quando nasceu o meu olhar
desabrochando um sonho
com olhos de ver
que eu nunca havia tido
quando antevi o perigo
que a estabilidade tem
em embalar o tempo
com mesmice
resgatei a criancice
inocente do impossível
e pintei uma tela
com o que não existe
e então eu soube por que viver
-- João Otero - 26-out-2011 --
26 outubro 2011
23 outubro 2011
Porque pediste pra eu falar de cores (Verde)
E a barba grisalha de um velho
que ali mendiga
E a esperança...
E o limo, a pedra, a Pátria
escorregando
E a desavença...
E a folha tão frágil
tombando
Mas não ao vento
E a mata - enquanto há mata -
antes que mate-se
o sentimento
Veja outros poemas da coleção Cores
-- João Otero - 23-out-2011 --
que ali mendiga
E a esperança...
E o limo, a pedra, a Pátria
escorregando
E a desavença...
E a folha tão frágil
tombando
Mas não ao vento
E a mata - enquanto há mata -
antes que mate-se
o sentimento
Veja outros poemas da coleção Cores
-- João Otero - 23-out-2011 --
20 outubro 2011
Poetic Dialog with Robert Frost
Poetic Dialog with Robert Frost
I know, my friend, I'm getting old.
And true, some things are hard to hold...
The golden green of morning breath;
And drops of hope along the path.
As we both know, the bright sun fades.
Yet, in the poles, it longer stays.
I'd rather sit here far away
but keep this gold all day.
-- João Otero - oct-20-2011 --
I know, my friend, I'm getting old.
And true, some things are hard to hold...
The golden green of morning breath;
And drops of hope along the path.
As we both know, the bright sun fades.
Yet, in the poles, it longer stays.
I'd rather sit here far away
but keep this gold all day.
-- João Otero - oct-20-2011 --
16 outubro 2011
Porque pediste pra eu falar de cores (Marrom)
...e vi as folhas caindo
embalando o tempo
a levantar poeira
há a foto velha em minha memória
alguns cafés às tardes virando história
e vou vivendo à brasileira
neste passatempo
às vezes lindo...
Veja outros poemas da coleção Cores
-- João Otero - 16-out-2011 --
embalando o tempo
a levantar poeira
há a foto velha em minha memória
alguns cafés às tardes virando história
e vou vivendo à brasileira
neste passatempo
às vezes lindo...
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-- João Otero - 16-out-2011 --
14 outubro 2011
Linda
métrica perfeita da formosura...
alguma coisa que tens é a loucura
renunciando a minha cautela
traíste a beleza: és mais bela!
incandesceste a ternura
na perfeição que modela
atentamente teus traços
lapidados em um só passo
intencional de candura
nem mesmo um dó se desvela...
dessa dor que me flagela
aténs-te à beleza mais pura
-- João Otero - 14-out-2011 --
alguma coisa que tens é a loucura
renunciando a minha cautela
traíste a beleza: és mais bela!
incandesceste a ternura
na perfeição que modela
atentamente teus traços
lapidados em um só passo
intencional de candura
nem mesmo um dó se desvela...
dessa dor que me flagela
aténs-te à beleza mais pura
-- João Otero - 14-out-2011 --
11 outubro 2011
Porque pediste pra eu falar de cores (Vermelho)
E há essa rubra feição em meio à ingênua maldade
...esse rubror da serpente;
a cor das maçãs na face
E há o borrado batom nas esquinas da cidade
...esse rosado que veste
a nua pele em disfarce
E o há numa língua ansiosa, porém que diz a verdade
Ele, às paixões, dá uma rosa
ou tinge o chicote que arde
Veja outros poemas da coleção Cores
-- João Otero - 11-10-11 --
...esse rubror da serpente;
a cor das maçãs na face
E há o borrado batom nas esquinas da cidade
...esse rosado que veste
a nua pele em disfarce
E o há numa língua ansiosa, porém que diz a verdade
Ele, às paixões, dá uma rosa
ou tinge o chicote que arde
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-- João Otero - 11-10-11 --
06 outubro 2011
03 outubro 2011
16 setembro 2011
A minha alma
A minha alma
roendo as unhas
rangendo os dentes
mexendo as pernas
resmungo preces
e a minha alma
antes desnuda
de que se veste?
atrás dos panos
depois dos planos
passado os anos
ela se veste...
a minha alma
regada a sonhos
me desmerece
-- João Otero - 16-set-2011 --
roendo as unhas
rangendo os dentes
mexendo as pernas
resmungo preces
e a minha alma
antes desnuda
de que se veste?
atrás dos panos
depois dos planos
passado os anos
ela se veste...
a minha alma
regada a sonhos
me desmerece
-- João Otero - 16-set-2011 --
21 agosto 2011
Reflexão Cinestésica para Pensar em Voz Alta
Reflexão Cinestésica para Pensar em Voz Alta
Uma vela
acesa pra ver...
[1 pausa]
Mas quantas velas
pra não se poder mais
conseguir olhar?
[1 pausa]
E tantos corações
fazendo o peito bater
[1 pausa]
[sussurrando:] mais rápido
[1 pausa]
Mas um só coração
deixando o peito pairar
[1 pausa]
[sussurrando:] estático
[2 pausas]
O que devem fazer
[inspira fundo, enchendo todo o pulmão]
[em voz alta, num só sopro:] aqueles que sorvem os extremos sem
/nem sequer saber que gotas
/são mares e mares são poças?
[inspira fundo]
...Questões que são perigosas
[1/2 pausa]
em faltar respostas.
-- João Otero - 21-ago-2011 --
Uma vela
acesa pra ver...
[1 pausa]
Mas quantas velas
pra não se poder mais
conseguir olhar?
[1 pausa]
E tantos corações
fazendo o peito bater
[1 pausa]
[sussurrando:] mais rápido
[1 pausa]
Mas um só coração
deixando o peito pairar
[1 pausa]
[sussurrando:] estático
[2 pausas]
O que devem fazer
[inspira fundo, enchendo todo o pulmão]
[em voz alta, num só sopro:] aqueles que sorvem os extremos sem
/nem sequer saber que gotas
/são mares e mares são poças?
[inspira fundo]
...Questões que são perigosas
[1/2 pausa]
em faltar respostas.
-- João Otero - 21-ago-2011 --
28 julho 2011
música: Teu herói
Teu herói
eu queria poder te embalar
numa nota alegre, todo dia
eu queria fazer versos de criança
imaginando
como será a vida
eu queria poder fingir que não cresci
e sair piruetando
por aí
mas não cabe, meu nenêm,
muito mais de fantasia
quando a noite é fria
e o dia vem
eu queria te dizer que a matemática
e que todas as coisas têm sentido
e que brincar com fogo é pura mágica
e que brincar no mar não tem perigo
mas eu preciso te dizer que a saudade dói
e que eu queria poder ser teu herói
pra te dar a mão
te proteger das armadilhas
do teu coração
...pois eu sei que elas vêm
(mas também passam como um trem)
só sei que eu vou te ver
eu vou te ver
mesmo que passe um tempo
longe de você
eu sei que eu vou te ver
eu vou te ver
mesmo que caia o mundo
eu vou ir te ver
eu queria te dizer que beterraba é bom
e que você nunca irá desafinar o tom
eu queria te dizer que não engorda o chocolate
e que não morde mesmo o cão que late
...mas não posso ignorar o pára-brisa
balançando essa chuva
neste dia cinza
...quando você crescer
você vai me entender
só sei que eu vou te ver
eu vou te ver
mesmo que passe um tempo
longe de você
eu sei que eu vou te ver
eu vou te ver
mesmo que caia o mundo
eu vou ir te ver
e se acaso a professora te aborreça
eu queria te contar que ela é besta
mesmo que um dia você cresça
e que mudem as vontades na cabeça
não se esqueça de ser você
nunca desapareça
meu bebê
só sei que eu vou te ver
eu vou te ver
mesmo que passe um tempo
longe de você
eu sei que eu vou te ver
eu vou te ver
mesmo no fim do mundo
eu vou ir te ver
-- João Otero - 27-jul-2011 - pelos meus 31 anos, para minha sobrinha Valentina --
eu queria poder te embalar
numa nota alegre, todo dia
eu queria fazer versos de criança
imaginando
como será a vida
eu queria poder fingir que não cresci
e sair piruetando
por aí
mas não cabe, meu nenêm,
muito mais de fantasia
quando a noite é fria
e o dia vem
eu queria te dizer que a matemática
e que todas as coisas têm sentido
e que brincar com fogo é pura mágica
e que brincar no mar não tem perigo
mas eu preciso te dizer que a saudade dói
e que eu queria poder ser teu herói
pra te dar a mão
te proteger das armadilhas
do teu coração
...pois eu sei que elas vêm
(mas também passam como um trem)
só sei que eu vou te ver
eu vou te ver
mesmo que passe um tempo
longe de você
eu sei que eu vou te ver
eu vou te ver
mesmo que caia o mundo
eu vou ir te ver
eu queria te dizer que beterraba é bom
e que você nunca irá desafinar o tom
eu queria te dizer que não engorda o chocolate
e que não morde mesmo o cão que late
...mas não posso ignorar o pára-brisa
balançando essa chuva
neste dia cinza
...quando você crescer
você vai me entender
só sei que eu vou te ver
eu vou te ver
mesmo que passe um tempo
longe de você
eu sei que eu vou te ver
eu vou te ver
mesmo que caia o mundo
eu vou ir te ver
e se acaso a professora te aborreça
eu queria te contar que ela é besta
mesmo que um dia você cresça
e que mudem as vontades na cabeça
não se esqueça de ser você
nunca desapareça
meu bebê
só sei que eu vou te ver
eu vou te ver
mesmo que passe um tempo
longe de você
eu sei que eu vou te ver
eu vou te ver
mesmo no fim do mundo
eu vou ir te ver
-- João Otero - 27-jul-2011 - pelos meus 31 anos, para minha sobrinha Valentina --
20 julho 2011
Minha Voz - outra versão
Minha Voz - outra versão
minha voz
fala em gestos, embalada
num compasso triste
como se comendo alpiste
grão por grão
minha voz
tem a garganta machucada
de ajoelhar-se dia a dia
na costumeira agonia
da mesma lição
-- João Otero 19-20/jul/2011 --
minha voz
fala em gestos, embalada
num compasso triste
como se comendo alpiste
grão por grão
minha voz
tem a garganta machucada
de ajoelhar-se dia a dia
na costumeira agonia
da mesma lição
-- João Otero 19-20/jul/2011 --
Comemoremos
comemoremos
os remos que levam a vida
como morremos
comemoremos
os vermes que comem
oremos
-- João Otero - 20-jul-2011 --
os remos que levam a vida
como morremos
comemoremos
os vermes que comem
oremos
-- João Otero - 20-jul-2011 --
19 julho 2011
18 julho 2011
Adiante
quero da minha vida
que passe um segundo adiante
e que desta hora, irradiante
se derrame pelo tempo
deixando atrás o momento
que pensei ter visto
como artefato bem-quisto
de um futuro que aguardava
e que agora, com uma clava
me fere o peito.
-- João Otero - 18-jul-2011 --
17 julho 2011
Para lembrar de não ser idiota
Para lembrar de não ser idiota.
A luz é fraca, quase negra, não ilumina. E piscou um pouco até que parou.
Pela fresta da janela eu vejo as folhas de uma árvore balançando ao vento desta noite acinzentada. Garoou o dia inteiro...
De fundo, eu ouço um jazz bem brasileiro na voz dôce de uma negra. Negra como este escuro em que estou. Ouvindo o barulho de água roçando no brasilite.
Não; não é da chuva lá fora. Sou eu, sozinho aqui neste escuro, tentado - bêbado - acertar o mijo no lugar que lhe pertence.
Mijo, sim. Sem vergonha. Por que eu haveria de ter?! Todos mijam... Eu inclusive.
Vergonha, não: há de se guardar o pudor para coisas mais nojentas. Como a burrice, por exemplo. Como a minha burrice...
Que eu tento exorcizar nesse mijo. Que eu tento exorcizar nestas palavras.
Pois no banheiro fedorento de um bar de jazz só se chega depois de algumas cervejas.
No meu caso, ainda somente após confundir a porta da cozinha com porta de banheiro por duas vezes - até entender que, não, não é um mijão eterno preso na portinhola; e sim o cozinheiro. A porta do banheiro é a do outro lado. Mas porra de arquiteto, também!, que pôs a placa do banheiro antes das duas portas.
No meu caso ainda, só depois de muitas cervejas. A ponto de confundir a porta da cozinha com a porta do banheiro duas vezes. Mas acho que já disse isso...
E este jazz, neste bar, é somente a chave dourada para encerrar o meu dia cinzento. Moroso. Chato pra cacete! - se querem mesmo saber.
O dia em que tudo deu errado.
Desde meus times perderem, a mesa do bar quebrar, o pedido ser entregue errado, perder a ex-futura-quase-namorada.
...É, teve essa parte também neste dia.
Teria, por acaso, outro motivo mais nobre para se mijar ao som dum jazz?!
Eu sempre tive uma certa melancolia intrínsica em mim mesmo. E às vezes ela aflora. Se solidão, se pressentimento ou se apenas efeito do Fernando Pessoa a altas horas da madrugada, não sei. Só sei que ela aflora.
E nessas horas, minha cabeça vira um lixo. Junta as peças, conjetura tudo. E invariavelmente conclui que a vida é uma merda.
E em dias como hoje, a vida é realmente essa merda.
Porque não há espaço - parece-me - aos ingênuos, aos sinceros; aos idiotas, em suma, como eu. E por menos ingênuo que eu seja, nessas situações sou um completo idiota.
Porque qual o sonhador que não é idiota? Qual o idealista que não é idiota? Quem, em santa inteligência, acreditaria que as coisas são realmente simples, que tudo é possível, que a distância entre dois amantes separados por mil quilômetros é apenas a largura de um avião, que pelo computador se pode conhecer a pessoa de nossas vidas? Quem em santa inteligência acreditaria que meses de conversa e o som da voz no telefone, e um café ou dois, e umas voltas de carro bastariam para conhecer alguém? Quem em santa inteligente idiotice acredita em juras suspiradas ao pé do ouvido - depois de um beijo?
Nem parece eu! Euzíssimo eu mesmo! Eu, o eu burro - não este, realista. Eu, mais uma vez...
Então bebo. E ouço jazz.
Bebo e ouço jazz porque me seda a burrice.
Porque apesar de não acelerar o tempo, o disfarça.
Serve-me como o remédio - que só tapeia a chaga até que o corpo, por conta, a cure.
Como o remédio, hoje servem-me a cerveja e a cachaça; que se não me cura, pelo menos disfarça a dor que só o tempo cura.
Mijo o que eu puder dessa memória. Mijo lembrando da cara dela.
Mijo com nojo, querendo mijar de mim tudo o que eu me lembro.
Ou talvez não devesse esquecer? Para deixar de ser idiota!
...Ok! Então, eis uma marca de estilete em minha memória.
E que fique aqui neste blog, para todo o sempre.
Amém.
-- João Otero - 17-jul-11 --
A luz é fraca, quase negra, não ilumina. E piscou um pouco até que parou.
Pela fresta da janela eu vejo as folhas de uma árvore balançando ao vento desta noite acinzentada. Garoou o dia inteiro...
De fundo, eu ouço um jazz bem brasileiro na voz dôce de uma negra. Negra como este escuro em que estou. Ouvindo o barulho de água roçando no brasilite.
Não; não é da chuva lá fora. Sou eu, sozinho aqui neste escuro, tentado - bêbado - acertar o mijo no lugar que lhe pertence.
Mijo, sim. Sem vergonha. Por que eu haveria de ter?! Todos mijam... Eu inclusive.
Vergonha, não: há de se guardar o pudor para coisas mais nojentas. Como a burrice, por exemplo. Como a minha burrice...
Que eu tento exorcizar nesse mijo. Que eu tento exorcizar nestas palavras.
Pois no banheiro fedorento de um bar de jazz só se chega depois de algumas cervejas.
No meu caso, ainda somente após confundir a porta da cozinha com porta de banheiro por duas vezes - até entender que, não, não é um mijão eterno preso na portinhola; e sim o cozinheiro. A porta do banheiro é a do outro lado. Mas porra de arquiteto, também!, que pôs a placa do banheiro antes das duas portas.
No meu caso ainda, só depois de muitas cervejas. A ponto de confundir a porta da cozinha com a porta do banheiro duas vezes. Mas acho que já disse isso...
E este jazz, neste bar, é somente a chave dourada para encerrar o meu dia cinzento. Moroso. Chato pra cacete! - se querem mesmo saber.
O dia em que tudo deu errado.
Desde meus times perderem, a mesa do bar quebrar, o pedido ser entregue errado, perder a ex-futura-quase-namorada.
...É, teve essa parte também neste dia.
Teria, por acaso, outro motivo mais nobre para se mijar ao som dum jazz?!
Eu sempre tive uma certa melancolia intrínsica em mim mesmo. E às vezes ela aflora. Se solidão, se pressentimento ou se apenas efeito do Fernando Pessoa a altas horas da madrugada, não sei. Só sei que ela aflora.
E nessas horas, minha cabeça vira um lixo. Junta as peças, conjetura tudo. E invariavelmente conclui que a vida é uma merda.
E em dias como hoje, a vida é realmente essa merda.
Porque não há espaço - parece-me - aos ingênuos, aos sinceros; aos idiotas, em suma, como eu. E por menos ingênuo que eu seja, nessas situações sou um completo idiota.
Porque qual o sonhador que não é idiota? Qual o idealista que não é idiota? Quem, em santa inteligência, acreditaria que as coisas são realmente simples, que tudo é possível, que a distância entre dois amantes separados por mil quilômetros é apenas a largura de um avião, que pelo computador se pode conhecer a pessoa de nossas vidas? Quem em santa inteligência acreditaria que meses de conversa e o som da voz no telefone, e um café ou dois, e umas voltas de carro bastariam para conhecer alguém? Quem em santa inteligente idiotice acredita em juras suspiradas ao pé do ouvido - depois de um beijo?
Nem parece eu! Euzíssimo eu mesmo! Eu, o eu burro - não este, realista. Eu, mais uma vez...
Então bebo. E ouço jazz.
Bebo e ouço jazz porque me seda a burrice.
Porque apesar de não acelerar o tempo, o disfarça.
Serve-me como o remédio - que só tapeia a chaga até que o corpo, por conta, a cure.
Como o remédio, hoje servem-me a cerveja e a cachaça; que se não me cura, pelo menos disfarça a dor que só o tempo cura.
Mijo o que eu puder dessa memória. Mijo lembrando da cara dela.
Mijo com nojo, querendo mijar de mim tudo o que eu me lembro.
Ou talvez não devesse esquecer? Para deixar de ser idiota!
...Ok! Então, eis uma marca de estilete em minha memória.
E que fique aqui neste blog, para todo o sempre.
Amém.
-- João Otero - 17-jul-11 --
A fidelidade é uma eterna dúvida; somente pode ser reforçada, mas jamais auferida.
A infidelidade é facilmente provada, bastando um único fato.
Mas não há um único fato que prove a fidelidade.
A fidelidade, a lealdade, a confiança... todos esses sentimentos exigem plenitude.
E essa propriedade é que distingue os sentimentos que valem realmente a pena.
Porque a plenitude investe o "tempo" para atribuir-lhes valor.
Esses sentimentos não valem por que o "são" neste momento; e sim porque "foram" já por muito tempo.
Se alguém lhe tem lealdade, se alguém lhe tem fidelidade, se alguém lhe tem confiança... cuide bem! É muito difícil conquistá-los.
A infidelidade é facilmente provada, bastando um único fato.
Mas não há um único fato que prove a fidelidade.
A fidelidade, a lealdade, a confiança... todos esses sentimentos exigem plenitude.
E essa propriedade é que distingue os sentimentos que valem realmente a pena.
Porque a plenitude investe o "tempo" para atribuir-lhes valor.
Esses sentimentos não valem por que o "são" neste momento; e sim porque "foram" já por muito tempo.
Se alguém lhe tem lealdade, se alguém lhe tem fidelidade, se alguém lhe tem confiança... cuide bem! É muito difícil conquistá-los.
14 julho 2011
Batom
Beija com saudade meu peito risonho
o borrão vermelho de minha lapela
feito com mordiscos sob luz de vela
pelos dôces rubros lábios de uma bela
ante o ciúme tolo doutros que eu exponho
nesta minha boca que sempre se esmera
e somente a ela pode ser sincera
ao jurar que um beijo vale como um sonho.
-- João Otero - 14-jul-2011 --
04 julho 2011
A impossibilidade de tocar a ausência - com a certeza de senti-la...
Não compreender o infinito - nem tampouco conceber um fim sem que haja algo depois...
Dar nome ao nada - que é algo que não existe e nem sequer é imaginável...
Marcar-se na testa com a consequência do tempo - mas sem jamais descobrir sua causa...
Viver e morrer ao mesmo tempo - e contentar-se em não ter um propósito na imensidão desse tudo
...que o é, por si só, a única coisa que faz sentido.
-- João Otero - 2-jul-2011 --
20 junho 2011
Serenata de Amor
A Garoto deveria lançar um bombom Serenata do Amor com um raio 50% maior.
E deveria repensar a engenharia estrutural do bombom para permitir que com uma mordia a "casca" do bombom se desgrude do recheio de forma mais fácil (geralmente a parte de cima sai fácil, mas a de baixo gruda no recheio...).
Mas tem que exigir a "mordida"; não pode desgrudar tão facilmente senão perde o lúdico da coisa...
Por quê?
Ora, quem já foi criança sabe que o jeito certo de comer bombons é separar o recheio da casca, que fica pra ser degustado somente no finalzinho.
E porque aos adultos saudosistas e chocólatras como eu já não sentem as mesmas sensações do tempo de criancice.
Fiquei pensando nisso esses dias, e a explicação é lógica: quando eu era criança, o bombom era quase do tamanho da palma da minha mão! Eu demorava um certo tempo degustando a iguaria...
Agora, na minha mão cabe uns 4... Ponho inteiro na boca, e 3 segundos depois já acabou!
E mesmo que os adultos não tivessem esses complexos quanto ao peso e a saúde (e eles tem!), e comessem uns 3 ou 4 bombons... Ainda assim não seria a mesma sensação.
Portanto: Garoto, por favor, lance um bombom réplica do Serenata de Amor, mas com um raio 50% maior (e que o fundo não grude no recheio)!
:D
-- João Otero - 20-jun-2011 --
E deveria repensar a engenharia estrutural do bombom para permitir que com uma mordia a "casca" do bombom se desgrude do recheio de forma mais fácil (geralmente a parte de cima sai fácil, mas a de baixo gruda no recheio...).
Mas tem que exigir a "mordida"; não pode desgrudar tão facilmente senão perde o lúdico da coisa...
Por quê?
Ora, quem já foi criança sabe que o jeito certo de comer bombons é separar o recheio da casca, que fica pra ser degustado somente no finalzinho.
E porque aos adultos saudosistas e chocólatras como eu já não sentem as mesmas sensações do tempo de criancice.
Fiquei pensando nisso esses dias, e a explicação é lógica: quando eu era criança, o bombom era quase do tamanho da palma da minha mão! Eu demorava um certo tempo degustando a iguaria...
Agora, na minha mão cabe uns 4... Ponho inteiro na boca, e 3 segundos depois já acabou!
E mesmo que os adultos não tivessem esses complexos quanto ao peso e a saúde (e eles tem!), e comessem uns 3 ou 4 bombons... Ainda assim não seria a mesma sensação.
Portanto: Garoto, por favor, lance um bombom réplica do Serenata de Amor, mas com um raio 50% maior (e que o fundo não grude no recheio)!
:D
-- João Otero - 20-jun-2011 --
13 junho 2011
11 junho 2011
29 maio 2011
Jovem é o coração que ainda sabe sofrer
Jovem é o coração que ainda sabe sofrer
Eu, mais desatento,
rescindi a dor do meu peito
e quando dei por mim, envelheci
O sofrimento é um luxo das aflições que valhem a pena
..Mas como dói
E essa dor é o tema
das aflições que eu senti
Mas um peito rasgado se remenda
E a dor só valora as lágrias que pela vida se derrama
Porque jovem é o coração que ama
E amar, e doer, e sofrer... é tudo parte da mesma senda
Que se visita quando houver consentimento
da alegria,
meretriz da dor,
por merecimento
-- João Otero - 13-jan-11 à 29-mai-11 --
28 maio 2011
ensaio: A Evolução da Linguagem
A Evolução da Linguagem
João Otero - 28-maio-2011
João Otero - 28-maio-2011
Desde a invenção do computador moderno, por volta dos anos 1950, passamos a viver a "era da informação". Com o processamento automatizado dos cálculos computacionais, o aumento na quantidade de informação disponível foi notável. Mas a informação por si só não gera valor: a informação só existe com o propósito de ser comunicada, e a consequência direta do aumento da quantidade de informação é o aumento do nível de comunicação.
Não espanta então notar que as principais indústrias e tecnologias dessa nova era são tecnologias de comunicação: televisão, telefonia celular, internet, mp3, redes sociais, etc.
O ápice atual desta era se representa muito bem pelo tamanho da importância da internet na vida moderna. A intensidade da comunicação gera demanda por comunicação eficiente. E a necessidade da comunicação eficiente evolui a língua.
Essa necessidade de eficiência sempre existiu, e sempre evoluiu a língua.
No tempo dos homens pré-históricos, nos primórdios da descoberta da linguagem, a comunicação era menos complexa: vocabulários menores, palavras com poucas sílabas. A necessidade era a de expressar uma ideia e reagir-se a ela rapidamente. A linguagem devia ser eficiente para tratar de problemas em tempo-real, situações de perigo, avisos. Quando a tribo aumenta, surge maior necessidade de substantivos, para diferenciar as pessoas.
Quanto mais items, objetos, produtos e ferramentas passam a fazer parte do dia-a-dia dessas pessoas, com o aumento de seu nível tecnológico, maior a necessidade de novos substantitos - e então, eles aumentam de tamanho; passam a ter mais sílabas; novas fonéticas são convencionadas.
Naturalmente pode-se imaginar que as necessidades no decorrer da evolução dessas tribos eram mais básicas no início, se tornando mais complexas com o passar do tempo, da mesma forma que a pirâmide de Maslow estabelece prioridades crescentes.
Naturalmente pode-se imaginar que as necessidades no decorrer da evolução dessas tribos eram mais básicas no início, se tornando mais complexas com o passar do tempo, da mesma forma que a pirâmide de Maslow estabelece prioridades crescentes.
Portanto, os conceitos de uso mais corriqueiro deviam ser também os mais necessários. Esses conceitos acabaram por "reservar" para si as palavras com menos sílabas. Substantivos e conceitos com ordem progressiva de importância foram ocupando as posições subsequentes que possuíam o menor número de sílabas disponíveis.
Da forma semelhante, certos conceitos são compostos por conceitos de mais baixo nível. Dessa forma é natural que se reutilize esses conceitos já existentes para expressar um novo conceito. Isso facilita a compreensão; é eficiente, portanto. E assim surgem os prefixos e sufixos.
Até mesmo em linguagens modernas de programação de computadores esse conceito de reaproveitamento existe: "classes" de objetos encapsulam conceitos; essas classes podem "herdar" propriedades de outras classes. É uma evolução natural, porque aumenta a eficiência da expressão da linguagem.
E é a necessidade de uso dos conceitos que filtra as palavras que sobreviem (teoria evolutiva tradicional); e quando existe palavras com menos sílabas sobrando, o conceito candidato mais importante irá se apropriar dela. As palavras que necessitam maior frequência de uso são as mais curtas (pronomes, por exemplo). Mas obviamente existe um delay na velocidade de readaptação da linguagem: porque existe uma "convenção"; a convenção se constrói por costume, hábito - e leva tempo, portanto.
A linguagem evolui para ser eficiente.
Mas cada grupo étnico, vivendo em locais diferentes, possui também diferentes "necessidades de expressão". Os que vivem em locais frios possuem o conceito de "neve" como algo importante. Os que moram em áreas desérticas provavelmente possuem "água" como algo muito importante, e talvez "sol" e "sombra" também.
As tribos evoluíram tecnologicamente e dessa forma aumentaram seus tamanhos, criando eventualmente vilas e cidades. Passa então a se criar devagar o conceito de "nação". E a cada aumento dos grupos, maior competição entre grupos acontece: guerras. Os grupos étnicos mais fortes acabam determinando a linguagem convencionada. E dado o delay imposto pelo costume, conceitos importantes para a etnia dominadora substituem palavras da etnia dominada, e isso pode explicar a "ineficiência" absoluta da linguagem, no sentido de que não existe uma linguagem absolutamente eficiente para todas as necessidades humanas. Ou seja: em sua maioria, a linguagem é eficiente; mas existirão palavras que podem não parecer tão eficientes.
A população cresce e mais tarde surge a necessidade de se registrar números, astros, acontecimentos. Surge a linguagem escrita.
E ela surge em dois sabores: podemos registrar conceitos, ou podemos registrar fonemas. A primeira é mais eficiente para leitura. A segunda é mais versátil em termos de reuso; o vocabulário é mais sucinto e quantidade de regras expressando suas relações são menores.
Tome-se como exemplo o mandarim e o inglês. No mandarim os textos são mais curtos, e a leitura é mais rápida. No entando, necessita-se maior treinamento, pois há mais regras e há mais representações para se aprender. No inglês os textos são maiores, mas as regras e representações são mais generalistas. Pode-se aprender o sistema mais rapidamente. São dois modelos distintos de eficiência competindo entre si. Eventualmente um dos sistemas irá vencer, - combinação de eficiência com poder étnico. E quando o poder étnico é determinado pela eficiência da comunicação, cada vez mais, como na era da informação, a linguagem mais eficiente tende a gerar maiores condições de poder ao seu povo.
Da mesma forma que não existe eficiência absoluta na linguagem falada, não existe também na linguagem escrita. A linguagem não pode ser ao mesmo tempo a mais rápida de se compreender e a mais rápida de se pronunciar; a mais poderosa de se expressar e a mais genérica de se registar; etc. Qual seria uma convenção de linguagem mais equilibrada para as necessidades atuais? Poderíamos criar uma?
A necessidade contemporânea é transmitir e compreender a maior quantidade de informação de forma mais rápida e precisa possível. E nesse sentido, especialmente quando a internet catapulta essa necessidade, surge notóriamente no meio virtual a evolução do poder de expressão da linguagem. Atualmente podemos expressar também "sentimentos", através de emoticons. Podemos representar que estamos gritando, com letras maiúsculas. Outras convenções do tipo já eram presentes em textos: texto entre aspas pode indicar pensamento, ou a fala de outrém.
Na internet, nos sms, em instant messages, busca-se a eficiência. Palavras de uso muito comum são convencionadas massiçamente. Você é "vc". Praticamente não há sobreposição com qualquer outro conceito. E é mais eficiente uma palavra de 2 letras do que uma de 4 letras. Essas convenções passam a aparecer em textos diversos, e eu acho ótimo que seja assim! Os defensores das normas, na minha ótica, são produtores de "delay" na evolução da língua.
Nesses casos, gosto muito de dizer "Entendeu? Então não complica...".
24 maio 2011
Amor de louco
Um amor transcendental,
Um amor de louco!
Lembrança rota de um pedido rouco
Seguiu-se ao sopro de um suspiro fraco...
Da prece magra do amor de um louco,
Ouviu-se à lua uivar um lobo.
(Somos lobisomens todos nós um pouco...)
Quem nunca ousou em suspirar - de bobo -
Pedindo muito a quem dispunha pouco?
-- João Otero - de 2004 à 24/mai/2011
Um amor de louco!
Lembrança rota de um pedido rouco
Seguiu-se ao sopro de um suspiro fraco...
Da prece magra do amor de um louco,
Ouviu-se à lua uivar um lobo.
(Somos lobisomens todos nós um pouco...)
Quem nunca ousou em suspirar - de bobo -
Pedindo muito a quem dispunha pouco?
-- João Otero - de 2004 à 24/mai/2011
Na Beira do Universo
Esse era eu, uns anos atrás, pensando em como seria lá no final do Universo...
Sou um determinista, e portanto avesso a todas as probabilidades quando transformadas em "lei" (como a física quântica ou a entropia, por exemplo - embora eu ainda as aceite bem se tratadas como ferramentais matemáticos, apenas).
Mas gosto de manter sempre em mente que o limite de uma série qualquer é "quase o número", mas nunca "é" o número.
Gosto de manter sempre em mente que apesar de não podermos determinar simultâneamente a posição e a velocidade de uma partícula, não quer dizer que essa particula não possua de fato uma posição e uma velocidade únicas em um dado momento.
E que por mais que não haja computador capaz de computar todos os a-toms do universo e descobrir seu próximo estado, não quer dizer que o conjunto de todas as coisas não possua um único e bem determinar próximo estado, consequência direta do estado presente e das leis universais que as regem.
E sendo assim, como seria lá na beirada do universo, que se expande, se expande...?
Digamos que ele parasse de expandir: "batesse na borda". E começasse a voltar: exatamente para o último estado antes de bater lá na borda...
O tempo, que para nós parece linear, continuaria uma sucessão de "estados" instantâneos do universo. Mas agora ele estaria andando de trás para frente, voltando aos exatos estados anteriores, numa sucessão idêntica e contrária à sucessão que o fez chegar na tal borda.
...E quando o universo todo se implodisse em si mesmo, chegando no extremo de concentração de partículas que não cabem mais umas nas outras, só teria o mesmo caminho original a percorrer, expandindo até hoje, expandindo até a beira do universo, e voltando para esse ciclo eternamente, num vai-e-vem eterno como um elástico.
Minha ideia do universo provavelmente está errada. E eu nem quero pensar muito no assunto e nem estudar física, porque me frustra muito saber que jamais vou ter a resposta... Mas bem que essa ideia me deu um poeminha interessante:
Na Beira do Universo
Na beira do universo em tempo infindo
o tempo não queria mais correr.
De trás pra frente tudo veio vindo
e a morte começou a renascer.
Os raios alcançaram seu destino
- e ele não sabia o que fazer.
Os raios regrediram então seus brilhos
e os fótons implodiram ao florescer.
Com todo o infinito acumulado
no ínfimo corpúsculo do nada,
o cúmulo improvável aconteceu:
O cosmo já não tinha mais passado!
...A lei da entropia derrubada,
com morte ao mesmo tempo em que nasceu.
- João Otero - 18/out/2005 --
Sou um determinista, e portanto avesso a todas as probabilidades quando transformadas em "lei" (como a física quântica ou a entropia, por exemplo - embora eu ainda as aceite bem se tratadas como ferramentais matemáticos, apenas).
Mas gosto de manter sempre em mente que o limite de uma série qualquer é "quase o número", mas nunca "é" o número.
Gosto de manter sempre em mente que apesar de não podermos determinar simultâneamente a posição e a velocidade de uma partícula, não quer dizer que essa particula não possua de fato uma posição e uma velocidade únicas em um dado momento.
E que por mais que não haja computador capaz de computar todos os a-toms do universo e descobrir seu próximo estado, não quer dizer que o conjunto de todas as coisas não possua um único e bem determinar próximo estado, consequência direta do estado presente e das leis universais que as regem.
E sendo assim, como seria lá na beirada do universo, que se expande, se expande...?
Digamos que ele parasse de expandir: "batesse na borda". E começasse a voltar: exatamente para o último estado antes de bater lá na borda...
O tempo, que para nós parece linear, continuaria uma sucessão de "estados" instantâneos do universo. Mas agora ele estaria andando de trás para frente, voltando aos exatos estados anteriores, numa sucessão idêntica e contrária à sucessão que o fez chegar na tal borda.
...E quando o universo todo se implodisse em si mesmo, chegando no extremo de concentração de partículas que não cabem mais umas nas outras, só teria o mesmo caminho original a percorrer, expandindo até hoje, expandindo até a beira do universo, e voltando para esse ciclo eternamente, num vai-e-vem eterno como um elástico.
Minha ideia do universo provavelmente está errada. E eu nem quero pensar muito no assunto e nem estudar física, porque me frustra muito saber que jamais vou ter a resposta... Mas bem que essa ideia me deu um poeminha interessante:
Na Beira do Universo
Na beira do universo em tempo infindo
o tempo não queria mais correr.
De trás pra frente tudo veio vindo
e a morte começou a renascer.
Os raios alcançaram seu destino
- e ele não sabia o que fazer.
Os raios regrediram então seus brilhos
e os fótons implodiram ao florescer.
Com todo o infinito acumulado
no ínfimo corpúsculo do nada,
o cúmulo improvável aconteceu:
O cosmo já não tinha mais passado!
...A lei da entropia derrubada,
com morte ao mesmo tempo em que nasceu.
- João Otero - 18/out/2005 --
23 maio 2011
Borboletas
bárbaras borboletas!
belas bordas bordadas,
balançando brilhantes brumas...
bélicos brutos bradaram:
...borboletas baleadas no chão.
Veja outros poemas da coleção Letras
-- João Otero - 1/mar/2005 --
08 abril 2011
Brazilian Columbine
Brazilian Columbine
...Eu só queria enxugar
toda essa lágrima,
esse medo
Porque passou...
já vai lá
aquele um,
nem me lembro...
O que eu vejo é mais perto,
é aqui do lado,
aqui dentro
Ausência de quem me era
a extensão do que ia eu sendo
Agora queria os meus olhos
bem vendados para dentro
Só não queria enxergar todo este sangue
escorrendo...
Brazilian Columbine;
Rio de Janeiro,
Realengo.
-- João Otero - 8-abril-11 --
...Eu só queria enxugar
toda essa lágrima,
esse medo
Porque passou...
já vai lá
aquele um,
nem me lembro...
O que eu vejo é mais perto,
é aqui do lado,
aqui dentro
Ausência de quem me era
a extensão do que ia eu sendo
Agora queria os meus olhos
bem vendados para dentro
Só não queria enxergar todo este sangue
escorrendo...
Brazilian Columbine;
Rio de Janeiro,
Realengo.
-- João Otero - 8-abril-11 --
20 março 2011
Do tanto que eu tenho
Do tanto que eu tenho
é cheio de tanto
o peito que eu tenho
um tanto que quanto
de tudo o que eu minto
e às vezes dá nele
um vazio tão cheio
tão cheio de tanto
esse lado que sinto
é de um tanto quanto
metade do meio
enchido de sonhos
dum sono que tenho
num vento varrido
em borboleteio
chegou-me atrevido
com um galanteio
e o cheiro de encanto
do lado do meio
tão perto da lua
tão perto do seio
flutua vazio
bem leve e ligeiro
varrido dos campos
de um sono alheio
e como era lindo
o vento ventando
o pranto que omito
e como era feio
-- João Otero - 20-mar-2011 --
é cheio de tanto
o peito que eu tenho
um tanto que quanto
de tudo o que eu minto
e às vezes dá nele
um vazio tão cheio
tão cheio de tanto
esse lado que sinto
é de um tanto quanto
metade do meio
enchido de sonhos
dum sono que tenho
num vento varrido
em borboleteio
chegou-me atrevido
com um galanteio
e o cheiro de encanto
do lado do meio
tão perto da lua
tão perto do seio
flutua vazio
bem leve e ligeiro
varrido dos campos
de um sono alheio
e como era lindo
o vento ventando
o pranto que omito
e como era feio
-- João Otero - 20-mar-2011 --
28 janeiro 2011
O medo
o medo,
um algo ruim dissolvido na incerteza
assaltante e posseiro da mente,
cujo pensamento deveria unicamente
se ocupar de mexer as pernas imóveis,
de correr com presteza!
o medo,
que não serviu jamais para mais do que alguns conselhos
que no teu espelho, serviu apenas para evitar alguns cacos,
uns parcos erros, alguns cortes
(mas já se sofrendo...)
o medo,
que serviu apenas para evitar algumas mortes
(mas já se morrendo...)
o medo,
que enfim, pobre coitado,
nunca deixou por estes lados nada que preste
o medo,
professor severo da timidez
inimigo da paixão e qualquer outra insensatez
palhaço triste do circo da vida, ocupando as tuas noites,
no picadeiro dos teus sonhos
(porque não mais dos meus)
ao medo,
companheiro daqueles que não têm ânsias,
companheiro daqueles que não têm sorte,
o meu sincero abraço forte,
as minhas palmas
e adeus!
-- João Otero - 27-jan-11 --
um algo ruim dissolvido na incerteza
assaltante e posseiro da mente,
cujo pensamento deveria unicamente
se ocupar de mexer as pernas imóveis,
de correr com presteza!
o medo,
que não serviu jamais para mais do que alguns conselhos
que no teu espelho, serviu apenas para evitar alguns cacos,
uns parcos erros, alguns cortes
(mas já se sofrendo...)
o medo,
que serviu apenas para evitar algumas mortes
(mas já se morrendo...)
o medo,
que enfim, pobre coitado,
nunca deixou por estes lados nada que preste
o medo,
professor severo da timidez
inimigo da paixão e qualquer outra insensatez
palhaço triste do circo da vida, ocupando as tuas noites,
no picadeiro dos teus sonhos
(porque não mais dos meus)
ao medo,
companheiro daqueles que não têm ânsias,
companheiro daqueles que não têm sorte,
o meu sincero abraço forte,
as minhas palmas
e adeus!
-- João Otero - 27-jan-11 --
10 janeiro 2011
Veias
Dóem as veias
De que se nutre essa dor?
Estariam entupidas
De angústias ou pavor?
Ou estariam elas secas
De amores e frescor?
Dóem as veias
Dóem-me mais do que a dor
Dóem-me além do corpo
Que se esvaiu em torpor
Teriam as veias levado
Para longe o meu calor?
Dóem as velhas veias
Intimadas a depor
-- João Otero - 10-jan-11 --
De que se nutre essa dor?
Estariam entupidas
De angústias ou pavor?
Ou estariam elas secas
De amores e frescor?
Dóem as veias
Dóem-me mais do que a dor
Dóem-me além do corpo
Que se esvaiu em torpor
Teriam as veias levado
Para longe o meu calor?
Dóem as velhas veias
Intimadas a depor
-- João Otero - 10-jan-11 --
04 janeiro 2011
Nunca confie nos teus amigos bêbados
A mão companheira é a que bendigoSegredos contados por entre alguns dedos
Onde há abrigo,
confronta-se os medos
...Mas nunca confie nos teus amigos bêbados
Nunca confie nos teus amigos bêbados!
Tudo o que já pude, tudo o que consigo
Tudo o que imito, todos que arremedo
Se são teus amigos
Desvele o segredo
...Mas nunca confie nos teus amigos bêbados
Nunca confie nos teus amigos bêbados!
-- João Otero - 4-jan-10 --
Onde há abrigo,
confronta-se os medos
...Mas nunca confie nos teus amigos bêbados
Nunca confie nos teus amigos bêbados!
Tudo o que já pude, tudo o que consigo
Tudo o que imito, todos que arremedo
Se são teus amigos
Desvele o segredo
...Mas nunca confie nos teus amigos bêbados
Nunca confie nos teus amigos bêbados!
-- João Otero - 4-jan-10 --
13 dezembro 2010
08 dezembro 2010
À Madrid
À Madrid
Pensei em te dar uma flor
mas uma flor não servia,
porque as pétalas não cantam
como encanta a poesia
que brotou do teu olhar
que me tem com simpatia,
que aflorou a aflição
de um amor que eu nem sabia...
Pensei em te dar uma flor,
mas te dei minha poesia...
Eu só quis que tu soubesses
desse amor que eu sentia
-- João Otero - 8-dez-10 --
Pensei em te dar uma flor
mas uma flor não servia,
porque as pétalas não cantam
como encanta a poesia
que brotou do teu olhar
que me tem com simpatia,
que aflorou a aflição
de um amor que eu nem sabia...
Pensei em te dar uma flor,
mas te dei minha poesia...
Eu só quis que tu soubesses
desse amor que eu sentia
-- João Otero - 8-dez-10 --
06 dezembro 2010
Saudade Degringolada
Se eu sentisse saudade delaseria de cor amarela
Dessas, de fim de tarde...
E sopraria uma brisa
dessas que afloram cismas
censuradas da verdade
É... Seu eu tivesse essa saudade,
seria minha!
E não dela! - a infeliz dessa cadela -
que não era quem eu tinha
ps: :-P lamentável... hehe ;-)
-- João Otero - 6-dez10 --
Dessas, de fim de tarde...
E sopraria uma brisa
dessas que afloram cismas
censuradas da verdade
É... Seu eu tivesse essa saudade,
seria minha!
E não dela! - a infeliz dessa cadela -
que não era quem eu tinha
ps: :-P lamentável... hehe ;-)
-- João Otero - 6-dez10 --
24 novembro 2010
Matei uma Barata
Matei uma Barata
Agora há pouco matei uma barata.
Mas não era uma barata qualquer. Era uma ba-ra-ta; pré-histórica; quase 10 centímetros...
Quase um mamute!
Eu já tinha visto essa nojenta outro dia.
Tentei duas chineladas, mas não adiantou. A barata se jogava da parede - literalmente - bem na hora que eu ia acertá-la.
Deixei a janela aberta, com a esperança de que ela tivesse querendo ir embora. Como não a vi mais por uns 2 dias, assumi que ela tinha colaborado com a minha situação.
Foi aí que eu li a notícia de uma pesquisa recenta da UFRJ, onde diz que a inversão térmica do verão faz as baratas saírem dos bueiros e procurarem locais mais frescos: isso mesmo, nossa casa. É parceiro... quando Murphy ataca, Murphy ataca mesmo.
Já não chega o nojo - o completo asco que me dá só imaginar a imagem de uma barata; hoje, eu, revirando meus papéis, dou de cara e quase que encosto numa!
Pra conseguir matar uma barata, você tem que pensar como elas.
Se um cara com muita raiva de mim estivesse me caçando impiedosamente, e eu fosse uma barata, para onde eu iria? Obviamente para o buraco mais escuro e difícil de cavocar possível, tão logo esse maluco desse a primeira chinelada.
A operação se deu mais ou menos assim: primeira coisa, retirar todos os papéis, livros, aparelhos, e pilhas e pilhas de coisas que estavam naquela sala (recém me mudei pessoal), em volta do balcão-hotel apropriado pela Barata.
Levei tudo pra sala ao lado. Ensacolei todas as bugigangas soltas espalhadas ao redor, pra não dar margem à obstáculos me atrapalhando.
Arredei todos os móveis, para não deixar lugares inalcançáveis.
Ela tinha entrado numa caixa. Deixei a caixa para mexer por último.
Enfim tentei matar a desgraçada, mas ela fugiu ao redor daquele balcão umas quatro vezes; todas tentativas de assassinato frustradas. Ela corria por todos os lados, se enfiava em todos os buracos e ficava até de ponta-cabeças nas reentrâncias do móvel.
Bem, pensei: agora que eu tinha movido tudo para a outra sala, essa outra sala automaticamente teria se tornado o lugar preferido para a próxima hospedagem noturna da filha-da-puta da Barata. Eu já tinha me resignado. Comecei a guardar meus livros e ajeitar melhor as coisas, para pelo menos diminuir essa probabilidade.
Pra fazer uma ideia do tamanho da barata, sabe como eu fui conseguir matar a infeliz? ...Eu estava levando os livros da segunda sala pro meu quarto, quando ouvi um barulho naquela primeira sala.
O que eu ouvi era a barata carrendo! A barata era tão grande que dava pra ouvir os "passos" dela!
Peguei a infeliz quase na porta, indo justamente para a sala do lado!
Eu não teria conseguido pensar tão bem como uma barata nem que eu fosse uma!
Teve mais um corre-corre, mas dessa vez em campo aberto: salve Sun Tzu, senhor da guerra, e todos os aprendizados que ele me deu sobre "o terreno"!
A barata dessa vez não teve a menor chance. (Apesar de eu ter fechado os olhos; porque aquela gosma é foda...)
E a tal pesquisa da UFRJ ainda fica do lado das baratas, vê se pode?!
Ah, é comida do passarinho? Ah, faz parte da cadeia alimentar da aranha?
...Eu quero mais é que se fodam todas as baratas!
Os passarinhos e as aranhas que virem vegetarianos, ué! Não está na moda mesmo?!
Finalmente, achei o abridor de vinho que eu tava procurando antes disso tudo.
A lei da compensação pelo menos fez gelar um pouco mais o vinho que eu deixei no freezer.
Um brinde às baratas mortas. Saúde pra mim!
-- João Otero - 24-nov-10 --
Agora há pouco matei uma barata.
Mas não era uma barata qualquer. Era uma ba-ra-ta; pré-histórica; quase 10 centímetros...
Quase um mamute!
Eu já tinha visto essa nojenta outro dia.
Tentei duas chineladas, mas não adiantou. A barata se jogava da parede - literalmente - bem na hora que eu ia acertá-la.
Deixei a janela aberta, com a esperança de que ela tivesse querendo ir embora. Como não a vi mais por uns 2 dias, assumi que ela tinha colaborado com a minha situação.
Foi aí que eu li a notícia de uma pesquisa recenta da UFRJ, onde diz que a inversão térmica do verão faz as baratas saírem dos bueiros e procurarem locais mais frescos: isso mesmo, nossa casa. É parceiro... quando Murphy ataca, Murphy ataca mesmo.
Já não chega o nojo - o completo asco que me dá só imaginar a imagem de uma barata; hoje, eu, revirando meus papéis, dou de cara e quase que encosto numa!
Pra conseguir matar uma barata, você tem que pensar como elas.
Se um cara com muita raiva de mim estivesse me caçando impiedosamente, e eu fosse uma barata, para onde eu iria? Obviamente para o buraco mais escuro e difícil de cavocar possível, tão logo esse maluco desse a primeira chinelada.
A operação se deu mais ou menos assim: primeira coisa, retirar todos os papéis, livros, aparelhos, e pilhas e pilhas de coisas que estavam naquela sala (recém me mudei pessoal), em volta do balcão-hotel apropriado pela Barata.
Levei tudo pra sala ao lado. Ensacolei todas as bugigangas soltas espalhadas ao redor, pra não dar margem à obstáculos me atrapalhando.
Arredei todos os móveis, para não deixar lugares inalcançáveis.
Ela tinha entrado numa caixa. Deixei a caixa para mexer por último.
Enfim tentei matar a desgraçada, mas ela fugiu ao redor daquele balcão umas quatro vezes; todas tentativas de assassinato frustradas. Ela corria por todos os lados, se enfiava em todos os buracos e ficava até de ponta-cabeças nas reentrâncias do móvel.
Bem, pensei: agora que eu tinha movido tudo para a outra sala, essa outra sala automaticamente teria se tornado o lugar preferido para a próxima hospedagem noturna da filha-da-puta da Barata. Eu já tinha me resignado. Comecei a guardar meus livros e ajeitar melhor as coisas, para pelo menos diminuir essa probabilidade.
Pra fazer uma ideia do tamanho da barata, sabe como eu fui conseguir matar a infeliz? ...Eu estava levando os livros da segunda sala pro meu quarto, quando ouvi um barulho naquela primeira sala.
O que eu ouvi era a barata carrendo! A barata era tão grande que dava pra ouvir os "passos" dela!
Peguei a infeliz quase na porta, indo justamente para a sala do lado!
Eu não teria conseguido pensar tão bem como uma barata nem que eu fosse uma!
Teve mais um corre-corre, mas dessa vez em campo aberto: salve Sun Tzu, senhor da guerra, e todos os aprendizados que ele me deu sobre "o terreno"!
A barata dessa vez não teve a menor chance. (Apesar de eu ter fechado os olhos; porque aquela gosma é foda...)
E a tal pesquisa da UFRJ ainda fica do lado das baratas, vê se pode?!
Ah, é comida do passarinho? Ah, faz parte da cadeia alimentar da aranha?
...Eu quero mais é que se fodam todas as baratas!
Os passarinhos e as aranhas que virem vegetarianos, ué! Não está na moda mesmo?!
Finalmente, achei o abridor de vinho que eu tava procurando antes disso tudo.
A lei da compensação pelo menos fez gelar um pouco mais o vinho que eu deixei no freezer.
Um brinde às baratas mortas. Saúde pra mim!
-- João Otero - 24-nov-10 --
23 novembro 2010
música: A Rima
A Rima
(samba)
Você que está aí tão distraída
nessa cadeira de madeira envelhecida
me ouvindo cantar e beijando uma bebida
daquelas fortes, só pra esquecer da vida -
vem me beijar...
Você que me parece tão doída
venha pra perto e se escore cá num canto
pra desfazer essa amargura entristecida
vindo provar o dôce mel dos meus encantos
enquanto eu canto...
Você não tenha pressa de saber
daquela rima em que eu falo de você
como se fôsses minha bela, minha linda
a perdição da minha vida, o meu dôce
como se fôsses...
(ai, aiai, aiai, aiaiai, aiaiai... como se fôsses)
(ai, aiai, aiai, aiaiai, aiaiai... a minha vida e o meu dôce)
Você que em tristes olhos acolheu
os lentos sôfregos arranhos de um violão
enquanto eu toco o seu olhar com os olhos meus
dentro dos seus me vejo só você e eu
pelo salão
Você que se encontrava sem abrigo
já tem meu peito como seu novo recanto
Te quero tanto, mesmo quando eu não te digo
você comigo é a tal rima que reclamo,
pois já te amo!
(ai, aiai, aiai, aiaiai, aiaiai... foi só te ver e eu já te amo!)
(ai, aiai, aiai, aiaiai, aiaiai... foi só te ver e eu já te amo!)
-- João Otero - 22-nov-2010 --
(samba)
Você que está aí tão distraída
nessa cadeira de madeira envelhecida
me ouvindo cantar e beijando uma bebida
daquelas fortes, só pra esquecer da vida -
vem me beijar...
Você que me parece tão doída
venha pra perto e se escore cá num canto
pra desfazer essa amargura entristecida
vindo provar o dôce mel dos meus encantos
enquanto eu canto...
Você não tenha pressa de saber
daquela rima em que eu falo de você
como se fôsses minha bela, minha linda
a perdição da minha vida, o meu dôce
como se fôsses...
(ai, aiai, aiai, aiaiai, aiaiai... como se fôsses)
(ai, aiai, aiai, aiaiai, aiaiai... a minha vida e o meu dôce)
Você que em tristes olhos acolheu
os lentos sôfregos arranhos de um violão
enquanto eu toco o seu olhar com os olhos meus
dentro dos seus me vejo só você e eu
pelo salão
Você que se encontrava sem abrigo
já tem meu peito como seu novo recanto
Te quero tanto, mesmo quando eu não te digo
você comigo é a tal rima que reclamo,
pois já te amo!
(ai, aiai, aiai, aiaiai, aiaiai... foi só te ver e eu já te amo!)
(ai, aiai, aiai, aiaiai, aiaiai... foi só te ver e eu já te amo!)
-- João Otero - 22-nov-2010 --
31 outubro 2010
Anjo que passa
venha meu anjo,
e dance o teu ventre
por entre essas mesas
e seja a beleza
por entre essas taças
desalma-me o dia
desarma-me o punho
desfaça a tristeza
que ia em meu cunho
(e eu sigo vidrado no jeito que passas...)
venha meu anjo,
com tua silhueta
sineta dos sonhos
que eram tristonhos
até teu olhar
dilata-me o instante
destrata-me o beijo
que eu pressuponho
ante o teu desejo
(...mas não me censures só por te beijar!)
-- João Otero - 31-out-10 --
e dance o teu ventre
por entre essas mesas
e seja a beleza
por entre essas taças
desalma-me o dia
desarma-me o punho
desfaça a tristeza
que ia em meu cunho
(e eu sigo vidrado no jeito que passas...)
venha meu anjo,
com tua silhueta
sineta dos sonhos
que eram tristonhos
até teu olhar
dilata-me o instante
destrata-me o beijo
que eu pressuponho
ante o teu desejo
(...mas não me censures só por te beijar!)
-- João Otero - 31-out-10 --
28 outubro 2010
Loucura
cada qual mulher tem sua vil loucura
e eu, com meus cascudos, não entendo nada...
numas sei que fui a loucura provocante
mas de outras eu tive a loucura provocada
vêm com apetrechos, cheias de frescura
uma, de varrida, me deixou por nada
mas depois voltou, cheia de ternura
sendo inda mais louca e se jurando fada
cada qual mulher, uma loucura errante;
cada tal loucura que se faz por nada...
uma, que me amava, se mentia pura
outra, nao me disse e me perdeu na estrada
-- João Otero - 24-28/out/10 --
e eu, com meus cascudos, não entendo nada...
numas sei que fui a loucura provocante
mas de outras eu tive a loucura provocada
vêm com apetrechos, cheias de frescura
uma, de varrida, me deixou por nada
mas depois voltou, cheia de ternura
sendo inda mais louca e se jurando fada
cada qual mulher, uma loucura errante;
cada tal loucura que se faz por nada...
uma, que me amava, se mentia pura
outra, nao me disse e me perdeu na estrada
-- João Otero - 24-28/out/10 --
15 setembro 2010
As Vogais dos Meus Olhos
E depois de rimar essas vogais
que despencam dos meus olhos
com um "vai, meu pai... descanse em paz"
queria que as lêsseis de traz pra frente
e me dissésseis:
"ia, meu filho... não vou mais!"
...Mas eu sei que tu não podes me esquentar
outra vez com teu beijo
se da boca fria o hálito nem sai
Tenho então meus olhos soluçando com as vogais
que eu não queria
rimas de perfeita companhia
ao resto de esperança que me trai
-- João Otero - 26-ago/15-set-10 --
que despencam dos meus olhos
com um "vai, meu pai... descanse em paz"
queria que as lêsseis de traz pra frente
e me dissésseis:
"ia, meu filho... não vou mais!"
...Mas eu sei que tu não podes me esquentar
outra vez com teu beijo
se da boca fria o hálito nem sai
Tenho então meus olhos soluçando com as vogais
que eu não queria
rimas de perfeita companhia
ao resto de esperança que me trai
-- João Otero - 26-ago/15-set-10 --
05 setembro 2010
15 agosto 2010
Houvesse figura
é tão doído
um parto de letras
num buraquinho que nem se consegue saber
pra se dizer o que nem lá se tem consciente
...essas palavras que eu não consigo achar
entre dois-pontos e um parêntese aberto
-- João Otero - 16-ago-10 --
um parto de letras
num buraquinho que nem se consegue saber
pra se dizer o que nem lá se tem consciente
...essas palavras que eu não consigo achar
entre dois-pontos e um parêntese aberto
-- João Otero - 16-ago-10 --
pensamento: E viveram felizes para sempre
"...E viveram felizes para sempre" é algo que um autor preguiçoso escreveu pra não ter que continuar a história em outros livros... E desde então, os demais autores apenas copiaram.
05 agosto 2010
29 julho 2010
Tudo o Que Eu Posso
Tudo o que eu posso
se configura num bem-querer
num avaliar
num decidir
Tudo o que eu posso
se transfigura em não-sentir
num quebra-mar
num "venha aqui!"
Tudo o que eu posso
é bruma branca em dia de sol
é folha seca em um outono
e algum perfume inevitável
na primavera
Tudo o que eu posso
quem me dera!
era querer ser
um pouco mais que esse sofrer
em querer ser o que eu não posso
-- João Otero - 29-jul-10 --
se configura num bem-querer
num avaliar
num decidir
Tudo o que eu posso
se transfigura em não-sentir
num quebra-mar
num "venha aqui!"
Tudo o que eu posso
é bruma branca em dia de sol
é folha seca em um outono
e algum perfume inevitável
na primavera
Tudo o que eu posso
quem me dera!
era querer ser
um pouco mais que esse sofrer
em querer ser o que eu não posso
-- João Otero - 29-jul-10 --
25 julho 2010
19 julho 2010
Hipocondríaco e Sintomático
Hipocondriaco e Sintomático
Eu, hipocondríaco, sintomático, quase transformo em febre reumática uma mera streptococcus. Não é que, preocupado em sufocar de dor, acordo eu e entro na internet pra descobrir do que se trata minha chaga; e horas depois, ao acordar novamente no meio da noite, meu dedão do pé tá inchado, doendo, pulsando, como se eu tivesse chutado a quina do balcão - ou como se eu tivesse mesmo é com uma febre reumática?!
Aos hipocondríacos como eu são aos que mais funcionam os placebos, e aos que menos servem os homeopáticos. Pois é só dizer que há uma chance remota de um efeito colateral para ele virar sintoma líquido e certo; e é só dizer que "leva tempo, mas funciona...", que o tempo esse é exagerado, e vira "nunca" imediatamente!
Eu, hipocondríaco, sintomático, tenho flashback e entro em nóia até com erva natural. ...Nem me arrisco em nada um pouco mais sintetizado!
Eu, hipocondríaco: ao se me despontar um novo amor, já sei, de prévia sabedoria que ele vai durar pouco; que eu vou me entregar de todo; que eu vou sofrer muito... Não, um pouco mais do que isso. Muito mesmo. Já sei que vou ter pano pra manga pra minha poesia por alguns dias. Que o mundo vai acabar e todas aquelas coisas dos hipocondríacos...
E aí eu ligo, escrevo, imploro, me abro como nunca, digo que amo... E no seguinte segundo, "puff" - ela escapuliu! "Eu não disse?!"
...Eu: sintomático!
-- João Otero - 19-jul-10 --
Eu, hipocondríaco, sintomático, quase transformo em febre reumática uma mera streptococcus. Não é que, preocupado em sufocar de dor, acordo eu e entro na internet pra descobrir do que se trata minha chaga; e horas depois, ao acordar novamente no meio da noite, meu dedão do pé tá inchado, doendo, pulsando, como se eu tivesse chutado a quina do balcão - ou como se eu tivesse mesmo é com uma febre reumática?!
Aos hipocondríacos como eu são aos que mais funcionam os placebos, e aos que menos servem os homeopáticos. Pois é só dizer que há uma chance remota de um efeito colateral para ele virar sintoma líquido e certo; e é só dizer que "leva tempo, mas funciona...", que o tempo esse é exagerado, e vira "nunca" imediatamente!
Eu, hipocondríaco, sintomático, tenho flashback e entro em nóia até com erva natural. ...Nem me arrisco em nada um pouco mais sintetizado!
Eu, hipocondríaco: ao se me despontar um novo amor, já sei, de prévia sabedoria que ele vai durar pouco; que eu vou me entregar de todo; que eu vou sofrer muito... Não, um pouco mais do que isso. Muito mesmo. Já sei que vou ter pano pra manga pra minha poesia por alguns dias. Que o mundo vai acabar e todas aquelas coisas dos hipocondríacos...
E aí eu ligo, escrevo, imploro, me abro como nunca, digo que amo... E no seguinte segundo, "puff" - ela escapuliu! "Eu não disse?!"
...Eu: sintomático!
-- João Otero - 19-jul-10 --
Uma Geada
E a manhã alva dos campos de minha terra
Se me tem a camuflar uns lírios, a me apagar as relvas
Anunciada pelo um vento minuano, sempre repentino e forte,
A meio ano
Se me tem trocando o pano pela manta grossa e um pala
Ela que vem e me cala, contragosto, em branca tez
Ela que vem e me pára, num calafrio cortês
Ela que reclama tudo, e cobre tudo, dos meus olhos ao meu pêlo
Mas por baixo dos véus que cegam
Eu sei que brilham as relvas dos meus campos outra vez
E eu aperto meu canto, com nó de lenço vermelho
- Com cheiro de sangue, de guerra -
Para cantar as belezas de minha terra, de onde não me arredo
Por mais judiado que eu seja ao passares
Dama alva, linda... horrenda...
E o meu riso é porque eu sei que não há vento que se prenda!
Te mostro os dentes pois sei que logo após as coxilhas
Tenho o perfume das negras, e a pele-cuia das índias
E os campos que eu sempre quis
Não há pois como eu me renda
A uma passageira prenda
Se no seio da coxilha
Me aguarda tudo o que eu preciso
Para ser feliz
-- João Otero - 19-jul-10 --
Se me tem a camuflar uns lírios, a me apagar as relvas
Anunciada pelo um vento minuano, sempre repentino e forte,
A meio ano
Se me tem trocando o pano pela manta grossa e um pala
Ela que vem e me cala, contragosto, em branca tez
Ela que vem e me pára, num calafrio cortês
Ela que reclama tudo, e cobre tudo, dos meus olhos ao meu pêlo
Mas por baixo dos véus que cegam
Eu sei que brilham as relvas dos meus campos outra vez
E eu aperto meu canto, com nó de lenço vermelho
- Com cheiro de sangue, de guerra -
Para cantar as belezas de minha terra, de onde não me arredo
Por mais judiado que eu seja ao passares
Dama alva, linda... horrenda...
E o meu riso é porque eu sei que não há vento que se prenda!
Te mostro os dentes pois sei que logo após as coxilhas
Tenho o perfume das negras, e a pele-cuia das índias
E os campos que eu sempre quis
Não há pois como eu me renda
A uma passageira prenda
Se no seio da coxilha
Me aguarda tudo o que eu preciso
Para ser feliz
-- João Otero - 19-jul-10 --
09 julho 2010
A minha espera
E eu to ainda pra ver quem vai se abrir num gozo para a vida, encarando num êxtase eterno a duraçao de cada segundo, e viver uma plenitude de sensibilidade sem fechar-se logo em seguida dentro de si e de seus medos privados. Eu to ainda pra ver quem fará sexo com a vida. Eu to ainda pra ver quem vai trocar aqueles poucos segundos de conjunção carnal pela sensibilidade envolvente e mais aflorada de algo mais transcendente. To ainda pra ver quem vai fazer aqueles parcos segundos durarem pra sempre.
07 julho 2010
22 junho 2010
As Bocas Banguelas
As bocas banguelas têm mais sorrisos
As bocas das crias, dos velhos, dos pobres
Se vestem de um manto mais nobre
Do que esses de esmaltes lisos
Não têm caninos tão fortes,
Não refletem externos brilhos,
Não prendem a feroz língua
A boca banguela não míngua seu juízo
As bocas das crias, dos velhos, dos pobres
Não amarelam um sorriso...
-- João Otero - 22-jun-10 --
As bocas das crias, dos velhos, dos pobres
Se vestem de um manto mais nobre
Do que esses de esmaltes lisos
Não têm caninos tão fortes,
Não refletem externos brilhos,
Não prendem a feroz língua
A boca banguela não míngua seu juízo
As bocas das crias, dos velhos, dos pobres
Não amarelam um sorriso...
-- João Otero - 22-jun-10 --
16 junho 2010
texto: Meias Brancas
Meias Brancas
Hoje pela manhã eu descobri sem-querer a solução para o problema do lixo no mundo: meias brancas!
As meias brancas têm a propriedade de sumir com o passar do tempo. Se acondicionarmos todo o lixo do mundo dentro de meias brancas - vupt! - solucionamos o problema do lixo!
...Minha última teoria é a de que as canetas Bic são fabricadas com meias brancas embutidas. Mas é uma hipótese ainda necessitando observações adicionais.
(Isso se elas não sumirem antes...)
-- João Otero - 16-jun-10 --
Hoje pela manhã eu descobri sem-querer a solução para o problema do lixo no mundo: meias brancas!
As meias brancas têm a propriedade de sumir com o passar do tempo. Se acondicionarmos todo o lixo do mundo dentro de meias brancas - vupt! - solucionamos o problema do lixo!
...Minha última teoria é a de que as canetas Bic são fabricadas com meias brancas embutidas. Mas é uma hipótese ainda necessitando observações adicionais.
(Isso se elas não sumirem antes...)
-- João Otero - 16-jun-10 --
10 junho 2010
Olhinhos Minguantes
Olhinhos minguantes -
Como os ciclos enluarados
Dessas minhas paixões retumbantes
Que se camuflam volta e meia em mim
No ocidente, lá praqueles lados...
Onde é renascente - flagelado mas sorridente -
Este meu velho coração cansado
Destas agruras sem-fim
Que vão e vêm, e vêm e saem...
Vazantes como a maré
Perene ciclo constante de novas dores poentes
Mas a espumar-me novamente o peito e a reforçar a minha fé,
...Lá: olhinhos de dó, de pena, de graça;
meiguice; cachaça na mesa dum bar
Tu, extraviadas num canto,
E eu contemplando de longe
À duas mesas de distância, o teu olhar
-- João Otero - 9-jun-10 --
Como os ciclos enluarados
Dessas minhas paixões retumbantes
Que se camuflam volta e meia em mim
No ocidente, lá praqueles lados...
Onde é renascente - flagelado mas sorridente -
Este meu velho coração cansado
Destas agruras sem-fim
Que vão e vêm, e vêm e saem...
Vazantes como a maré
Perene ciclo constante de novas dores poentes
Mas a espumar-me novamente o peito e a reforçar a minha fé,
...Lá: olhinhos de dó, de pena, de graça;
meiguice; cachaça na mesa dum bar
Tu, extraviadas num canto,
E eu contemplando de longe
À duas mesas de distância, o teu olhar
-- João Otero - 9-jun-10 --
09 junho 2010
29 maio 2010
Desencantamento
...E então, querida,
Serás esquecida
Como uma foto amarelada e esmaecida,
Como uma ninguém
Como mais uma formosa entremeada num harém
Serás tão só mais um refrão que um dia eu já cantei
Tu serás quem me esqueceu, e a quem esqueci também
Tu serás rastro de névoa nos quintais de minha vida
Tu serás uma lembrança em alguns cacos repartida
Tu serás doce mistério
Que só o meu passado tem
-- João Otero - 4-29-mai-10 --
Serás esquecida
Como uma foto amarelada e esmaecida,
Como uma ninguém
Como mais uma formosa entremeada num harém
Serás tão só mais um refrão que um dia eu já cantei
Tu serás quem me esqueceu, e a quem esqueci também
Tu serás rastro de névoa nos quintais de minha vida
Tu serás uma lembrança em alguns cacos repartida
Tu serás doce mistério
Que só o meu passado tem
-- João Otero - 4-29-mai-10 --
22 maio 2010
Da procura
Vende-se tragédias!
Tragédias feitas de pó e vento
Que contrapesam êxtases imerecidos
Vende-se tragédias que complementam vidas
-- João Otero - 22-mai-10 --
Tragédias feitas de pó e vento
Que contrapesam êxtases imerecidos
Vende-se tragédias que complementam vidas
-- João Otero - 22-mai-10 --
Porque pediste pra eu falar de cores (Amarelo)
Eu e os ébrios - braços dados numa saudosa harmonia
Sob o reflexo dourado do luar fraterno já minguando mais um dia
Brindo! com mais cinco dedos de gelada alegria
À sapiência deste olhar impreciso
Que vê em dobro a beleza
E que duplica os sorrisos dessas bocas tão macias!
Veja outros poemas da coleção Cores
-- João Otero - 22-mai-10 --
Sob o reflexo dourado do luar fraterno já minguando mais um dia
Brindo! com mais cinco dedos de gelada alegria
À sapiência deste olhar impreciso
Que vê em dobro a beleza
E que duplica os sorrisos dessas bocas tão macias!
Veja outros poemas da coleção Cores
-- João Otero - 22-mai-10 --
14 maio 2010
Pontacabeça
Prólogo:
Eu sei que meu português ficou uma bosta neste texto. Mas não importa muito. A mensagem é o mais importante.
Pontacabeça
Eu olho em volta e vejo tudo muito raso, muito rápido, muito superficial, muito efêmero.
Relacionamentos fast-food, pegos numa caixinha em uma balada da moda qualquer, e largados em alguma lixeira 15 minutos depois.
Todos pegando todos, e ninguém lembrando de ninguém.
Namorados que não se vêem no sábado, que preferem sair com os amigos. Que não sentem falta um do outro.
Vejo beijos fazendo fila na boca de qualquer um/uma...
Vejo a ostentação sendo usada muito eficazmente como uma arma na busca por sexo... E vejo pessoas caindo nessa! O ingresso de tanto, o passe que é VIP, o dono de tal empresa, o "amigo" influente, a bebida mais cara, a casa da moda, as roupas de marca, o carro mais caro...
Eu vejo a sinceridade virando algo conveniente e circunstancial: não ouço mentiras, mas tampouco ouço as verdades, pois elas são escondidas.
Eu vejo a falta de franqueza; a falta do vou-dizer-na-tua-cara.
Eu vejo a falta de envolvimento, despreocupação com os sentimentos alheios: vejo um jogo de conquistas, e os sentimentos virarem troféus.
Eu vejo a busca pelo prazer rápido, descomprometido, descartável.
Eu vejo relacionamentos tapa-buracos, convenientes para preencher as happy(dead)-hours pós trabalho.
Vejo pessoas se comunicando online num domingo, estando na mesma cidade, estando às vezes na mesma sala...
Eu fico triste vendo as pessoas se tratando e sendo tratadas como joguetes.
Amigos amarelos; máscaras sociais; joguinhos sociais; comportamentos subliminares.
Eu vejo todas essas coisas em excesso, dia após dia. E me falta o que preencha a minha alma. E duvido que essas coisas preencham alguma alma, aliás.
Eu sinto pena pelas pessoas que agem assim; e que de fato acreditam (isso é o pior) estarem fazendo o melhor para si. Pena porque talvez nunca descubram de verdade uma felicidade mais longa.
Eu vejo pressa em ter-se o que não importa, e paciência demais, morosidade demais em se buscar as coisas que importam. Todos querem status, carreira, dinheiro; ninguém quer música, companheirismo, risadas, jantar em família...
Todos perguntam "O que você faz?"; ninguém pergunta "O que você quer fazer?".
Todos perguntam "Onde você mora?"; ninguém pergunta "Aonde você vai?".
Eu vejo conformismo, e isso me indigna...
Valores invertidos. Mundo de pontacabeça.
Eu vejo escravos da vida estudar-trabalhar-casar-ter-filhos; escravos das normas; escravos do que a família-amigos-sociedade vai pensar; escravos do conformismo das coisas-que-são-assim-e-não-vão-mudar.
Eu vejo pessoas desistindo de tudo muito fácil, pelas mais esfarrapadas desculpas: desistindo dos sonhos, desistindo de uma paixão, desistindo de uma aventura, desistindo de um amor. Mentem à si mesmas.
Eu vejo pessoas desacreditando que a bondade existe em maior oferta no coração das pessoas do que existem a sacanagem, a malandragem, a maldade, o desrespeito.
Isso me lembra um pouco o fundamento do terrorismo, sobrevivente pelos noticiários da noite ou através das páginas policiais de jornal... Porque embora haja sim sacanagem, malandragem e maldade, tudo isso é muito pequeno, mas causa um impacto muito grande.
As pessas mudam de comportamento porque amplificam uma percepção negativa muito além do que deveriam. As pessoas mudam de comportamento porque passam a sentir medo demais. E todos, aterrorizados, ficam imóveis. Rugido de um tigre: pessoas imóveis! Situação adversa: pessoas imóveis! Terrorismo: pessoas imóveis! Medos, medos, medos: pessoas imóveis dentro de si; pessoas egoístas; pessoas que não se deixam levar. Merda de cérebro que funciona assim.
E eu vejo muitas pessoas com medo: de sofrer, de se entregar, de persistir, de se arriscar... Morrendo sem saber. Vivendo sem sentir. Sentindo até, mas muito pouco; muito menos do que poderiam... E por que? Porque têm medo. Não há como sentir o máximo sem que seja se arriscando ao máximo também.
Mas o medo de sentir-se mal é maior do que o benefício de sentir-se bem, paradoxalmente.
Isso não entra na minha cabeça: como alguém prefere o não-sentir ao sentir-se muito bem, só por existir um risco de sentir-se mal?! Zumbis... Zumbis é que não sentem! Sinto como se tivesse nascido no lugar errado, na época errada.
Que graça tem viver uma vida que um dia acaba - sempre - se for só pra deixar ela passar pela gente?! Sentir-se mal, que seja, não vale mais a pena?! Sentir-se bem, não vale o risco?!
Só a coragem enfrenta o medo. Só a fé - que é acreditar por acreditar, sem ter certezas - é capaz de gerar coragem.
Falta fé.
Eu só quero dizer que eu não faço parte dessa merda.
Um contra-argumento seria me perguntar se eu sou feliz. Não sou; e é cada vez mais difícil. Mas eu ainda tenho fé.
E quando eu for, vai ser 100%, não pela metade.
A minha fé é que haja mais alguém que também não faça parte dessa merda toda... E se houver, não diga, simplesmente: haja com um pouco mais de caráter, com uma pitada a mais de coragem. Terás assim ajudado o mundo a viver um pouco melhor. E terás me ajudado também.
-- João Otero - 14-mai-10 --
Eu sei que meu português ficou uma bosta neste texto. Mas não importa muito. A mensagem é o mais importante.
Pontacabeça
Eu olho em volta e vejo tudo muito raso, muito rápido, muito superficial, muito efêmero.
Relacionamentos fast-food, pegos numa caixinha em uma balada da moda qualquer, e largados em alguma lixeira 15 minutos depois.
Todos pegando todos, e ninguém lembrando de ninguém.
Namorados que não se vêem no sábado, que preferem sair com os amigos. Que não sentem falta um do outro.
Vejo beijos fazendo fila na boca de qualquer um/uma...
Vejo a ostentação sendo usada muito eficazmente como uma arma na busca por sexo... E vejo pessoas caindo nessa! O ingresso de tanto, o passe que é VIP, o dono de tal empresa, o "amigo" influente, a bebida mais cara, a casa da moda, as roupas de marca, o carro mais caro...
Eu vejo a sinceridade virando algo conveniente e circunstancial: não ouço mentiras, mas tampouco ouço as verdades, pois elas são escondidas.
Eu vejo a falta de franqueza; a falta do vou-dizer-na-tua-cara.
Eu vejo a falta de envolvimento, despreocupação com os sentimentos alheios: vejo um jogo de conquistas, e os sentimentos virarem troféus.
Eu vejo a busca pelo prazer rápido, descomprometido, descartável.
Eu vejo relacionamentos tapa-buracos, convenientes para preencher as happy(dead)-hours pós trabalho.
Vejo pessoas se comunicando online num domingo, estando na mesma cidade, estando às vezes na mesma sala...
Eu fico triste vendo as pessoas se tratando e sendo tratadas como joguetes.
Amigos amarelos; máscaras sociais; joguinhos sociais; comportamentos subliminares.
Eu vejo todas essas coisas em excesso, dia após dia. E me falta o que preencha a minha alma. E duvido que essas coisas preencham alguma alma, aliás.
Eu sinto pena pelas pessoas que agem assim; e que de fato acreditam (isso é o pior) estarem fazendo o melhor para si. Pena porque talvez nunca descubram de verdade uma felicidade mais longa.
Eu vejo pressa em ter-se o que não importa, e paciência demais, morosidade demais em se buscar as coisas que importam. Todos querem status, carreira, dinheiro; ninguém quer música, companheirismo, risadas, jantar em família...
Todos perguntam "O que você faz?"; ninguém pergunta "O que você quer fazer?".
Todos perguntam "Onde você mora?"; ninguém pergunta "Aonde você vai?".
Eu vejo conformismo, e isso me indigna...
Valores invertidos. Mundo de pontacabeça.
Eu vejo escravos da vida estudar-trabalhar-casar-ter-filhos; escravos das normas; escravos do que a família-amigos-sociedade vai pensar; escravos do conformismo das coisas-que-são-assim-e-não-vão-mudar.
Eu vejo pessoas desistindo de tudo muito fácil, pelas mais esfarrapadas desculpas: desistindo dos sonhos, desistindo de uma paixão, desistindo de uma aventura, desistindo de um amor. Mentem à si mesmas.
Eu vejo pessoas desacreditando que a bondade existe em maior oferta no coração das pessoas do que existem a sacanagem, a malandragem, a maldade, o desrespeito.
Isso me lembra um pouco o fundamento do terrorismo, sobrevivente pelos noticiários da noite ou através das páginas policiais de jornal... Porque embora haja sim sacanagem, malandragem e maldade, tudo isso é muito pequeno, mas causa um impacto muito grande.
As pessas mudam de comportamento porque amplificam uma percepção negativa muito além do que deveriam. As pessoas mudam de comportamento porque passam a sentir medo demais. E todos, aterrorizados, ficam imóveis. Rugido de um tigre: pessoas imóveis! Situação adversa: pessoas imóveis! Terrorismo: pessoas imóveis! Medos, medos, medos: pessoas imóveis dentro de si; pessoas egoístas; pessoas que não se deixam levar. Merda de cérebro que funciona assim.
E eu vejo muitas pessoas com medo: de sofrer, de se entregar, de persistir, de se arriscar... Morrendo sem saber. Vivendo sem sentir. Sentindo até, mas muito pouco; muito menos do que poderiam... E por que? Porque têm medo. Não há como sentir o máximo sem que seja se arriscando ao máximo também.
Mas o medo de sentir-se mal é maior do que o benefício de sentir-se bem, paradoxalmente.
Isso não entra na minha cabeça: como alguém prefere o não-sentir ao sentir-se muito bem, só por existir um risco de sentir-se mal?! Zumbis... Zumbis é que não sentem! Sinto como se tivesse nascido no lugar errado, na época errada.
Que graça tem viver uma vida que um dia acaba - sempre - se for só pra deixar ela passar pela gente?! Sentir-se mal, que seja, não vale mais a pena?! Sentir-se bem, não vale o risco?!
Só a coragem enfrenta o medo. Só a fé - que é acreditar por acreditar, sem ter certezas - é capaz de gerar coragem.
Falta fé.
Eu só quero dizer que eu não faço parte dessa merda.
Um contra-argumento seria me perguntar se eu sou feliz. Não sou; e é cada vez mais difícil. Mas eu ainda tenho fé.
E quando eu for, vai ser 100%, não pela metade.
A minha fé é que haja mais alguém que também não faça parte dessa merda toda... E se houver, não diga, simplesmente: haja com um pouco mais de caráter, com uma pitada a mais de coragem. Terás assim ajudado o mundo a viver um pouco melhor. E terás me ajudado também.
-- João Otero - 14-mai-10 --
07 maio 2010
Teus Cabelos
Não há mais os teus cabelos pelo banco do meu carro...
Mas há um fiapo... Há um fiapo ainda aqui!
Desses cabelos que um dia eu conheci
Com as pontas de meus dedos
Desses cabelos que eu até senti
Uma vez o gosto, o medo...
O cheiro! - perfumado de vaidade
...Esse fiapo dos teus cabelos
se enosou na minha saudade
-- João Otero - 7-mai-10 --
Mas há um fiapo... Há um fiapo ainda aqui!
Desses cabelos que um dia eu conheci
Com as pontas de meus dedos
Desses cabelos que eu até senti
Uma vez o gosto, o medo...
O cheiro! - perfumado de vaidade
...Esse fiapo dos teus cabelos
se enosou na minha saudade
-- João Otero - 7-mai-10 --
06 maio 2010
05 maio 2010
04 maio 2010
Passatempo
Minha cabeça, se afogando em horas-lixo -
Que são tão só esbanjadoras dos meus dias
Que um a um, e em penoso sacrifício
Que é tão dôce, qual o gôsto que eu lhe tinha
Disponho ao tempo - incinerante e compreensivo;
Vai se esquecendo e se ocupando até à tardinha
Da dor de um peito - lancinante e possessiva
Que só amanhã, depois do sono - quando venha
Volta a sofrer, mas já mais terna e esmaecida
-- João Otero - 4-maio-10 --
Que são tão só esbanjadoras dos meus dias
Que um a um, e em penoso sacrifício
Que é tão dôce, qual o gôsto que eu lhe tinha
Disponho ao tempo - incinerante e compreensivo;
Vai se esquecendo e se ocupando até à tardinha
Da dor de um peito - lancinante e possessiva
Que só amanhã, depois do sono - quando venha
Volta a sofrer, mas já mais terna e esmaecida
-- João Otero - 4-maio-10 --
29 abril 2010
Dores
Me doem no peito uns amores...
De uns sorrisos, de uns olhares, de umas cores
Que tive - ou achei que tive
Como sinceros aos meus louvores
...E outros olhos (cheios de cores!)
...E outros lábios (cheios de amores!)
...E outros braços (cheios de flores!)
Passam nas ruas...
Enquanto meu peito - cheio de dores
Me tem doendo mais uns amores
-- João Otero - 29-abr-10 --
De uns sorrisos, de uns olhares, de umas cores
Que tive - ou achei que tive
Como sinceros aos meus louvores
...E outros olhos (cheios de cores!)
...E outros lábios (cheios de amores!)
...E outros braços (cheios de flores!)
Passam nas ruas...
Enquanto meu peito - cheio de dores
Me tem doendo mais uns amores
-- João Otero - 29-abr-10 --
27 abril 2010
26 abril 2010
Escolhas
Não se pode ter tudo.
É inevitável: não se ganha nada sem se perder algo em troca.
Nossa esperança é ter um pouco de juízo e alguma sorte para decidir agora sobre as escolhas que se mostrarão as mais sábias no futuro.
E não há muito mais certeza na decisão de agora do que a que há num jogo de azar...
Nem sempre as melhores escolhas são realmente as melhores escolhas.
Certo, mesmo, é que nunca se pode ter tudo.
A fé, no final das contas, é só o que resta.
É inevitável: não se ganha nada sem se perder algo em troca.
Nossa esperança é ter um pouco de juízo e alguma sorte para decidir agora sobre as escolhas que se mostrarão as mais sábias no futuro.
E não há muito mais certeza na decisão de agora do que a que há num jogo de azar...
Nem sempre as melhores escolhas são realmente as melhores escolhas.
Certo, mesmo, é que nunca se pode ter tudo.
A fé, no final das contas, é só o que resta.
22 abril 2010
Poeminha ao vento
Se um vento assim qualquer te soprar ao pé do ouvido
Bem decerto que fui eu que sussurrou pensando em ti
Mas se ao toque dele, mudo, despertar-te a libido
Foi tão só um beijo meu que se perdeu por aí...
-- João Otero - 22-04-10 --
Bem decerto que fui eu que sussurrou pensando em ti
Mas se ao toque dele, mudo, despertar-te a libido
Foi tão só um beijo meu que se perdeu por aí...
-- João Otero - 22-04-10 --
16 abril 2010
Inefável
Eu quero uma revolução, uma guerra,
Uma epidemia
Uma dor de verdade
Uma verdade mais crua
Uma poça de vômito no meio da rua
Um caco encravado na unha
E uma costela partida
Eu quero da esperança a cara triste,
Definhando um sorriso banguela;
E eu com o dedo em riste
Abafando uma saudade
Eu quero um punho em figa
Uma marca da mão estendida na cara
Um pontapé pontiagudo na barriga
Esmagando a realidade
Das verdades que qualquer um diga
Eu quero meu olho cerrado
Os cílios como espinhos encrustrados
Sobre minhas pálpebras ressentidas
E a minha liberdade teria outro gosto
Eu, desapegado de mim mesmo,
Indiferente à minha própria felicidade,
Descuidado de meu próprio rosto
Seria livre, enfim!, para até me ser cruel de mim,
Para até sorver o meu desgosto
E tudo o que me tivessem seria bom
Pois tudo o que eu quisesse, nem ia querer...
Porque de tanto ter, eu não teria nada...
De tanto ser, eu não seria pôrra de nada
Eu não teria pó, nem pena,
Eu não teria pedra,
Eu não teria estrada...
-- João Otero - 16-abr-10 --
Uma epidemia
Uma dor de verdade
Uma verdade mais crua
Uma poça de vômito no meio da rua
Um caco encravado na unha
E uma costela partida
Eu quero da esperança a cara triste,
Definhando um sorriso banguela;
E eu com o dedo em riste
Abafando uma saudade
Eu quero um punho em figa
Uma marca da mão estendida na cara
Um pontapé pontiagudo na barriga
Esmagando a realidade
Das verdades que qualquer um diga
Eu quero meu olho cerrado
Os cílios como espinhos encrustrados
Sobre minhas pálpebras ressentidas
E a minha liberdade teria outro gosto
Eu, desapegado de mim mesmo,
Indiferente à minha própria felicidade,
Descuidado de meu próprio rosto
Seria livre, enfim!, para até me ser cruel de mim,
Para até sorver o meu desgosto
E tudo o que me tivessem seria bom
Pois tudo o que eu quisesse, nem ia querer...
Porque de tanto ter, eu não teria nada...
De tanto ser, eu não seria pôrra de nada
Eu não teria pó, nem pena,
Eu não teria pedra,
Eu não teria estrada...
-- João Otero - 16-abr-10 --
07 abril 2010
Montanha Encantada
Montanha Encantada - (Diálogo Poético com Carlos Drummond de Andrade)
Enquanto mais alto ela ia,
mais encantada ficava
E nessa montanha dourada eu subia, subia...
Mas tinha uma pedra no meio do caminho.
No meio do caminho tinha uma pedra.
E enquanto eu descia rolando, devagarinho
menos encantado eu me tornava...
-- João Otero - 7-abr-10 --
Enquanto mais alto ela ia,
mais encantada ficava
E nessa montanha dourada eu subia, subia...
Mas tinha uma pedra no meio do caminho.
No meio do caminho tinha uma pedra.
E enquanto eu descia rolando, devagarinho
menos encantado eu me tornava...
-- João Otero - 7-abr-10 --
06 abril 2010
05 abril 2010
Elegia da Minha Própria Morte
Logo eu comecei, fui vivendo a vida - e ela adoecia...
A cada dia a mais, um dia a menos me vinha
Quanto mais eu a usava, muito menos dela eu tinha
E ela me apressava,
Olhava pra mim e se ria...
Ria ela de Mim! A vida breve e fraca
A vida parca e rota,
A vida opaca e fria..!
Então desisti da vida e fui viver minha morte -
Como se mais moça, como se mais forte,
Como com mais gosto e muito mais sabida,
E com mais intuito
De seguir adiante
A sua própria vida...
E então - eu já morrendo - fui Eu lá rir dessa vida!
Ri dessa vida fraca, ri dessa vida fria
E fiz da minha nova morte uma constante elegia
Espiei as frestas, como se espia,
Coisas de curiosos aonde quer que eu ia
E me esfreguei em braços que eu nem sabia
Se eram tão sinceros - mas eu nem queria...
Fui sorver orvalhos que eu não conhecia
Desses que se brotam em erva-daninha
...E enquanto eu fui morrendo, nesse meu dia-a-dia,
A cada um dia a menos, um dia a mais eu tinha!
E um dia, tudo se foi...
Foi-se a vida, foi-se troça, foi-se a morte -
Que eu tive breve e sem-sorte -
Mas que foi muito bem vivida!
-- João Otero - 3-abr-2010 --
A cada dia a mais, um dia a menos me vinha
Quanto mais eu a usava, muito menos dela eu tinha
E ela me apressava,
Olhava pra mim e se ria...
Ria ela de Mim! A vida breve e fraca
A vida parca e rota,
A vida opaca e fria..!
Então desisti da vida e fui viver minha morte -
Como se mais moça, como se mais forte,
Como com mais gosto e muito mais sabida,
E com mais intuito
De seguir adiante
A sua própria vida...
E então - eu já morrendo - fui Eu lá rir dessa vida!
Ri dessa vida fraca, ri dessa vida fria
E fiz da minha nova morte uma constante elegia
Espiei as frestas, como se espia,
Coisas de curiosos aonde quer que eu ia
E me esfreguei em braços que eu nem sabia
Se eram tão sinceros - mas eu nem queria...
Fui sorver orvalhos que eu não conhecia
Desses que se brotam em erva-daninha
...E enquanto eu fui morrendo, nesse meu dia-a-dia,
A cada um dia a menos, um dia a mais eu tinha!
E um dia, tudo se foi...
Foi-se a vida, foi-se troça, foi-se a morte -
Que eu tive breve e sem-sorte -
Mas que foi muito bem vivida!
-- João Otero - 3-abr-2010 --
Despautérios
Eu tenho pressa de ti!
Vivo na ânsia do sempre!
E são eternos esses minutos ternos e carinhosos dos teus agrados...
...Mas são mais longas as infindáveis delongas desses teus carinhos sempre atrasados
E até espero por ti
Mas do meu jeito - presente
E quando não vens faz ausente o que eu mais quero - e já não te quero mais cá do meu lado...
...Mas quando não quero, consentes; do beijo mais puro ao mais profanado
Então desatino por ti!
Pairo na volúpia ardida
Eu, do teu lado, apressado
Tu, no teu passo, perdida
-- João Otero - 3-abr-2010 --
Vivo na ânsia do sempre!
E são eternos esses minutos ternos e carinhosos dos teus agrados...
...Mas são mais longas as infindáveis delongas desses teus carinhos sempre atrasados
E até espero por ti
Mas do meu jeito - presente
E quando não vens faz ausente o que eu mais quero - e já não te quero mais cá do meu lado...
...Mas quando não quero, consentes; do beijo mais puro ao mais profanado
Então desatino por ti!
Pairo na volúpia ardida
Eu, do teu lado, apressado
Tu, no teu passo, perdida
-- João Otero - 3-abr-2010 --
29 março 2010
28 março 2010
Sem grilhões
tive uma sensação tão boa,
mesmo que açoitado;
mesmo que num domingo mal-agradecido,
e enquanto eu ouço essa chuva
antes que o meu presente minta...
tive uma sensação tão boa,
-- João Otero - 28-mar-10 --
obs: o blogspot não respeita meus espaçamentos.
assim,
de que Eu mando em mim...mesmo que açoitado;
mesmo que num domingo mal-agradecido,
atrapalhado,
véspera de segunda...e enquanto eu ouço essa chuva
cinza,
e percebo que eu ainda não tenho trinta...antes que o meu presente minta...
tive uma sensação tão boa,
assim,
naquele instante,
de que minha vida pertence a mim
de que minha vida segue avante
de que minha vida segue avante
-- João Otero - 28-mar-10 --
obs: o blogspot não respeita meus espaçamentos.
27 março 2010
Disso que eu tenho
Têm que vir como pitadas de tempero:
que apimentam o gosto e o cheiro;
nos fazem sentir melhor...
Mas não pode ser costumeiro
Porque, de massa sonsa e sem-cheiro,
vir-se a sentir o tempo inteiro
pode ser até pior...
-- João Otero - 27-mar-10 --
que apimentam o gosto e o cheiro;
nos fazem sentir melhor...
Mas não pode ser costumeiro
Porque, de massa sonsa e sem-cheiro,
vir-se a sentir o tempo inteiro
pode ser até pior...
-- João Otero - 27-mar-10 --
22 março 2010
O Escapulário Encantado
Era uma vez...
Um escapulário encantado
que uma Princesa me deu
Tornava o céu estrelado,
ensejo transformava em beijo,
abraço transformava em mel
Mas eu fui tão desastrado,
veja só o que aconteceu:
roubei o coraçãozinho dela,
que veio pra dentro do meu!
-- João Otero - 22-mar-10 --
Um escapulário encantado
que uma Princesa me deu
Tornava o céu estrelado,
ensejo transformava em beijo,
abraço transformava em mel
Mas eu fui tão desastrado,
veja só o que aconteceu:
roubei o coraçãozinho dela,
que veio pra dentro do meu!
-- João Otero - 22-mar-10 --
Perfume
Tu és rosa que atrai e afasta
e com teus espinhos pontiagudos traça
uma vidraça pra esses teus perfumes
E a pele grossa desses meus costumes
não se perturba com os teus arranhos:
estilha uns cacos, sangra e te arrasta
pra fora dessa tua vidraça,
pra dentro deste meu tapume
A singeleza dessas tuas carícias
- delicadeza vil que manipula -
em nada hão de me comover:
dobrar-se-ão em ofensas omissas
na mão viril que ora te empunha
com a maestreza que só eu sei ter
-- João Otero - 22/mar/2010 --
e com teus espinhos pontiagudos traça
uma vidraça pra esses teus perfumes
E a pele grossa desses meus costumes
não se perturba com os teus arranhos:
estilha uns cacos, sangra e te arrasta
pra fora dessa tua vidraça,
pra dentro deste meu tapume
A singeleza dessas tuas carícias
- delicadeza vil que manipula -
em nada hão de me comover:
dobrar-se-ão em ofensas omissas
na mão viril que ora te empunha
com a maestreza que só eu sei ter
-- João Otero - 22/mar/2010 --
Diálogo poético 1
Convite à Esperança
Maldita és tu Esperança!
Porque não morres primeiro?
Fazes-me esperar o dia inteiro por um céu mais anil...
Não vês que o que me têm é tão vil?!
Porque me deixas a esperar que se acalente minha alma?
Porque me fazes ter tanta desta horrenda calma?!
Porque não vais por primeiro ao invés de esperar tua hora?
Vamos juntos então - que seja - mas vamos agora!
Pra quê aguardar o enfado para só então ir embora?
Desgraçada tu és, Esperança mesquinha
Que sempre quiste ser última,
Quando ao menos uma vez, a última hora devia ser minha!
-- João Otero - 4/nov/09 --
Calma Desespero
Bendito és tu Desespero!
Por que não vês tua pujança?
Tu impulsionas o coração que só quer ser mais viril,
mesmo depois de ser taxado de hostil.
Tens fome de curar a dor que não se acalma
Enquanto eu espero o tempo de mãos atadas.
Saiba que do tempo sou preceito e do viés eu sou Senhora.
Impossível partir antes, pois ao equilíbrio damos forma.
Assim, cubro-te com o manto do consolo que me sobra.
Atrás de teus pés, Desespero, caminho.
Acreditando que tua dor vai embora sozinha.
Pois, se ficares por último, tua existência definha.
-- Nayara Oliveira - algum momento até 22/mar/10 --
visitem o blog da Nayara: http://retratopranana.blogspot.com/
Maldita és tu Esperança!
Porque não morres primeiro?
Fazes-me esperar o dia inteiro por um céu mais anil...
Não vês que o que me têm é tão vil?!
Porque me deixas a esperar que se acalente minha alma?
Porque me fazes ter tanta desta horrenda calma?!
Porque não vais por primeiro ao invés de esperar tua hora?
Vamos juntos então - que seja - mas vamos agora!
Pra quê aguardar o enfado para só então ir embora?
Desgraçada tu és, Esperança mesquinha
Que sempre quiste ser última,
Quando ao menos uma vez, a última hora devia ser minha!
-- João Otero - 4/nov/09 --
Calma Desespero
Bendito és tu Desespero!
Por que não vês tua pujança?
Tu impulsionas o coração que só quer ser mais viril,
mesmo depois de ser taxado de hostil.
Tens fome de curar a dor que não se acalma
Enquanto eu espero o tempo de mãos atadas.
Saiba que do tempo sou preceito e do viés eu sou Senhora.
Impossível partir antes, pois ao equilíbrio damos forma.
Assim, cubro-te com o manto do consolo que me sobra.
Atrás de teus pés, Desespero, caminho.
Acreditando que tua dor vai embora sozinha.
Pois, se ficares por último, tua existência definha.
-- Nayara Oliveira - algum momento até 22/mar/10 --
visitem o blog da Nayara: http://retratopranana.blogspot.com/
21 março 2010
Relacionamento
Um de um, e dois somente!
Todo relacionamento substantivo é verbo - e intransitivo -
em que alguns estalos de paixão se tem.
E nesse meu vocabulário - arcaico, se quiseres -
a única dor existente é a morte de alguém...
Mas essa morte, de vida inteira, dura pouco:
somente até a necessária besteira
de o outro morrer também.
-- João Otero - 21-mar-10 --
Todo relacionamento substantivo é verbo - e intransitivo -
em que alguns estalos de paixão se tem.
E nesse meu vocabulário - arcaico, se quiseres -
a única dor existente é a morte de alguém...
Mas essa morte, de vida inteira, dura pouco:
somente até a necessária besteira
de o outro morrer também.
-- João Otero - 21-mar-10 --
19 março 2010
Meu Doce Suicídio
Decidi morrer do meu jeito, após o meu último pedido
E pedi para correr os riscos, de tudo o que me fez querer o suicídio
E enquanto eu me suicido - afogado no êxtase de tiradas de duplo sentido,
ou soluçando humor-negro embebido em vinho tinto -
veio um anjo branco de olhos claros segurar a minha mão e morrer junto comigo
E esta morte eu quero bem vivida...
Porque nao há nada melhor do que ir morrendo a vida
escolhendo como se morrer
-- João Otero - 18-mar-10 --
E pedi para correr os riscos, de tudo o que me fez querer o suicídio
E enquanto eu me suicido - afogado no êxtase de tiradas de duplo sentido,
ou soluçando humor-negro embebido em vinho tinto -
veio um anjo branco de olhos claros segurar a minha mão e morrer junto comigo
E esta morte eu quero bem vivida...
Porque nao há nada melhor do que ir morrendo a vida
escolhendo como se morrer
-- João Otero - 18-mar-10 --
21 fevereiro 2010
17 dezembro 2009
O jeito errado
Não consegui extravasar o tanto de emoção que eu senti
entre a doçura e a aspereza
da minha infância e do destino que me tem incerto.
Não consegui desvencilhar-me da certeza
que desviar-me da pureza é o jeito certo de prosseguir atrapalhado.
E por mais que todos tenham me falado
que o coração é o caminho acertado,
olho pra ele - e ele apertado, agarrando-se nuns minutos vagos dum presente misturado em uns muitos sonhos -
e vendo ao lado que nessa estrada restaram só alguns poucos desgarrados
- heróis minguados, já costurando suas chagas -
não consegui extravasar do jeito certo
a costumeira incerteza diária e companheira
do meu marasmo e das besteiras que eu não fiz.
E o jeito errado de seguir do jeito certo,
talvez um dia isso me seja revelado
na orelha dum livro, num acorde, num suspiro gritado...
E porquanto sendo ignorante, fazendo certo, seguindo parado,
não consegui extravasar-me da angústia,
de nesta minha meia-vida
- ainda -
não conseguir ter feito nada certo
nem nada errado.
-- João Otero - 17-dez-09 --
entre a doçura e a aspereza
da minha infância e do destino que me tem incerto.
Não consegui desvencilhar-me da certeza
que desviar-me da pureza é o jeito certo de prosseguir atrapalhado.
E por mais que todos tenham me falado
que o coração é o caminho acertado,
olho pra ele - e ele apertado, agarrando-se nuns minutos vagos dum presente misturado em uns muitos sonhos -
e vendo ao lado que nessa estrada restaram só alguns poucos desgarrados
- heróis minguados, já costurando suas chagas -
não consegui extravasar do jeito certo
a costumeira incerteza diária e companheira
do meu marasmo e das besteiras que eu não fiz.
E o jeito errado de seguir do jeito certo,
talvez um dia isso me seja revelado
na orelha dum livro, num acorde, num suspiro gritado...
E porquanto sendo ignorante, fazendo certo, seguindo parado,
não consegui extravasar-me da angústia,
de nesta minha meia-vida
- ainda -
não conseguir ter feito nada certo
nem nada errado.
-- João Otero - 17-dez-09 --
01 dezembro 2009
Obra-prima
Teus retorces; obra-prima do meu gozo!
Em consentidos arranhos nas ancas e sôfregos suspiros de inclemente agonia,
Na escalada ansiosa ante o abismo sem-volta do regozijo - e da revolta - que eu sentia...
Tu, três vezes mais te contorcias
E eu, dopado de alegrias breves mais tardias,
Não antevia o grande nojo, que se estanca, mas que derrama - ah! se derrama, um dia...
E nestas tintas sangradas das telas de minhas retinas
Guardarei teu semblante apertado, o teu batom vermelho borrado, a tua boca suculenta mordida...
Tuas pernas tremulando atravessadas, teu cabelo crespo esparramado e a tua mão entreaberta, estendida.
E deste embate enegrecido e retalhado és meu despojo;
Tu, suprema obra-prima do meu nojo,
Retorce entorpecido da minha vida!
-- João Otero - 28/29-nov-09 --
Em consentidos arranhos nas ancas e sôfregos suspiros de inclemente agonia,
Na escalada ansiosa ante o abismo sem-volta do regozijo - e da revolta - que eu sentia...
Tu, três vezes mais te contorcias
E eu, dopado de alegrias breves mais tardias,
Não antevia o grande nojo, que se estanca, mas que derrama - ah! se derrama, um dia...
E nestas tintas sangradas das telas de minhas retinas
Guardarei teu semblante apertado, o teu batom vermelho borrado, a tua boca suculenta mordida...
Tuas pernas tremulando atravessadas, teu cabelo crespo esparramado e a tua mão entreaberta, estendida.
E deste embate enegrecido e retalhado és meu despojo;
Tu, suprema obra-prima do meu nojo,
Retorce entorpecido da minha vida!
-- João Otero - 28/29-nov-09 --
Não quero mais
Terminar é o que eu mais sei na minha vida
Terminar, não concluir;
Terminar assim, sem o por-vir
É o que mais tenho feito nesta vida
Eu sei deixar aberta minha ferida
Eu sei voltar de um beco-sem-saída
Com um passo nem tão calmo, mas nem manco
E quando se me dá em solavanco minha partida,
Percebo que minha alma, ressentida,
Se apega outra vez num sopro franco...
Terminar é o que eu mais fiz durante a vida
Terminar, não concluir;
Terminar sem mais, com dor, sem rir...
"Não quero mais" - hei de mentir
Terminar, talvez, pra não sentir
Minha parca esperança iludida
-- João Otero - 19-nov-09 --
Terminar, não concluir;
Terminar assim, sem o por-vir
É o que mais tenho feito nesta vida
Eu sei deixar aberta minha ferida
Eu sei voltar de um beco-sem-saída
Com um passo nem tão calmo, mas nem manco
E quando se me dá em solavanco minha partida,
Percebo que minha alma, ressentida,
Se apega outra vez num sopro franco...
Terminar é o que eu mais fiz durante a vida
Terminar, não concluir;
Terminar sem mais, com dor, sem rir...
"Não quero mais" - hei de mentir
Terminar, talvez, pra não sentir
Minha parca esperança iludida
-- João Otero - 19-nov-09 --
Para dizer
Requer-se algum sobejo de sensibilidade alheia para que se possa dizer alguma coisa linda,
...ou alguma coisa extremamente feia.
-- João Otero - 22-nov-09 --
...ou alguma coisa extremamente feia.
-- João Otero - 22-nov-09 --
Poesia a ti
É, eu acho que gosto mesmo de ti...
Me atraquei a ser poeta como nunca vi!
...Eu já penso-poesia quando penso-em-ti!
-- Joao Otero - 5-nov-09 --
Me atraquei a ser poeta como nunca vi!
...Eu já penso-poesia quando penso-em-ti!
-- Joao Otero - 5-nov-09 --
Rio de Janeiro
Fui passsear na bahia
Me disseram que era Rio de Janeiro
Olhei por lado e só vi praia
Não vi o rio;
E é inverno - estamos em julho!
...ou será que é janeiro?
-- João Otero - 1-ago-09 --
Me disseram que era Rio de Janeiro
Olhei por lado e só vi praia
Não vi o rio;
E é inverno - estamos em julho!
...ou será que é janeiro?
-- João Otero - 1-ago-09 --
Na Queda
Se soprarem novos ares...que venham!
Rasgando meu rosto aos uivos, e que tenham
Dó, raiva e desgosto
Elevando minhas asas ao céu, pra eu cair de mais alto!
E que me sinta na queda
Sorver sua carícia fugaz
Gostando do medo que faz
O gélido frio do salto
Pois o que leva, um dia traz...
A emoção contrária da queda
na dura face da pedra,
a qual um dia beijei
No frio de uma dor assaz
Vivi a vida que fiz
Onde jamais alguém quis,
Um dia estive
e voltei!
-- João Otero - 1-mai-03 --
Rasgando meu rosto aos uivos, e que tenham
Dó, raiva e desgosto
Elevando minhas asas ao céu, pra eu cair de mais alto!
E que me sinta na queda
Sorver sua carícia fugaz
Gostando do medo que faz
O gélido frio do salto
Pois o que leva, um dia traz...
A emoção contrária da queda
na dura face da pedra,
a qual um dia beijei
No frio de uma dor assaz
Vivi a vida que fiz
Onde jamais alguém quis,
Um dia estive
e voltei!
-- João Otero - 1-mai-03 --
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