca zero, enquanto tomo o banho. A pizza chega; atendo a porta naquela friozão lá fora, mas dentro de casa tá quente (calefação). Senta na cama, abre a pizza no colo e liga o dvd pra assistir Battlestar Galactica, ou Lost, ou Jericho, ou algum outro filme interessante que tenha chegado pelo meu Netflix.
...Que fome que essa neve acabou me dando agora. :)
"Maus tempos" agradáveis aqueles. hehe
08 Junho 2009
fotos: Umas fotos aleatórias
06 Junho 2009
pensamento: Omissões
"Uma omissão não te transforma em mentiroso; mas mesmo assim, você ainda é um enganador." - João Otero - 5-jun-09
04 Junho 2009
texto: A vida às vezes tem uns ciclos..
A vida às vezes tem uns ciclos... Remexendo por acaso meus escritos, achei um texto que serve pra hoje. Ei-lo:
"Hoje eu acordei de um sono mal dormido. Parecia estranho... Não me sentia bem, nem muito mal.
Passei a tarde assim, peito apertado, garganta apertada. Quem sabe é stress... não sei.
Sentimento de vazio.
O que vem depois? ...De hoje; de 1 mês; no fim do ano?
Nada parece ter graça. Nada parece bonito; mas não parece feio também.
Procuro um sentido em qualquer coisa, mas não acho.
A vida se apresenta sem graça pra mim.
Não tenho nenhum objetivo; parece que falta um sentido na minha vida.
Lembro de você o tempo todo. Mas só te enxergo triste em minhas lembranças. Tento parar de pensar.
Fico olhando para os lados tentando achar algo para me ocupar. Mas nada tem graça.
Tenho muita coisa pra fazer, mas não tenho vontade.
Saudade? Cansaço? Um dia ruim? Não sei...
Tomara amanhã eu não esteja assim. 28/jun/2000"
Não tinha título. Não lembro pra quem foi. Mas quero acreditar que tenha sido uma carta minha pra mim mesmo, quase 9 anos depois... Ao menos, veio a calhar.
"Hoje eu acordei de um sono mal dormido. Parecia estranho... Não me sentia bem, nem muito mal.
Passei a tarde assim, peito apertado, garganta apertada. Quem sabe é stress... não sei.
Sentimento de vazio.
O que vem depois? ...De hoje; de 1 mês; no fim do ano?
Nada parece ter graça. Nada parece bonito; mas não parece feio também.
Procuro um sentido em qualquer coisa, mas não acho.
A vida se apresenta sem graça pra mim.
Não tenho nenhum objetivo; parece que falta um sentido na minha vida.
Lembro de você o tempo todo. Mas só te enxergo triste em minhas lembranças. Tento parar de pensar.
Fico olhando para os lados tentando achar algo para me ocupar. Mas nada tem graça.
Tenho muita coisa pra fazer, mas não tenho vontade.
Saudade? Cansaço? Um dia ruim? Não sei...
Tomara amanhã eu não esteja assim. 28/jun/2000"
Não tinha título. Não lembro pra quem foi. Mas quero acreditar que tenha sido uma carta minha pra mim mesmo, quase 9 anos depois... Ao menos, veio a calhar.
17 Maio 2009
poesia: Te desafio, minha linda
Te desafio, minha linda
Não sou feito cereal - de um sabor só, com conservantes...
Não sou definido, sempre o mesmo; tenho um furor mais errante...
Mudam meu rosto e meu tom... assim como muda a tua boca,
com teu batom cor-de-frio
Só meu bem-querer por ti não muda em nenhum segundo
Eu vim deturpar o teu mundo, te lançar um desafio
Quando os ponteiros das horas ficarem iguais aos minutos,
Sorri... mas não conta, minha linda!
Pedidos contados não valem, transgressão da minha vida...
Não te catei sem razão do meio de tantos vultos
Quero enroscar em tuas mãos as minhas linhas às tuas;
desenrolar teus novelos e ir remendando os teus furos...
Quero enozar na tua perna pra esquentar nossas duas
Entre a verdade ingênua e o gosto da consequência
quero somente a essência, de um jeito que não estranhes,
e jogarei pra perder, querendo que tu me ganhes:
me cante um verso invertido no verso esmaecido da bolacha de cerveja
Fica away como quem sai, e na verdade vai...
...mas volta, depois,
trazendo uma rosa champagne
que como um escudo proteja de um rapto consentido,
pois ainda quero que vejas o nosso tempo parar
Não são só balas e dôces pra te açucarar a saliva..
Quero espichar essa noite que nos foge tão furtiva
e avisar a esse sol que ainda há lua lá em cima!
Diz lá pra ele esperar...
E nesse momento imóvel - e nesse frio, esse vento... -
eu enebriado nas tintas desses teus olhos meigos,
desses teus olhos mudos...;
nesse teu delicado aroma de chocolate branco;
em meio a sinceros suspiros e mais mil encantos...;
de mãos dadas, minha linda, faremos de tudo!
-- João Otero - 17-mai-2009 --
Não sou feito cereal - de um sabor só, com conservantes...
Não sou definido, sempre o mesmo; tenho um furor mais errante...
Mudam meu rosto e meu tom... assim como muda a tua boca,
com teu batom cor-de-frio
Só meu bem-querer por ti não muda em nenhum segundo
Eu vim deturpar o teu mundo, te lançar um desafio
Quando os ponteiros das horas ficarem iguais aos minutos,
Sorri... mas não conta, minha linda!
Pedidos contados não valem, transgressão da minha vida...
Não te catei sem razão do meio de tantos vultos
Quero enroscar em tuas mãos as minhas linhas às tuas;
desenrolar teus novelos e ir remendando os teus furos...
Quero enozar na tua perna pra esquentar nossas duas
Entre a verdade ingênua e o gosto da consequência
quero somente a essência, de um jeito que não estranhes,
e jogarei pra perder, querendo que tu me ganhes:
me cante um verso invertido no verso esmaecido da bolacha de cerveja
Fica away como quem sai, e na verdade vai...
...mas volta, depois,
trazendo uma rosa champagne
que como um escudo proteja de um rapto consentido,
pois ainda quero que vejas o nosso tempo parar
Não são só balas e dôces pra te açucarar a saliva..
Quero espichar essa noite que nos foge tão furtiva
e avisar a esse sol que ainda há lua lá em cima!
Diz lá pra ele esperar...
E nesse momento imóvel - e nesse frio, esse vento... -
eu enebriado nas tintas desses teus olhos meigos,
desses teus olhos mudos...;
nesse teu delicado aroma de chocolate branco;
em meio a sinceros suspiros e mais mil encantos...;
de mãos dadas, minha linda, faremos de tudo!
-- João Otero - 17-mai-2009 --
05 Maio 2009
poesia: Soneto da Desforra
Soneto da Desforra
Por entre as frestas ouço - mas que assaz tortura! -
os teus inglórios suspiros e alguns rumores
de que tu me queres afagar com outras dores,
envoltas em ardentes gestos de candura...
Tua vulgar, insípida e inócua peçonha,
dizendo a mais de quatro ventos que me ama -
e quando eu sei que o teu afago me conclama
a ser um mero prisioneiro da vergonha -
não vai nem mesmo conquistar algum despojo.
Pros restos do retalho, dentro da ranhura,
trarei a divina obra-prima do teu nojo:
um ninho de mágoas e horrores requintado
darei a tantas que têm peito atrapalhado;
a essas tantas que mendigam por ternura...
-- João Otero - 5-maio-09 --
Por entre as frestas ouço - mas que assaz tortura! -
os teus inglórios suspiros e alguns rumores
de que tu me queres afagar com outras dores,
envoltas em ardentes gestos de candura...
Tua vulgar, insípida e inócua peçonha,
dizendo a mais de quatro ventos que me ama -
e quando eu sei que o teu afago me conclama
a ser um mero prisioneiro da vergonha -
não vai nem mesmo conquistar algum despojo.
Pros restos do retalho, dentro da ranhura,
trarei a divina obra-prima do teu nojo:
um ninho de mágoas e horrores requintado
darei a tantas que têm peito atrapalhado;
a essas tantas que mendigam por ternura...
-- João Otero - 5-maio-09 --
23 Abril 2009
poesia: Mar e Ilha
Mar e Ilha
Tu, que de vermelho e preto já me provocou o olhar;
que com teu jeito meigo me lançou ao mar
e com canto de sereia aprisionou-me em ilha
- com esses gestos e desejos tão de longe...
Sê meu mar e ilha, pra eu virar teu monge
e na minha solitude contemplar tua maravilha!
-- Joao Otero - 23-abr-09 --
Tu, que de vermelho e preto já me provocou o olhar;
que com teu jeito meigo me lançou ao mar
e com canto de sereia aprisionou-me em ilha
- com esses gestos e desejos tão de longe...
Sê meu mar e ilha, pra eu virar teu monge
e na minha solitude contemplar tua maravilha!
-- Joao Otero - 23-abr-09 --
21 Abril 2009
poesia: Ardente
Ardente
e tudo de súbito é claro - o que já foi transparente
um sangue do meu próprio peito jorrou-se em mácula, ausente
se era o outro lado, o sinistro!, o lado então descontente
porque não deságua ele, e é este lado o vertente?
e tudo de súbito é claro - eu de dois lados carente
o chicote que me adestra foi um carrasco veemente
o lado esquerdo, cortado, já tornou-se indiferente
o lado direito, coitado, passou a ser o que sente
-- João Otero - 21-abril-09 --
e tudo de súbito é claro - o que já foi transparente
um sangue do meu próprio peito jorrou-se em mácula, ausente
se era o outro lado, o sinistro!, o lado então descontente
porque não deságua ele, e é este lado o vertente?
e tudo de súbito é claro - eu de dois lados carente
o chicote que me adestra foi um carrasco veemente
o lado esquerdo, cortado, já tornou-se indiferente
o lado direito, coitado, passou a ser o que sente
-- João Otero - 21-abril-09 --
19 Janeiro 2009
03 Janeiro 2009
13 Dezembro 2008
Halloween em NYC - 31-out/08
Playa del Carmen - México - nov/08
All Points West - Jersey City, NJ - ago/08
All-Points West, em Jersey City, agosto/2008.
Num mesmo local, 3 palcos e vários ambientes artisticamente projetados.
Jack Johnson e Ben Harper na mesma noite. E conheci Rodrigo y Gabriela, que detonam no violão! Pena que os vídeos ficaram muito pesados pra postar...

Rodrigo y Gabriela

Ben Harper

Jack Johnson

Um dos ambientes de descanso.
Num mesmo local, 3 palcos e vários ambientes artisticamente projetados.
Jack Johnson e Ben Harper na mesma noite. E conheci Rodrigo y Gabriela, que detonam no violão! Pena que os vídeos ficaram muito pesados pra postar...
Rodrigo y Gabriela
Ben Harper
Jack Johnson
Um dos ambientes de descanso.
poesia: Sonho Enquanto Passas
Sonho Enquanto Passas
Como enquanto passas -
de ameixa e de uva...
Está escuro mas velas um morto
iluminam o meu caixão
Vou... com o teu olhar que amassa
que tu usas pra bater
no meu coração
...E me matas em que me escondo
entre os bichos
que vertem dos meus próprios nichos
de insensatez
Não sei se és um sonho,
pastéis ou limpidez...
Mas como enquanto passas -
de ameixa e de uva...
...e logo, logo, tu somes na curva
-- João Otero 02-02-2000 --
Como enquanto passas -
de ameixa e de uva...
Está escuro mas velas um morto
iluminam o meu caixão
Vou... com o teu olhar que amassa
que tu usas pra bater
no meu coração
...E me matas em que me escondo
entre os bichos
que vertem dos meus próprios nichos
de insensatez
Não sei se és um sonho,
pastéis ou limpidez...
Mas como enquanto passas -
de ameixa e de uva...
...e logo, logo, tu somes na curva
-- João Otero 02-02-2000 --
07 Dezembro 2008
poesia: Estrela
Estrela
Se a cada estrela que te pende ao rosto
pendesse um brilho e uma promessa
cego estaria a jurar sem pressa
como tu és linda, como te gosto
E se a cada tempo em que eu me pegasse
perdendo as horas no meu delírio
e com tua estrela cegante em brilho
o meu olhar sufocasse,
que triste a vida se eu não jurasse
que eu morria um pouquinho!
-- Joao Otero - 7-dez-2008 --
Se a cada estrela que te pende ao rosto
pendesse um brilho e uma promessa
cego estaria a jurar sem pressa
como tu és linda, como te gosto
E se a cada tempo em que eu me pegasse
perdendo as horas no meu delírio
e com tua estrela cegante em brilho
o meu olhar sufocasse,
que triste a vida se eu não jurasse
que eu morria um pouquinho!
-- Joao Otero - 7-dez-2008 --
05 Dezembro 2008
poesia: Sorte
Sorte
com uma parca sorte
sempre atrasada
e numa vida em morte
embrulhada
com a bixada pança
empanturrada
com a esperança em cólica
maltratada
umas tristes mágoas
afogadas
em lágrimas alcoólicas
com a testa inchada
tendo as unhas sujas,
e com mãos farpadas
que na enchada sofrem
calejadas
ao ungir a boca
seca e desgraçada
e tendo a rasa vala
sempre almejada
(que de nenhuma sorte
nunca é alcançada)
levantou a água
beatificada
e ao beijar a taça
grossa e maculada
foi tombar ao largo
da fria calçada
-- Joao Otero, 5-dez-2008 --
com uma parca sorte
sempre atrasada
e numa vida em morte
embrulhada
com a bixada pança
empanturrada
com a esperança em cólica
maltratada
umas tristes mágoas
afogadas
em lágrimas alcoólicas
com a testa inchada
tendo as unhas sujas,
e com mãos farpadas
que na enchada sofrem
calejadas
ao ungir a boca
seca e desgraçada
e tendo a rasa vala
sempre almejada
(que de nenhuma sorte
nunca é alcançada)
levantou a água
beatificada
e ao beijar a taça
grossa e maculada
foi tombar ao largo
da fria calçada
-- Joao Otero, 5-dez-2008 --
24 Novembro 2008
poesia: Teal
Teal
there's a fading blurred line
between deep ocean
and sky,
there where you lose your eyes
into the waves
- or clouds,
where you don't know if you'll go
to where your heart loudly shouts,
where you don't know if you'll drown,
or maybe float,
or just walk
away from the shooting star
where once upon was a sign
to guide your sight and your route
-- Joao Otero nov/2008 --

there's a fading blurred line
between deep ocean
and sky,
there where you lose your eyes
into the waves
- or clouds,
where you don't know if you'll go
to where your heart loudly shouts,
where you don't know if you'll drown,
or maybe float,
or just walk
away from the shooting star
where once upon was a sign
to guide your sight and your route
-- Joao Otero nov/2008 --

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