17 julho 2011

A fidelidade é uma eterna dúvida; somente pode ser reforçada, mas jamais auferida.
A infidelidade é facilmente provada, bastando um único fato.
Mas não há um único fato que prove a fidelidade.
A fidelidade, a lealdade, a confiança... todos esses sentimentos exigem plenitude.
E essa propriedade é que distingue os sentimentos que valem realmente a pena.
Porque a plenitude investe o "tempo" para atribuir-lhes valor.
Esses sentimentos não valem por que o "são" neste momento; e sim porque "foram" já por muito tempo.
Se alguém lhe tem lealdade, se alguém lhe tem fidelidade, se alguém lhe tem confiança... cuide bem! É muito difícil conquistá-los.

14 julho 2011

Batom



Beija com saudade meu peito risonho
o borrão vermelho de minha lapela
feito com mordiscos sob luz de vela
pelos dôces rubros lábios de uma bela
ante o ciúme tolo doutros que eu exponho
nesta minha boca que sempre se esmera               
e somente a ela pode ser sincera
ao jurar que um beijo vale como um sonho.

-- João Otero - 14-jul-2011 --

04 julho 2011

Lá longe



É um olhar bem diferente
o desse olho que só vê...

O ollhar que ora me chama
tem um olho que só sente

...Lá ao longe aquela chama
são os olhos de quem ama
e brilham mais do que se crê

-- João Otero - 2-jul-2011 --
A impossibilidade de tocar a ausência - com a certeza de senti-la...
Não compreender o infinito - nem tampouco conceber um fim sem que haja algo depois...
Dar nome ao nada - que é algo que não existe e nem sequer é imaginável...
Marcar-se na testa com a consequência do tempo - mas sem jamais descobrir sua causa...
Viver e morrer ao mesmo tempo - e contentar-se em não ter um propósito na imensidão desse tudo
...que o é, por si só, a única coisa que faz sentido.

-- João Otero - 2-jul-2011 --

20 junho 2011

Serenata de Amor

A Garoto deveria lançar um bombom Serenata do Amor com um raio 50% maior.
E deveria repensar a engenharia estrutural do bombom para permitir que com uma mordia a "casca" do bombom se desgrude do recheio de forma mais fácil (geralmente a parte de cima sai fácil, mas a de baixo gruda no recheio...).
Mas tem que exigir a "mordida"; não pode desgrudar tão facilmente senão perde o lúdico da coisa...

Por quê?

Ora, quem já foi criança sabe que o jeito certo de comer bombons é separar o recheio da casca, que fica pra ser degustado somente no finalzinho.

E porque aos adultos saudosistas e chocólatras como eu já não sentem as mesmas sensações do tempo de criancice.
Fiquei pensando nisso esses dias, e a explicação é lógica: quando eu era criança, o bombom era quase do tamanho da palma da minha mão! Eu demorava um certo tempo degustando a iguaria...
Agora, na minha mão cabe uns 4... Ponho inteiro na boca, e 3 segundos depois já acabou!

E mesmo que os adultos não tivessem esses complexos quanto ao peso e a saúde (e eles tem!), e comessem uns 3 ou 4 bombons... Ainda assim não seria a mesma sensação.

Portanto: Garoto, por favor, lance um bombom réplica do Serenata de Amor, mas com um raio 50% maior (e que o fundo não grude no recheio)!

:D

-- João Otero - 20-jun-2011 --

14 junho 2011

Personalidade é aquilo que o estado-de-humor deixa transparecer pela máscara.

13 junho 2011

O caráter é o segredo que a atitude nos conta...

11 junho 2011

A desconfiança nunca deveria ser posta à prova

29 maio 2011

Jovem é o coração que ainda sabe sofrer


Jovem é o coração que ainda sabe sofrer
Eu, mais desatento,
rescindi a dor do meu peito
e quando dei por mim, envelheci
O sofrimento é um luxo das aflições que valhem a pena
..Mas como dói
E essa dor é o tema
das aflições que eu senti
Mas um peito rasgado se remenda
E a dor só valora as lágrias que pela vida se derrama
Porque jovem é o coração que ama
E amar, e doer, e sofrer... é tudo parte da mesma senda
Que se visita quando houver consentimento
da alegria,
meretriz da dor,
por merecimento

-- João Otero - 13-jan-11 à 29-mai-11 --

28 maio 2011

ensaio: A Evolução da Linguagem

A Evolução da Linguagem
João Otero - 28-maio-2011

      Desde a invenção do computador moderno, por volta dos anos 1950, passamos a viver a "era da informação". Com o processamento automatizado dos cálculos computacionais, o aumento na quantidade de informação disponível foi notável. Mas a informação por si só não gera valor: a informação só existe com o propósito de ser comunicada, e a consequência direta do aumento da quantidade de informação é o aumento do nível de comunicação.

     Não espanta então notar que as principais indústrias e tecnologias dessa nova era são tecnologias de comunicação: televisão, telefonia celular, internet, mp3, redes sociais, etc.
     O ápice atual desta era se representa muito bem pelo tamanho da importância da internet na vida moderna. A intensidade da comunicação gera demanda por comunicação eficiente. E a necessidade da comunicação eficiente evolui a língua.

      Essa necessidade de eficiência sempre existiu, e sempre evoluiu a língua.
      No tempo dos homens pré-históricos, nos primórdios da descoberta da linguagem, a comunicação era menos complexa: vocabulários menores, palavras com poucas sílabas. A necessidade era a de expressar uma ideia e reagir-se a ela rapidamente. A linguagem devia ser eficiente para tratar de problemas em tempo-real, situações de perigo, avisos. Quando a tribo aumenta, surge maior necessidade de substantivos, para diferenciar as pessoas.

     Quanto mais items, objetos, produtos e ferramentas passam a fazer parte do dia-a-dia dessas pessoas, com o aumento de seu nível tecnológico, maior a necessidade de novos substantitos - e então, eles aumentam de tamanho; passam a ter mais sílabas; novas fonéticas são convencionadas.
      Naturalmente pode-se imaginar que as necessidades no decorrer da evolução dessas tribos eram mais básicas no início, se tornando mais complexas com o passar do tempo, da mesma forma que a pirâmide de Maslow estabelece prioridades crescentes.
      Portanto, os conceitos de uso mais corriqueiro deviam ser também os mais necessários. Esses conceitos acabaram por "reservar" para si as palavras com menos sílabas. Substantivos e conceitos com ordem progressiva de importância foram ocupando as posições subsequentes que possuíam o  menor número de sílabas disponíveis.

      Da forma semelhante, certos conceitos são compostos por conceitos de mais baixo nível. Dessa forma é natural que se reutilize esses conceitos já existentes para expressar um novo conceito. Isso facilita a compreensão; é eficiente, portanto. E assim surgem os prefixos e sufixos.
     Até mesmo em linguagens modernas de programação de computadores esse conceito de reaproveitamento existe: "classes" de objetos encapsulam conceitos; essas classes podem "herdar" propriedades de outras classes. É uma evolução natural, porque aumenta a eficiência da expressão da linguagem.

      E é a necessidade de uso dos conceitos que filtra as palavras que sobreviem (teoria evolutiva tradicional); e quando existe palavras com menos sílabas sobrando, o conceito candidato mais importante irá se apropriar dela. As palavras que necessitam maior frequência de uso são as mais curtas (pronomes, por exemplo). Mas obviamente existe um delay na velocidade de readaptação da linguagem: porque existe uma "convenção"; a convenção se constrói por costume, hábito - e leva tempo, portanto.

      A linguagem evolui para ser eficiente.

      Mas cada grupo étnico, vivendo em locais diferentes, possui também diferentes "necessidades de expressão". Os que vivem em locais frios possuem o conceito de "neve" como algo importante. Os que moram em áreas desérticas provavelmente possuem "água" como algo muito importante, e talvez "sol" e "sombra" também.

      As tribos evoluíram tecnologicamente e dessa forma aumentaram seus tamanhos, criando eventualmente vilas e cidades. Passa então a se criar devagar o conceito de "nação". E a cada aumento dos grupos, maior competição entre grupos acontece: guerras. Os grupos étnicos mais fortes acabam determinando a linguagem convencionada. E dado o delay imposto pelo costume, conceitos importantes para a etnia dominadora substituem palavras da etnia dominada, e isso pode explicar a "ineficiência" absoluta da linguagem, no sentido de que não existe uma linguagem absolutamente eficiente para todas as necessidades humanas. Ou seja: em sua maioria, a linguagem é eficiente; mas existirão palavras que podem não parecer tão eficientes.

      A população cresce e mais tarde surge a necessidade de se registrar números, astros, acontecimentos. Surge a linguagem escrita.
      E ela surge em dois sabores: podemos registrar conceitos, ou podemos registrar fonemas. A primeira é mais eficiente para leitura. A segunda é mais versátil em termos de reuso; o vocabulário é mais sucinto e quantidade de regras expressando suas relações são menores.

      Tome-se como exemplo o mandarim e o inglês. No mandarim os textos são mais curtos, e a leitura é mais rápida. No entando, necessita-se maior treinamento, pois há mais regras e há mais representações para se aprender. No inglês os textos são maiores, mas as regras e representações são mais generalistas. Pode-se aprender o sistema mais rapidamente. São dois modelos distintos de eficiência competindo entre si. Eventualmente um dos sistemas irá vencer, - combinação de eficiência com poder étnico. E quando o poder étnico é determinado pela eficiência da comunicação, cada vez mais, como na era da informação, a linguagem mais eficiente tende a gerar maiores condições de poder ao seu povo.

      Da mesma forma que não existe eficiência absoluta na linguagem falada, não existe também na linguagem escrita. A linguagem não pode ser ao mesmo tempo a mais rápida de se compreender e a mais rápida de se pronunciar; a mais poderosa de se expressar e a mais genérica de se registar; etc. Qual seria uma convenção de linguagem mais equilibrada para as necessidades atuais? Poderíamos criar uma?

      A necessidade contemporânea é transmitir e compreender a maior quantidade de informação de forma mais rápida e precisa possível. E nesse sentido, especialmente quando a internet catapulta essa necessidade, surge notóriamente no meio virtual a evolução do poder de expressão da linguagem. Atualmente podemos expressar também "sentimentos", através de emoticons. Podemos representar que estamos gritando, com letras maiúsculas. Outras convenções do tipo já eram presentes em textos: texto entre aspas pode indicar pensamento, ou a fala de outrém.

      Na internet, nos sms, em instant messages, busca-se a eficiência. Palavras de uso muito comum são convencionadas massiçamente. Você é "vc". Praticamente não há sobreposição com qualquer outro conceito. E é mais eficiente uma palavra de 2 letras do que uma de 4 letras. Essas convenções passam a aparecer em textos diversos, e eu acho ótimo que seja assim! Os defensores das normas, na minha ótica, são produtores de "delay" na evolução da língua.

      Nesses casos, gosto muito de dizer "Entendeu? Então não complica...".

24 maio 2011

Amor de louco

Um amor transcendental,
Um amor de louco!

Lembrança rota de um pedido rouco
Seguiu-se ao sopro de um suspiro fraco...

Da prece magra do amor de um louco,
Ouviu-se à lua uivar um lobo.

(Somos lobisomens todos nós um pouco...)

Quem nunca ousou em suspirar - de bobo -
Pedindo muito a quem dispunha pouco?

-- João Otero - de 2004 à 24/mai/2011

Na Beira do Universo

Esse era eu, uns anos atrás, pensando em como seria lá no final do Universo...

     Sou um determinista, e portanto avesso a todas as probabilidades quando transformadas em "lei" (como a física quântica ou a entropia, por exemplo - embora eu ainda as aceite bem se tratadas como ferramentais matemáticos, apenas).
     Mas gosto de manter sempre em mente que o limite de uma série qualquer é "quase o número", mas nunca "é" o número.
     Gosto de manter sempre em mente que apesar de não podermos determinar simultâneamente a posição e a velocidade de uma partícula, não quer dizer que essa particula não possua de fato uma posição e uma velocidade únicas em um dado momento.
     E que por mais que não haja computador capaz de computar todos os a-toms do universo e descobrir seu próximo estado, não quer dizer que o conjunto de todas as coisas não possua um único e bem determinar próximo estado, consequência direta do estado presente e das leis universais que as regem.
     E sendo assim, como seria lá na beirada do universo, que se expande, se expande...?
     Digamos que ele parasse de expandir: "batesse na borda". E começasse a voltar: exatamente para o último estado antes de bater lá na borda...
     O tempo, que para nós parece linear, continuaria uma sucessão de "estados" instantâneos do universo. Mas agora ele estaria andando de trás para frente, voltando aos exatos estados anteriores, numa sucessão idêntica e contrária à sucessão que o fez chegar na tal borda.
     ...E quando o universo todo se implodisse em si mesmo, chegando no extremo de concentração de partículas que não cabem mais umas nas outras, só teria o mesmo caminho original a percorrer, expandindo até hoje, expandindo até a beira do universo, e voltando para esse ciclo eternamente, num vai-e-vem eterno como um elástico.
     Minha ideia do universo provavelmente está errada. E eu nem quero pensar muito no assunto e nem estudar física, porque me frustra muito saber que jamais vou ter a resposta... Mas bem que essa ideia me deu um poeminha interessante:



Na Beira do Universo

Na beira do universo em tempo infindo
o tempo não queria mais correr.
De trás pra frente tudo veio vindo
e a morte começou a renascer.

Os raios alcançaram seu destino
- e ele não sabia o que fazer.
Os raios regrediram então seus brilhos
e os fótons implodiram ao florescer.

Com todo o infinito acumulado
no ínfimo corpúsculo do nada,
o cúmulo improvável aconteceu:

O cosmo já não tinha mais passado!
...A lei da entropia derrubada,
com morte ao mesmo tempo em que nasceu.

- João Otero - 18/out/2005 --

23 maio 2011

Grávidas



graves grávidas grisalhas
grunhem grossos gritos...
gordas gargalhadas depois!




Veja outros poemas da coleção Letras

-- João Otero - 28/ago/2001 --

Borboletas




                               bárbaras borboletas!
                               belas bordas bordadas,
                               balançando brilhantes brumas...
                               bélicos brutos bradaram:
                               ...borboletas baleadas no chão.




Veja outros poemas da coleção Letras

-- João Otero - 1/mar/2005 --

08 abril 2011

Brazilian Columbine

Brazilian Columbine

...Eu só queria enxugar
toda essa lágrima,
esse medo
Porque passou...
já vai lá
aquele um,
nem me lembro...
O que eu vejo é mais perto,
é aqui do lado,
aqui dentro
Ausência de quem me era
a extensão do que ia eu sendo
Agora queria os meus olhos
bem vendados para dentro
Só não queria enxergar todo este sangue
escorrendo...

Brazilian Columbine;
Rio de Janeiro,
Realengo.

-- João Otero - 8-abril-11 --

20 março 2011

Do tanto que eu tenho

Do tanto que eu tenho

é cheio de tanto
o peito que eu tenho    
um tanto que quanto
de tudo o que eu minto
e às vezes dá nele
um vazio tão cheio
tão cheio de tanto
esse lado que sinto

é de um tanto quanto
metade do meio
enchido de sonhos
dum sono que tenho
num vento varrido
em borboleteio
chegou-me atrevido
com um galanteio

e o cheiro de encanto
do lado do meio
tão perto da lua
tão perto do seio
flutua vazio
bem leve e ligeiro
varrido dos campos
de um sono alheio

e como era lindo
o vento ventando
o pranto que omito

e como era feio

-- João Otero - 20-mar-2011 --

28 janeiro 2011

O medo

o medo,
um algo ruim dissolvido na incerteza
assaltante e posseiro da mente,
cujo pensamento deveria unicamente
se ocupar de mexer as pernas imóveis,
de correr com presteza!
o medo,
que não serviu jamais para mais do que alguns conselhos
que no teu espelho, serviu apenas para evitar alguns cacos,
uns parcos erros, alguns cortes
(mas já se sofrendo...)
o medo,
que serviu apenas para evitar algumas mortes
(mas já se morrendo...)
o medo,
que enfim, pobre coitado,
nunca deixou por estes lados nada que preste
o medo,
professor severo da timidez
inimigo da paixão e qualquer outra insensatez
palhaço triste do circo da vida, ocupando as tuas noites,
no picadeiro dos teus sonhos
(porque não mais dos meus)
ao medo,
companheiro daqueles que não têm ânsias,
companheiro daqueles que não têm sorte,
o meu sincero abraço forte,
as minhas palmas
e adeus!

-- João Otero - 27-jan-11 --

18 janeiro 2011

Memórias de vinho, macarrão, sushi e bochechas de uma mulher-gato.

10 janeiro 2011

Veias

Dóem as veias
De que se nutre essa dor?
Estariam entupidas
De angústias ou pavor?
Ou estariam elas secas
De amores e frescor?
Dóem as veias
Dóem-me mais do que a dor
Dóem-me além do corpo
Que se esvaiu em torpor
Teriam as veias levado
Para longe o meu calor?
Dóem as velhas veias
Intimadas a depor

-- João Otero - 10-jan-11 --

04 janeiro 2011

Nunca confie nos teus amigos bêbados

A mão companheira é a que bendigoSegredos contados por entre alguns dedos
Onde há abrigo,
confronta-se os medos
...Mas nunca confie nos teus amigos bêbados

Nunca confie nos teus amigos bêbados!

Tudo o que já pude, tudo o que consigo
Tudo o que imito, todos que arremedo
Se são teus amigos
Desvele o segredo
...Mas nunca confie nos teus amigos bêbados

Nunca confie nos teus amigos bêbados!

-- João Otero - 4-jan-10 --

13 dezembro 2010

relógio

Meu relógio biológico tá estragado!

pensamento: sábio

Já que eu não posso ser burro, que possa ser sábio...

pensamento: ironia

A ironia é o argumento dos fracos.

08 dezembro 2010

À Madrid

À Madrid

Pensei em te dar uma flor
mas uma flor não servia,
porque as pétalas não cantam
como encanta a poesia
que brotou do teu olhar
que me tem com simpatia,
que aflorou a aflição
de um amor que eu nem sabia...
Pensei em te dar uma flor,
mas te dei minha poesia...
Eu só quis que tu soubesses
desse amor que eu sentia

-- João Otero - 8-dez-10 --

06 dezembro 2010

Saudade Degringolada

Se eu sentisse saudade delaseria de cor amarela
Dessas, de fim de tarde...

E sopraria uma brisa
dessas que afloram cismas
censuradas da verdade

É... Seu eu tivesse essa saudade,
seria minha!
E não dela! - a infeliz dessa cadela -
que não era quem eu tinha




ps:   :-P   lamentável... hehe ;-)

-- João Otero - 6-dez10 --

24 novembro 2010

Matei uma Barata

Matei uma Barata

Agora há pouco matei uma barata.
Mas não era uma barata qualquer. Era uma ba-ra-ta; pré-histórica; quase 10 centímetros...
Quase um mamute!

Eu já tinha visto essa nojenta outro dia.
Tentei duas chineladas, mas não adiantou. A barata se jogava da parede - literalmente - bem na hora que eu ia acertá-la.
Deixei a janela aberta, com a esperança de que ela tivesse querendo ir embora.  Como não a vi mais por uns 2 dias, assumi que ela tinha colaborado com a minha situação.

Foi aí que eu li a notícia de uma pesquisa recenta da UFRJ, onde diz que a inversão térmica do verão faz as baratas saírem dos bueiros e procurarem locais mais frescos: isso mesmo, nossa casa. É parceiro... quando Murphy ataca, Murphy ataca mesmo.

Já não chega o nojo - o completo asco que me dá só imaginar a imagem de uma barata; hoje,  eu, revirando meus papéis, dou de cara e quase que encosto numa!

Pra conseguir matar uma barata, você tem que pensar como elas.
Se um cara com muita raiva de mim estivesse me caçando impiedosamente, e eu fosse uma barata, para onde eu iria? Obviamente para o buraco mais escuro e difícil de cavocar possível, tão logo esse maluco desse a primeira chinelada.

A operação se deu mais ou menos assim: primeira coisa, retirar todos os papéis, livros, aparelhos, e pilhas e pilhas de coisas que estavam naquela sala (recém me mudei pessoal), em volta do balcão-hotel apropriado pela Barata.
Levei tudo pra sala ao lado. Ensacolei todas as bugigangas soltas espalhadas ao redor, pra não dar margem à obstáculos me atrapalhando.
Arredei todos os móveis, para não deixar lugares inalcançáveis.
Ela tinha entrado numa caixa. Deixei a caixa para mexer por último.
Enfim tentei matar a desgraçada, mas ela fugiu ao redor daquele balcão umas quatro vezes; todas tentativas de assassinato frustradas. Ela corria por todos os lados, se enfiava em todos os buracos e ficava até de ponta-cabeças nas reentrâncias do móvel.

Bem, pensei: agora que eu tinha movido tudo para a outra sala, essa outra sala automaticamente teria se tornado o lugar preferido para a próxima hospedagem noturna da filha-da-puta da Barata. Eu já tinha me resignado. Comecei a guardar meus livros e ajeitar melhor as coisas, para pelo menos diminuir essa probabilidade.

Pra fazer uma ideia do tamanho da barata, sabe como eu fui conseguir matar a infeliz? ...Eu estava levando os livros da segunda sala pro meu quarto, quando ouvi um barulho naquela primeira sala.

O que eu ouvi era a barata carrendo! A barata era tão grande que dava pra ouvir os "passos" dela!
Peguei a infeliz quase na porta, indo justamente para a sala do lado!

Eu não teria conseguido pensar tão bem como uma barata nem que eu fosse uma!

Teve mais um corre-corre, mas dessa vez em campo aberto: salve Sun Tzu, senhor da guerra, e todos os aprendizados que ele me deu sobre "o terreno"!
A barata dessa vez não teve a menor chance. (Apesar de eu ter fechado os olhos; porque aquela gosma é foda...)

E a tal pesquisa da UFRJ ainda fica do lado das baratas, vê se pode?!
Ah, é comida do passarinho? Ah, faz parte da cadeia alimentar da aranha?
...Eu quero mais é que se fodam todas as baratas!
Os passarinhos e as aranhas que virem vegetarianos, ué! Não está na moda mesmo?!

Finalmente, achei o abridor de vinho que eu tava procurando antes disso tudo.
A lei da compensação pelo menos fez gelar um pouco mais o vinho que eu deixei no freezer.

Um brinde às baratas mortas. Saúde pra mim!

-- João Otero - 24-nov-10 --

23 novembro 2010

música: A Rima

A Rima
(samba)

Você que está aí tão distraída
nessa cadeira de madeira envelhecida
me ouvindo cantar e beijando uma bebida
daquelas fortes, só pra esquecer da vida -
vem me beijar...

Você que me parece tão doída
venha pra perto e se escore cá num canto
pra desfazer essa amargura entristecida
vindo provar o dôce mel dos meus encantos
enquanto eu canto...

            Você não tenha pressa de saber
            daquela rima em que eu falo de você
            como se fôsses minha bela, minha linda
            a perdição da minha vida, o meu dôce
            como se fôsses...

         (ai, aiai, aiai, aiaiai, aiaiai... como se fôsses)
         (ai, aiai, aiai, aiaiai, aiaiai... a minha vida e o meu dôce)

Você que em tristes olhos acolheu
os lentos sôfregos arranhos de um violão
enquanto eu toco o seu olhar com os olhos meus
dentro dos seus me vejo só você e eu
pelo salão

            Você que se encontrava sem abrigo
            já tem meu peito como seu novo recanto
            Te quero tanto, mesmo quando eu não te digo
            você comigo é a tal rima que reclamo,
            pois já te amo!

         (ai, aiai, aiai, aiaiai, aiaiai... foi só te ver e eu já te amo!)
         (ai, aiai, aiai, aiaiai, aiaiai... foi só te ver e eu já te amo!)

-- João Otero - 22-nov-2010 --

31 outubro 2010

Anjo que passa

venha meu anjo,
e dance o teu ventre
por entre essas mesas
e seja a beleza
por entre essas taças
desalma-me o dia
desarma-me o punho
desfaça a tristeza
que ia em meu cunho

(e eu sigo vidrado no jeito que passas...)

venha meu anjo,
com tua silhueta
sineta dos sonhos
que eram tristonhos
até teu olhar
dilata-me o instante
destrata-me o beijo
que eu pressuponho
ante o teu desejo

(...mas não me censures só por te beijar!)

-- João Otero - 31-out-10 --

28 outubro 2010

Loucura

cada qual mulher tem sua vil loucura
e eu, com meus cascudos, não entendo nada...
numas sei que fui a loucura provocante
mas de outras eu tive a loucura provocada

vêm com apetrechos, cheias de frescura
uma, de varrida, me deixou por nada
mas depois voltou, cheia de ternura
sendo inda mais louca e se jurando fada

cada qual mulher, uma loucura errante;
cada tal loucura que se faz por nada...
uma, que me amava, se mentia pura
outra, nao me disse e me perdeu na estrada

-- João Otero - 24-28/out/10 --

04 outubro 2010

Ouvi uma pérola hoje: "o que estraga a boceta é a mulher que vem junto..."

15 setembro 2010

As Vogais dos Meus Olhos

E depois de rimar essas vogais
que despencam dos meus olhos

com um "vai, meu pai... descanse em paz"

queria que as lêsseis de traz pra frente
e me dissésseis:

"ia, meu filho... não vou mais!"

...Mas eu sei que tu não podes me esquentar
outra vez com teu beijo

se da boca fria o hálito nem sai

Tenho então meus olhos soluçando com as vogais
que eu não queria

rimas de perfeita companhia
ao resto de esperança que me trai

-- João Otero - 26-ago/15-set-10 --

05 setembro 2010

Chorei hoje.

15 agosto 2010

Houvesse figura

é tão doído
um parto de letras
num buraquinho que nem se consegue saber
pra se dizer o que nem lá se tem consciente
...essas palavras que eu não consigo achar
entre dois-pontos e um parêntese aberto

-- João Otero - 16-ago-10 --

pensamento: E viveram felizes para sempre

"...E viveram felizes para sempre" é algo que um autor preguiçoso escreveu pra não ter que continuar a história em outros livros... E desde então, os demais autores apenas copiaram.

05 agosto 2010

pensamento: rosas

Nem tudo é um mar-de-rosas... Mas uma rosa, umazinha, já não é um mar...?!

29 julho 2010

Tudo o Que Eu Posso

Tudo o que eu posso
se configura num bem-querer
num avaliar
num decidir

Tudo o que eu posso
se transfigura em não-sentir
num quebra-mar
num "venha aqui!"

Tudo o que eu posso
é bruma branca em dia de sol
é folha seca em um outono
e algum perfume inevitável
na primavera

Tudo o que eu posso
quem me dera!
era querer ser
um pouco mais que esse sofrer
em querer ser o que eu não posso

-- João Otero - 29-jul-10 --

25 julho 2010

Hoje contei uma verdade.

19 julho 2010

Hipocondríaco e Sintomático

Hipocondriaco e Sintomático

Eu, hipocondríaco, sintomático, quase transformo em febre reumática uma mera streptococcus. Não é que, preocupado em sufocar de dor, acordo eu e entro na internet pra descobrir do que se trata minha chaga; e horas depois, ao acordar novamente no meio da noite, meu dedão do pé tá inchado, doendo, pulsando, como se eu tivesse chutado a quina do balcão - ou como se eu tivesse mesmo é com uma febre reumática?!

Aos hipocondríacos como eu são aos que mais funcionam os placebos, e aos que menos servem os homeopáticos. Pois é só dizer que há uma chance remota de um efeito colateral para ele virar sintoma líquido e certo; e é só dizer que "leva tempo, mas funciona...", que o tempo esse é exagerado, e vira "nunca" imediatamente!

Eu, hipocondríaco, sintomático, tenho flashback e entro em nóia até com erva natural. ...Nem me arrisco em nada um pouco mais sintetizado!

Eu, hipocondríaco: ao se me despontar um novo amor, já sei, de prévia sabedoria que ele vai durar pouco; que eu vou me entregar de todo; que eu vou sofrer muito... Não, um pouco mais do que isso. Muito mesmo. Já sei que vou ter pano pra manga pra minha poesia por alguns dias. Que o mundo vai acabar e todas aquelas coisas dos hipocondríacos...

E aí eu ligo, escrevo, imploro, me abro como nunca, digo que amo... E no seguinte segundo, "puff" - ela escapuliu! "Eu não disse?!"

...Eu: sintomático!

-- João Otero - 19-jul-10 --

Uma Geada

E a manhã alva dos campos de minha terra
Se me tem a camuflar uns lírios, a me apagar as relvas
Anunciada pelo um vento minuano, sempre repentino e forte,
A meio ano
Se me tem trocando o pano pela manta grossa e um pala
Ela que vem e me cala, contragosto, em branca tez
Ela que vem e me pára, num calafrio cortês
Ela que reclama tudo, e cobre tudo, dos meus olhos ao meu pêlo
Mas por baixo dos véus que cegam
Eu sei que brilham as relvas dos meus campos outra vez
E eu aperto meu canto, com nó de lenço vermelho
- Com cheiro de sangue, de guerra -
Para cantar as belezas de minha terra, de onde não me arredo
Por mais judiado que eu seja ao passares
Dama alva, linda... horrenda...
E o meu riso é porque eu sei que não há vento que se prenda!
Te mostro os dentes pois sei que logo após as coxilhas
Tenho o perfume das negras, e a pele-cuia das índias
E os campos que eu sempre quis
Não há pois como eu me renda
A uma passageira prenda
Se no seio da coxilha
Me aguarda tudo o que eu preciso
Para ser feliz

-- João Otero - 19-jul-10 --

09 julho 2010

A minha espera

E eu to ainda pra ver quem vai se abrir num gozo para a vida, encarando num êxtase eterno a duraçao de cada segundo, e viver uma plenitude de sensibilidade sem fechar-se logo em seguida dentro de si e de seus medos privados. Eu to ainda pra ver quem fará sexo com a vida. Eu to ainda pra ver quem vai trocar aqueles poucos segundos de conjunção carnal pela sensibilidade envolvente e mais aflorada de algo mais transcendente. To ainda pra ver quem vai fazer aqueles parcos segundos durarem pra sempre.

07 julho 2010

Melancolia

A melancolia se me dá em alguns tons de amarelo misturados com saudades...

22 junho 2010

As Bocas Banguelas

As bocas banguelas têm mais sorrisos
As bocas das crias, dos velhos, dos pobres
Se vestem de um manto mais nobre
Do que esses de esmaltes lisos

Não têm caninos tão fortes,
Não refletem externos brilhos,
Não prendem a feroz língua

A boca banguela não míngua seu juízo
As bocas das crias, dos velhos, dos pobres
Não amarelam um sorriso...

-- João Otero - 22-jun-10 --

16 junho 2010

texto: Meias Brancas

Meias Brancas

Hoje pela manhã eu descobri sem-querer a solução para o problema do lixo no mundo: meias brancas!
As meias brancas têm a propriedade de sumir com o passar do tempo. Se acondicionarmos todo o lixo do mundo dentro de meias brancas - vupt! - solucionamos o problema do lixo!
...Minha última teoria é a de que as canetas Bic são fabricadas com meias brancas embutidas. Mas é uma hipótese ainda necessitando observações adicionais.
(Isso se elas não sumirem antes...)

-- João Otero - 16-jun-10 --

10 junho 2010

Olhinhos Minguantes

Olhinhos minguantes -
Como os ciclos enluarados
Dessas minhas paixões retumbantes
Que se camuflam volta e meia em mim

No ocidente, lá praqueles lados...
Onde é renascente - flagelado mas sorridente -
Este meu velho coração cansado
Destas agruras sem-fim

Que vão e vêm, e vêm e saem...
Vazantes como a maré
Perene ciclo constante de novas dores poentes
Mas a espumar-me novamente o peito e a reforçar a minha fé,

...Lá: olhinhos de dó, de pena, de graça;
meiguice; cachaça na mesa dum bar
Tu, extraviadas num canto,
E eu contemplando de longe
À duas mesas de distância, o teu olhar

-- João Otero - 9-jun-10 --

09 junho 2010

Muito

E depois de muito tempo passado
O que eu faço se eu descobrir
Que o mesmo tanto de muito passado
É o mesmo tanto de muito que descobri
Estar gostando ainda muito mais de ti?

-- João Otero - 9-jun-10 --

29 maio 2010

Desencantamento

...E então, querida,
Serás esquecida
Como uma foto amarelada e esmaecida,
Como uma ninguém
Como mais uma formosa entremeada num harém
Serás tão só mais um refrão que um dia eu já cantei
Tu serás quem me esqueceu, e a quem esqueci também
Tu serás rastro de névoa nos quintais de minha vida
Tu serás uma lembrança em alguns cacos repartida
Tu serás doce mistério
Que só o meu passado tem

-- João Otero - 4-29-mai-10 --

22 maio 2010

Da procura

Vende-se tragédias!
Tragédias feitas de pó e vento
Que contrapesam êxtases imerecidos
Vende-se tragédias que complementam vidas

-- João Otero - 22-mai-10 --

Porque pediste pra eu falar de cores (Amarelo)

                                  Eu e os ébrios - braços dados numa saudosa harmonia
                                  Sob o reflexo dourado do luar fraterno já minguando mais um dia
                                  Brindo! com mais cinco dedos de gelada alegria
                                  À sapiência deste olhar impreciso
                                  Que vê em dobro a beleza
                                  E que duplica os sorrisos dessas bocas tão macias!


Veja outros poemas da coleção Cores

-- João Otero - 22-mai-10 --

14 maio 2010

Pontacabeça

Prólogo:
Eu sei que meu português ficou uma bosta neste texto. Mas não importa muito. A mensagem é o mais importante.



Pontacabeça

Eu olho em volta e vejo tudo muito raso, muito rápido, muito superficial, muito efêmero.
Relacionamentos fast-food, pegos numa caixinha em uma balada da moda qualquer, e largados em alguma lixeira 15 minutos depois.
Todos pegando todos, e ninguém lembrando de ninguém.
Namorados que não se vêem no sábado, que preferem sair com os amigos. Que não sentem falta um do outro.
Vejo beijos fazendo fila na boca de qualquer um/uma...

Vejo a ostentação sendo usada muito eficazmente como uma arma na busca por sexo... E vejo pessoas caindo nessa! O ingresso de tanto, o passe que é VIP, o dono de tal empresa, o "amigo" influente, a bebida mais cara, a casa da moda, as roupas de marca, o carro mais caro...

Eu vejo a sinceridade virando algo conveniente e circunstancial: não ouço mentiras, mas tampouco ouço as verdades, pois elas são escondidas.
Eu vejo a falta de franqueza; a falta do vou-dizer-na-tua-cara.

Eu vejo a falta de envolvimento, despreocupação com os sentimentos alheios: vejo um jogo de conquistas, e os sentimentos virarem troféus.
Eu vejo a busca pelo prazer rápido, descomprometido, descartável.
Eu vejo relacionamentos tapa-buracos, convenientes para preencher as happy(dead)-hours pós trabalho.
Vejo pessoas se comunicando online num domingo, estando na mesma cidade, estando às vezes na mesma sala...
Eu fico triste vendo as pessoas se tratando e sendo tratadas como joguetes.
Amigos amarelos; máscaras sociais; joguinhos sociais; comportamentos subliminares.
Eu vejo todas essas coisas em excesso, dia após dia. E me falta o que preencha a minha alma. E duvido que essas coisas preencham alguma alma, aliás.

Eu sinto pena pelas pessoas que agem assim; e que de fato acreditam (isso é o pior) estarem fazendo o melhor para si. Pena porque talvez nunca descubram de verdade uma felicidade mais longa.
Eu vejo pressa em ter-se o que não importa, e paciência demais, morosidade demais em se buscar as coisas que importam. Todos querem status, carreira, dinheiro; ninguém quer música, companheirismo, risadas, jantar em família...
Todos perguntam "O que você faz?"; ninguém pergunta "O que você quer fazer?".
Todos perguntam "Onde você mora?"; ninguém pergunta "Aonde você vai?".
Eu vejo conformismo, e isso me indigna...
Valores invertidos. Mundo de pontacabeça.

Eu vejo escravos da vida estudar-trabalhar-casar-ter-filhos; escravos das normas; escravos do que a família-amigos-sociedade vai pensar; escravos do conformismo das coisas-que-são-assim-e-não-vão-mudar.
Eu vejo pessoas desistindo de tudo muito fácil, pelas mais esfarrapadas desculpas: desistindo dos sonhos, desistindo de uma paixão, desistindo de uma aventura, desistindo de um amor. Mentem à si mesmas.

Eu vejo pessoas desacreditando que a bondade existe em maior oferta no coração das pessoas do que existem a sacanagem, a malandragem, a maldade, o desrespeito.
Isso me lembra um pouco o fundamento do terrorismo, sobrevivente pelos noticiários da noite ou através das páginas policiais de jornal... Porque embora haja sim sacanagem, malandragem e maldade, tudo isso é muito pequeno, mas causa um impacto muito grande.
As pessas mudam de comportamento porque amplificam uma percepção negativa muito além do que deveriam. As pessoas mudam de comportamento porque passam a sentir medo demais. E todos, aterrorizados, ficam imóveis. Rugido de um tigre: pessoas imóveis! Situação adversa: pessoas imóveis! Terrorismo: pessoas imóveis! Medos, medos, medos: pessoas imóveis dentro de si; pessoas egoístas; pessoas que não se deixam levar. Merda de cérebro que funciona assim.

E eu vejo muitas pessoas com medo: de sofrer, de se entregar, de persistir, de se arriscar... Morrendo sem saber. Vivendo sem sentir. Sentindo até, mas muito pouco; muito menos do que poderiam... E por que? Porque têm medo. Não há como sentir o máximo sem que seja se arriscando ao máximo também.
Mas o medo de sentir-se mal é maior do que o benefício de sentir-se bem, paradoxalmente.
Isso não entra na minha cabeça: como alguém prefere o não-sentir ao sentir-se muito bem, só por existir um risco de sentir-se mal?! Zumbis... Zumbis é que não sentem! Sinto como se tivesse nascido no lugar errado, na época errada.
Que graça tem viver uma vida que um dia acaba - sempre - se for só pra deixar ela passar pela gente?! Sentir-se mal, que seja, não vale mais a pena?! Sentir-se bem, não vale o risco?!

Só a coragem enfrenta o medo. Só a fé - que é acreditar por acreditar, sem ter certezas - é capaz de gerar coragem.
Falta fé.

Eu só quero dizer que eu não faço parte dessa merda.
Um contra-argumento seria me perguntar se eu sou feliz. Não sou; e é cada vez mais difícil. Mas eu ainda tenho fé.
E quando eu for, vai ser 100%, não pela metade.
A minha fé é que haja mais alguém que também não faça parte dessa merda toda... E se houver, não diga, simplesmente: haja com um pouco mais de caráter, com uma pitada a mais de coragem. Terás assim ajudado o mundo a viver um pouco melhor. E terás me ajudado também.

-- João Otero - 14-mai-10 --

07 maio 2010

Teus Cabelos

Não há mais os teus cabelos pelo banco do meu carro...
Mas há um fiapo... Há um fiapo ainda aqui!
Desses cabelos que um dia eu conheci
Com as pontas de meus dedos

Desses cabelos que eu até senti
Uma vez o gosto, o medo...
O cheiro! - perfumado de vaidade

...Esse fiapo dos teus cabelos
se enosou na minha saudade

-- João Otero - 7-mai-10 --

06 maio 2010

Dias

Eu quero dias de 1 minuto...

05 maio 2010

Das duas coisas: Graças

Duas coisas que me vêm dos céus em desproporção extraordinária: graças!

Sementes

Nos sulcos das cicatrizes que me deste
Saí a plantar umas sementes...
(Há que se fazer, afinal, algo que preste
Com as coisas que acontecem na vida da gente)

-- João Otero - 5-mai-10 --

04 maio 2010

Passatempo

Minha cabeça, se afogando em horas-lixo -
Que são tão só esbanjadoras dos meus dias
Que um a um, e em penoso sacrifício
Que é tão dôce, qual o gôsto que eu lhe tinha
Disponho ao tempo - incinerante e compreensivo;
Vai se esquecendo e se ocupando até à tardinha
Da dor de um peito - lancinante e possessiva
Que só amanhã, depois do sono - quando venha
Volta a sofrer, mas já mais terna e esmaecida

-- João Otero - 4-maio-10 --

29 abril 2010

Dores

Me doem no peito uns amores...
De uns sorrisos, de uns olhares, de umas cores
Que tive - ou achei que tive
Como sinceros aos meus louvores
...E outros olhos (cheios de cores!)
...E outros lábios (cheios de amores!)
...E outros braços (cheios de flores!)
Passam nas ruas...
Enquanto meu peito - cheio de dores
Me tem doendo mais uns amores

-- João Otero - 29-abr-10 --

27 abril 2010

Promessas

...E as promessas não ditas serão as mais cobradas.

26 abril 2010

Escolhas

Não se pode ter tudo.
É inevitável: não se ganha nada sem se perder algo em troca.
Nossa esperança é ter um pouco de juízo e alguma sorte para decidir agora sobre as escolhas que se mostrarão as mais sábias no futuro.
E não há muito mais certeza na decisão de agora do que a que há num jogo de azar...
Nem sempre as melhores escolhas são realmente as melhores escolhas.
Certo, mesmo, é que nunca se pode ter tudo.
A fé, no final das contas, é só o que resta.

22 abril 2010

Poeminha ao vento

Se um vento assim qualquer te soprar ao pé do ouvido
Bem decerto que fui eu que sussurrou pensando em ti
Mas se ao toque dele, mudo, despertar-te a libido
Foi tão só um beijo meu que se perdeu por aí...

-- João Otero - 22-04-10 --

16 abril 2010

Inefável

Eu quero uma revolução, uma guerra,
Uma epidemia
Uma dor de verdade
Uma verdade mais crua
Uma poça de vômito no meio da rua
Um caco encravado na unha
E uma costela partida

Eu quero da esperança a cara triste,
Definhando um sorriso banguela;
E eu com o dedo em riste
Abafando uma saudade

Eu quero um punho em figa
Uma marca da mão estendida na cara
Um pontapé pontiagudo na barriga
Esmagando a realidade
Das verdades que qualquer um diga

Eu quero meu olho cerrado
Os cílios como espinhos encrustrados
Sobre minhas pálpebras ressentidas

E a minha liberdade teria outro gosto
Eu, desapegado de mim mesmo,
Indiferente à minha própria felicidade,
Descuidado de meu próprio rosto
Seria livre, enfim!, para até me ser cruel de mim,
Para até sorver o meu desgosto

E tudo o que me tivessem seria bom
Pois tudo o que eu quisesse, nem ia querer...
Porque de tanto ter, eu não teria nada...
De tanto ser, eu não seria pôrra de nada
Eu não teria pó, nem pena,
Eu não teria pedra,
Eu não teria estrada...

-- João Otero - 16-abr-10 --

07 abril 2010

Montanha Encantada

Montanha Encantada - (Diálogo Poético com Carlos Drummond de Andrade)

Enquanto mais alto ela ia,
mais encantada ficava
E nessa montanha dourada eu subia, subia...

Mas tinha uma pedra no meio do caminho.
No meio do caminho tinha uma pedra.

E enquanto eu descia rolando, devagarinho
menos encantado eu me tornava...

-- João Otero - 7-abr-10 --

06 abril 2010

"Palatável" não é lá muito palatável...

05 abril 2010

secret

SJJ2

Elegia da Minha Própria Morte

Logo eu comecei, fui vivendo a vida - e ela adoecia...
A cada dia a mais, um dia a menos me vinha
Quanto mais eu a usava, muito menos dela eu tinha

E ela me apressava,
Olhava pra mim e se ria...

Ria ela de Mim! A vida breve e fraca
A vida parca e rota,
A vida opaca e fria..!

Então desisti da vida e fui viver minha morte -
Como se mais moça, como se mais forte,
Como com mais gosto e muito mais sabida,
E com mais intuito
De seguir adiante
A sua própria vida...

E então - eu já morrendo - fui Eu lá rir dessa vida!
Ri dessa vida fraca, ri dessa vida fria
E fiz da minha nova morte uma constante elegia

Espiei as frestas, como se espia,
Coisas de curiosos aonde quer que eu ia
E me esfreguei em braços que eu nem sabia
Se eram tão sinceros - mas eu nem queria...
Fui sorver orvalhos que eu não conhecia
Desses que se brotam em erva-daninha

...E enquanto eu fui morrendo, nesse meu dia-a-dia,
A cada um dia a menos, um dia a mais eu tinha!


E um dia, tudo se foi...
Foi-se a vida, foi-se troça, foi-se a morte -
Que eu tive breve e sem-sorte -
Mas que foi muito bem vivida!

-- João Otero - 3-abr-2010 --

Despautérios

Eu tenho pressa de ti!
Vivo na ânsia do sempre!

E são eternos esses minutos ternos e carinhosos dos teus agrados...
...Mas são mais longas as infindáveis delongas desses teus carinhos sempre atrasados

E até espero por ti
Mas do meu jeito - presente

E quando não vens faz ausente o que eu mais quero - e já não te quero mais cá do meu lado...
...Mas quando não quero, consentes; do beijo mais puro ao mais profanado

Então desatino por ti!
Pairo na volúpia ardida

Eu, do teu lado, apressado
Tu, no teu passo, perdida

-- João Otero - 3-abr-2010 --

29 março 2010

Mais

Gostinho de sono em manhã de segunda-feira
Gostinho de cócegas com besteira
Gostinho de sábado marcado na próxima-vez
Gostinho de bis, gostinho de quero-mais
Gostinho de talvez

-- João Otero - 29-mar-10 --

28 março 2010

Sem grilhões

tive uma sensação tão boa,
assim,
de que Eu mando em mim...

mesmo que açoitado;

mesmo que num domingo mal-agradecido,

atrapalhado,
véspera de segunda...

e enquanto eu ouço essa chuva

cinza,
e percebo que eu ainda não tenho trinta...

antes que o meu presente minta...

tive uma sensação tão boa,

assim,
naquele instante,
de que minha vida pertence a mim

de que minha vida segue avante

-- João Otero - 28-mar-10 --

obs: o blogspot não respeita meus espaçamentos.

27 março 2010

Disso que eu tenho

Têm que vir como pitadas de tempero:
que apimentam o gosto e o cheiro;
nos fazem sentir melhor...
Mas não pode ser costumeiro
Porque, de massa sonsa e sem-cheiro,
vir-se a sentir o tempo inteiro
pode ser até pior...

-- João Otero - 27-mar-10 --

22 março 2010

O Escapulário Encantado

Era uma vez...
Um escapulário encantado
que uma Princesa me deu
Tornava o céu estrelado,
ensejo transformava em beijo,
abraço transformava em mel
Mas eu fui tão desastrado,
veja só o que aconteceu:
roubei o coraçãozinho dela,
que veio pra dentro do meu!

-- João Otero - 22-mar-10 --

Perfume

Tu és rosa que atrai e afasta
e com teus espinhos pontiagudos traça
uma vidraça pra esses teus perfumes

E a pele grossa desses meus costumes
não se perturba com os teus arranhos:
estilha uns cacos, sangra e te arrasta
pra fora dessa tua vidraça,
pra dentro deste meu tapume

A singeleza dessas tuas carícias
- delicadeza vil que manipula -
em nada hão de me comover:

dobrar-se-ão em ofensas omissas
na mão viril que ora te empunha
com a maestreza que só eu sei ter

-- João Otero - 22/mar/2010 --

Diálogo poético 1

Convite à Esperança


Maldita és tu Esperança!
Porque não morres primeiro?
Fazes-me esperar o dia inteiro por um céu mais anil...
Não vês que o que me têm é tão vil?!
Porque me deixas a esperar que se acalente minha alma?
Porque me fazes ter tanta desta horrenda calma?!

Porque não vais por primeiro ao invés de esperar tua hora?
Vamos juntos então - que seja - mas vamos agora!
Pra quê aguardar o enfado para só então ir embora?

Desgraçada tu és, Esperança mesquinha
Que sempre quiste ser última,
Quando ao menos uma vez, a última hora devia ser minha!

-- João Otero - 4/nov/09 --



Calma Desespero


Bendito és tu Desespero!
Por que não vês tua pujança?
Tu impulsionas o coração que só quer ser mais viril,
mesmo depois de ser taxado de hostil.
Tens fome de curar a dor que não se acalma
Enquanto eu espero o tempo de mãos atadas.

Saiba que do tempo sou preceito e do viés eu sou Senhora.
Impossível partir antes, pois ao equilíbrio damos forma.
Assim, cubro-te com o manto do consolo que me sobra.

Atrás de teus pés, Desespero, caminho.
Acreditando que tua dor vai embora sozinha.
Pois, se ficares por último, tua existência definha.

-- Nayara Oliveira - algum momento até 22/mar/10 --



visitem o blog da Nayara: http://retratopranana.blogspot.com/

21 março 2010

Relacionamento

Um de um, e dois somente!
Todo relacionamento substantivo é verbo - e intransitivo -
em que alguns estalos de paixão se tem.
E nesse meu vocabulário - arcaico, se quiseres -
a única dor existente é a morte de alguém...
Mas essa morte, de vida inteira, dura pouco:
somente até a necessária besteira
de o outro morrer também.

-- João Otero - 21-mar-10 --

19 março 2010

Meu Doce Suicídio

Decidi morrer do meu jeito, após o meu último pedido
E pedi para correr os riscos, de tudo o que me fez querer o suicídio
E enquanto eu me suicido - afogado no êxtase de tiradas de duplo sentido,
ou soluçando humor-negro embebido em vinho tinto -
veio um anjo branco de olhos claros segurar a minha mão e morrer junto comigo
E esta morte eu quero bem vivida...
Porque nao há nada melhor do que ir morrendo a vida
escolhendo como se morrer

-- João Otero - 18-mar-10 --

21 fevereiro 2010

Fresta

Tão intensamente linda
Tão esplendorosamente bela
Tu, detidas à porta, minha musa,
deixaste minha mente tão confusa
que deste baque, ainda,
a minha visão se recupera!

-- João Otero - 18/fev/10 --

17 dezembro 2009

O jeito errado

Não consegui extravasar o tanto de emoção que eu senti
entre a doçura e a aspereza
da minha infância e do destino que me tem incerto.

Não consegui desvencilhar-me da certeza
que desviar-me da pureza é o jeito certo de prosseguir atrapalhado.

E por mais que todos tenham me falado
que o coração é o caminho acertado,
olho pra ele - e ele apertado, agarrando-se nuns minutos vagos dum presente misturado em uns muitos sonhos -
e vendo ao lado que nessa estrada restaram só alguns poucos desgarrados
- heróis minguados, já costurando suas chagas -
não consegui extravasar do jeito certo
a costumeira incerteza diária e companheira
do meu marasmo e das besteiras que eu não fiz.

E o jeito errado de seguir do jeito certo,
talvez um dia isso me seja revelado
na orelha dum livro, num acorde, num suspiro gritado...

E porquanto sendo ignorante, fazendo certo, seguindo parado,
não consegui extravasar-me da angústia,
de nesta minha meia-vida
- ainda -
não conseguir ter feito nada certo
nem nada errado.

-- João Otero - 17-dez-09 --

01 dezembro 2009

Obra-prima

Teus retorces; obra-prima do meu gozo!
Em consentidos arranhos nas ancas e sôfregos suspiros de inclemente agonia,
Na escalada ansiosa ante o abismo sem-volta do regozijo - e da revolta - que eu sentia...
Tu, três vezes mais te contorcias
E eu, dopado de alegrias breves mais tardias,
Não antevia o grande nojo, que se estanca, mas que derrama - ah! se derrama, um dia...

E nestas tintas sangradas das telas de minhas retinas
Guardarei teu semblante apertado, o teu batom vermelho borrado, a tua boca suculenta mordida...
Tuas pernas tremulando atravessadas, teu cabelo crespo esparramado e a tua mão entreaberta, estendida.

E deste embate enegrecido e retalhado és meu despojo;
Tu, suprema obra-prima do meu nojo,
Retorce entorpecido da minha vida!

-- João Otero - 28/29-nov-09 --

Não quero mais

Terminar é o que eu mais sei na minha vida
Terminar, não concluir;
Terminar assim, sem o por-vir
É o que mais tenho feito nesta vida

Eu sei deixar aberta minha ferida
Eu sei voltar de um beco-sem-saída
Com um passo nem tão calmo, mas nem manco
E quando se me dá em solavanco minha partida,
Percebo que minha alma, ressentida,
Se apega outra vez num sopro franco...

Terminar é o que eu mais fiz durante a vida
Terminar, não concluir;
Terminar sem mais, com dor, sem rir...
"Não quero mais" - hei de mentir
Terminar, talvez, pra não sentir
Minha parca esperança iludida

-- João Otero - 19-nov-09 --

Analgésico

Escrever poesia me tem efeito analgésico... Nem te odeio mais!

Sério

Todas as vezes que fiquei sério na vida, é porque noutra vida - mais interna - me doíam uns amores.

-- João Otero - 18-mai-09 --

Para dizer

Requer-se algum sobejo de sensibilidade alheia para que se possa dizer alguma coisa linda,
...ou alguma coisa extremamente feia.

-- João Otero - 22-nov-09 --

Poesia a ti

É, eu acho que gosto mesmo de ti...
Me atraquei a ser poeta como nunca vi!

...Eu já penso-poesia quando penso-em-ti!

-- Joao Otero - 5-nov-09 --

Rio de Janeiro

Fui passsear na bahia
Me disseram que era Rio de Janeiro
Olhei por lado e só vi praia
Não vi o rio;
E é inverno - estamos em julho!
...ou será que é janeiro?

-- João Otero - 1-ago-09 --

Hóspede

Surgiu sem ser esperado
Chegou sem ser anunciado
Entrou sem ser convidado

Ficou um pouco e bagunçou tudo..

Saiu sem deixar vestígio
Partiu sem nenhum motivo
Sumiu sem ser perturbado

Passou...
mas deixou um vício

-- João Otero - 4-nov-09 --

Na Queda

Se soprarem novos ares...que venham!
Rasgando meu rosto aos uivos, e que tenham
Dó, raiva e desgosto
Elevando minhas asas ao céu, pra eu cair de mais alto!

E que me sinta na queda
Sorver sua carícia fugaz
Gostando do medo que faz
O gélido frio do salto

Pois o que leva, um dia traz...
A emoção contrária da queda
na dura face da pedra,
a qual um dia beijei

No frio de uma dor assaz
Vivi a vida que fiz
Onde jamais alguém quis,
Um dia estive
e voltei!

-- João Otero - 1-mai-03 --

27 novembro 2009

Falo

Eu falo faloe você nao entende...
Tem muito mais que eu queria fazer!

Eu falo falo
se estou descontente
e você nao entende,
ou finge nao saber

Eu, enquanto falo,
deixo você sorridente!
Mas das minhas vírgulas você nao entende -
ou finge não querer

Só sei que se estou descontente,
mesmo se for de repente,
eu falo falo e procuro você

...E ainda você nao entende
que enquanto eu falo falo,
pra muito mais eu preciso você!

-- João Otero - 27-nov-09 --

24 novembro 2009

Dúvida

o que fazer quando não tens, já tendo?
o que fazer com o que já ia sendo
e agora vai... como já vai se vendo?
o que é meu, isso eu não dou, não vendo
mas e o que quero mais, como eu emendo?
e o que mostrar pra quem não está vendo?
isso que se esvai... isso que ia sendo...
o que fazer quando eu lembrar tremendo
da fé que cri, que já me tem descrendo?
a minha agonia, essa me vai crescendo...
o que fazer quando tu tens, não tendo?

-- João Otero - 24-nov-09 --

22 novembro 2009

Verdade

A Verdade não é democrática.

Sorrisos Banguelas

Hoje percebo que as bocas banguelas têm mais sorrisos.
Nos tombos infantis ou nos quebrados da velhice,
As bocas banguelas têm mais sorrisos.
E os brancos dentes de marfim e madrepérolas,
Os desentortes de metal,
O sangue cuspido no asfalto...
...São meia-vidas na jornada pela inocência perdida
Que os corações doídos, os erros e os conflitos extremados se abrandem naturalmente.
Assim como caem os dentes.
"Just a little patience", é só o que é preciso.
"Nous ne pouvon pas perdre la naïveté."

-- João Otero - 22-nov-09 --

18 novembro 2009

Exército de Mim

Milhares de coisas se alinham à minha frente
Um exército de coisas contra mim, somente
Milhares de mim, em seus diversos tons diferentes...
E mesmo assim, eu ainda sou pouca gente!

-- João Otero - 18-nov-09 --

Meus Amores e seus Horrores

Meus amores têm horrores,
cada qual com seu cantar
Tamborilem seus tambores
quando os virem desfilar
Corneteiem aos quatro ventos
minhas dores, meu pesar
Cada qual dos meus amores
tem seu horror singular
E àquele amor que profira
silêncios ao me chamar
Àquele que com ausência
de carícias me tocar
Esse amor terá de mim
amores sem fim
que eu vou lhe dar!

-- João Otero - 18-nov-09 --

17 novembro 2009

Rebeldia

A rebeldia é bem-vinda. Se por causa; e não por pretexto.

13 novembro 2009

poesia: Tempo

Tempo

Olhei ao lado e o tempo ia...
Vagarosamente, num vagar errante
Deslizando viscoso num mar de presentes
Que iam passando, passando, passando...

Olhei o tempo, que ia balançando
Num trotear capenga, em movimento brando
Ia, nem curvado, nem ereto, sendo
Um rastro de névoa no gélido campo

E quando eu passei, ele foi me vendo
Ir no meu trotear, claudicando manco
Olhei ao lado e ia indo o tempo
Enquanto eu fui passando, passando, passando...

-- João Otero - 13-nov-09 --

05 novembro 2009

Freguês

Pra que definir isso agora?
Por que não esperar meia-hora, um dia, um mês..?
Quem sabe meu coração vire teu freguês
Ou simplesmente vire as costas, vá embora...

-- Joao Otero - 5-nov-09 --

Olhos

Os meus olhos inchados, feito dois radares
Escaneando as ruas e todos os lugares
Te encontrando em cada sombra, em cada blusa amarrotada

Os meus olhos absortos, esperando na escada
Orando preces desconcertantes e inconformadas
Com a proeminência sutil de uma agulha gotejada
De veneno e ânsias, de bruxas e de fadas

Olhando às vezes torto, a me fazer palhaço
Ou murchando as minhas pétalas, todo feito em pedaços

Trarão um dia minhas pálpebras acenando apavoradas
Cedendo ao solo sujo esses meus joelhos castigados
Ao dobrarem-se no amor da minha garganta sufocada

E essa dor gentil - bendita dor tão esperada,
Sobrepujando o tédio, embaralhando os meus enfados
Ah, essa dor..! Não trocarei por nada!

-- Joao Otero - 27-10-09 - 5-nov-09 --

04 novembro 2009

Será?




Nao.. nao é tu
Nem tu..

Tu também não é..

Será tu?

..Ou quem será que é?





-- João Otero - 4-nov-09 --

02 novembro 2009

poesia: Madrugada

Madrugada

A lua no mar é coisa linda
ao brilho de estrelas embalada
Espia pelo véu de algumas nuvens
enquanto se esconde acanhada
da onda incensurada que nos brinda
Ah! Que coisa linda a madrugada!

-- Joao Otero 2-nov-09 --

01 novembro 2009

Das duas coisas: Melhores Coisas do Mundo

As duas melhores coisas do mundo são comer.

30 outubro 2009

Por te gostar

Te gosto, sem mais, por te gostar, somente
E te gostando tanto, com um gostar ardente
gosto-te mais do que me gosto, e sofro
neste gostoso alento de degustar teu gosto
E de gostar-te tanto, de te gostar sem medo
eu gosto até de só lembrar teu rosto
E ao te gostar de longe, de te gostar tão cedo
gosto-te o dobro que te tenho dito
gosto-te tal qual coração aflito
gosto-te mais do que eu teria gosto

-- João Otero - 30-out-09 --

25 outubro 2009

Poesia: Sonhos

Sonhos

..São mais desvairios de um maluco insistente
a provocar o ócio desta impotente rotina;
a projetar memórias mais coloridas na retina
de um futuro errante e quase que ausente

E o presente, lá se vai... Nem vi
Quem sabe um dia apareça de repente
naquele canto onde eu talvez me sente
para rimar os sonhos que eu vivi

-- João Otero - 25-out-09 --

23 outubro 2009

poesia: Se o teu pão fosse ázimo

Se o teu pão fosse ázimo
não me cheiraria a pão
Me alimentaria a alma
e não algum coração

Se o teu pão fosse ázimo
o tomaria em tua mão
E não de alguns pedaços
rasgados com aflição

Se o teu pão fosse ázimo
me elevaria à imensidão
Não a um sufocante claustro
de liberta privação

Se o teu pão fosse ázimo
Mas não

-- João Otero - 23-out-09 --

10 setembro 2009

Popcorn

có cócoró coró có
có cór

có cócoró coró có
...corn

corn cócoró coró corn
...pop

pop póporó coró pop
popcorn

pi pipiripi piripi
pipoca

pop pó poró poró pop
popcorn
pipoca

pi pipiri piripi pop
caca

ca cacará cará cá
cacaca

pop


- João Otero - 10-set-2009 -