17 novembro 2013

Insônia. Segunda semana. Até parece filme...

Pois bem, vejamos onde levam os pensamentos aleatórios - a essas horas já nem devo pensar direito mesmo:

A palavra do dia (noite) é "ansiar". Ouvi falarem e anotei.

Palavra tão poética. Tão significativa. Desejar, almejar. Tão contraditória. Aflição, angústia. Tão repugnante. Náusea, enjôo.

Uma palavra que parece uma borboleta.
Fiquei pensando qual o meu estágio...

Fiquei pensando se não quer dizer tudo a mesma coisa, também. Deve querer. Deve ter um significado oculto, alguma espécie de radical da verdade, preso em todas as diferentes semânticas da palavra.

E se almejar for mesmo tão próximo de náusea quanto aparenta? Não seria então melhor não almejar?

Aí me lembro das viagens de carro para a praia, passando pelas curvas da serra... Náusea. Fixar o olhar ao longe. Passou... Aprendi com meu pai.

Fixar o olhar ao longe - quando vem a náusea. Ou quando almejar.

E eis que pensei nisso hoje mesmo: fixar o olhar ao longe - de certa forma.
Coincidências? Ou estou apenas fazendo acordado o trabalho cognitivo que o meu sonho deveria estar fazendo comigo dormindo? Organizando as gavetas... Juntando os trapos...?

Organizar os trapos. Fixar o olhar ao longe. Remediar a náusea. Suprimir o desejo.

Fixar o olhar ao longe.
Borboleta.

Bater asas.

Talvez um sonho. Só um sonho.
Só um pensamento furtivo.... Foi lá, voou... Sono. Dormir. (Tomara!)

15 novembro 2013

A abjeta morte de uma imagem idealizada. É a coisa mais triste do mundo.

Três Penas

Tenho três penas comigo:
Uma na mão,
Uma na alma,
E outra no umbigo
- porque lá parou meu coração
Uma me empurra ao perigo
Outra me pune na mesma razão
Mas é a terceira pena que me lembra
O que merece a minha atenção

-- João Otero - 15-nov-2013 --

14 novembro 2013

Café

soou o estampido
levanta
toma teu café
de pão francês
e leva a pobreza
para passear
às seis da manhã
pois deve ser bom
tá todo mundo lá
deve ser bom
volta com o sol
inverte o sorriso
na boca banguela
celebra em birita
batendo uma palma
no rosto lustroso
da tua mulher
e acorda
voltou a alegria!
soou o estampido
levanta
já é novo dia
toma teu café...

-- João Otero - 28-mar-2014 (nova versão --









soou o estampido
levanta
toma teu café
de pão francês
leva a pobreza pra passear
às seis da manhã
deve ser bom
tá todo mundo lá
deve ser bom
volta com o sol
inverte o sorriso
na boca banguela
celebra com birita
e bate palma
no rosto da mulher
e acorda
voltou a alegria!
soou o estampido
levanta
já é novo dia
toma teu café...

-- João Otero - 14-nov-2013 (versão original) --

10 novembro 2013

é muito dificil para mim aceitar a imperfeição
nao que eu nao aprecie beleza na contemporaneidade, nem que eu seja parnasiano
mas ainda sou romantico, idealista
vejo que há arte no acaso
os dramas sao historias até mais bonitas
que esses romances
mas os romances deixam abertas portas, por serem perfeitos, por nao terem feito escolhas ainda
o drama nao: se desenrola, não há volta
eu nao sei ainda viver sem escolha
nao sei bem aceitar, sem ficar imaginando como teria sido abrir a outra porta
estou em processo de reinventar-me
mas consciente;
não por mero acaso
já vejo beleza na
rima imperfeita
na métrica quebrada
nas dissonâncias do jazz e da bossa
Vejo a verdade do aikido
do improviso, do fluxo
o surf
o aceite, a adaptação de darwin
a vida idiossincrática, como ela é - do nelson
mas ainda desistir do sonho,
me soa com um tom de derrotismo
de justificativa
um gosto meio amargo
de icompetencia
até que ponto é uma mudança autêntica de paladar?
e até que ponto é só racionalização - eu, entregando os pontos?
até que ponto sou mesmo eu,  e onde começa minha percepção a ser influenciada pelos meus eus mais íntimos?
fracasso ou evolução,
sei lá...
ainda sou um romântico
no limite do idealismo
afinal, qual a borda do infinito?

01 outubro 2013

Doce

Passou
com a tristeza pendurada nos olhos
por toda a vida
E com um sorriso
de quem não merece,
Numa vida
de quem não esquece
como é doce um sacrifício
Ser triste
era quase uma aquarela
A tinta, um vício
A vida, a tela

-- João Otero - 1-out-2013 --

06 setembro 2013

Ensaio sobre a justiça

O traço mais marcante do ser humano é o egoísmo. No limite, sempre "primeiro eu".
Noções mais amplas de solidariedade e colaboração são praticadas até esse limite, apenas.
E a própria noção de justiça, que é um conceito abstratro produzido sobre esses outros conceitos mais fundamentais, também sofre essa influência. A ponto de eu afirmar que, de fato, não existe. Existe apenas como conceito, mas jamais será respeitado de forma unânime por uma população muito grande, por longos períodos de tempo. E a razão é que a "percepção" de justiça sofre influência do egoísmo, que é intrínsico e basal na personalidade do humano bicho. Senão, vejamos: quando o outro ganha o dobro que eu, tem mais importância o fato de eu ter ganho metade do que o fato de eu ter ganho algo extra, que eu não possuía antes. A inveja é relativa ao outro, não a mim ou ao que eu tenho. E tal fato é totalmente irrelevante ao conceito de justiça em sua acepção mais fundamental. Mas eu "sinto" injusto. Agora, veja-se: um mundo idealizado totalmente justo tende a produzir desigualdade - os indivíduos mais bem preparados, os mais afortunados, os mais inteligentes, os mais capacitados... naturalmente, no tempo, vão produzir mais, vão se sair melhor. Qualquer correção forçada desse fato, implica numa injustiça potencial. Mas assumindo-se que a injustiça não ocorra, haverá ao menos a "percepção" de injustiça, decorrente da inveja humana. Assim, a humanidade se auto-regula num patamar inferior: quem se sobressai demais, torna-se excluído; quem acumula demais, gera revolta; quem chama atenção demais, ganha torcida contra. Tanto em relação a indivíduos, quanto a grupos, classes sociais e até mesmo nações. É notória a predileção dos seres humanos pelo "mais fraco", seja time, indivíduo, empresa... Mas não há nesse fato senso algum de justiça. O fraco não têm necessariamente mais mérito pela predileção.  Há sim um senso de inveja, cuja raíz é o egoísmo humano natural. Há muias vezes um senso de empatia, que também é natural, visto que a "maioria", estatisticamente, tende a ser abaixo da média. O que impera, no fundo, é o egoísmo. A justiça, como conceito, é portanto utópica. Mas se no limite, vale o egoísmo, então no limite vale tudo. Só que isso gera insegurança, que egoísticamente, não é algo bom. Emerge naturalmente decorrente disso um acordo tácito onde certos padrões de justiça são respeitados. Mas o respeito à justiça ocorre apenas do ponto de vista de um máximo "local": pode-se esperar justiças em pequenos fatos; mas não se pode esperar justiça de um ponto de vista de máximo "global", respeitada em todos os momentos em relação a um indivíduo qualquer... pois essa juistiça global produz percepção de injustiça. É quase como dizer que receber justiça demais é injusto... É como se a sociedade ainda exigisse um certo grau de selvagerismo, necessário para acalmar ânimos dos menos afortunados que, estatisticamente, são maioria. Sim, é à força da maioria que tudo se rege. E a maioria é sub-ótima. Apenas uma triste constatação da realidade.

-- João Otero - 6-set-2013 --

02 setembro 2013

Fotografia

Fotografia é arte de fazer poesia com imagens dos outros.

01 setembro 2013

Das duas coisas: Piores tipos de Gente do Mundo

Os dois piores tipos de gente do mundo são: os ordinários.

01 agosto 2013

Meus poemas me dão ânsia de vômito - a maioria das vezes.
E às vezes é o contrário.

15 julho 2013

Grilos

Fica um pouco mais, madrugada
Não me deixe vir incomodar os passarinhos
Cala o barulho do sol que atropela o dia
Pára o tempo no infinito pra eu conversar com os grilos
bem mais serenos que esses passarinhos bobos
Deixa o tempo durar mais um pouco
que essa barulheira do sol faz faltar tempo pra tudo
Nem acabei meu livro ainda…

-- 15-jul-2013 João Otero --

Sucessão

Sucedeu que o moço era pinta. Sapato era branco; chapéu, Panamá.
Sucedeu que a pele era parda. E a palma batia um pandeiro no samba.
Sucedeu que esse moço era bamba, a corrente de ouro pendia no peito.
Sucedeu que o negão tinha jeito. E a morena sambava olhando pra cá.
Sucedeu uma faca - do nada...
Atrapalhou o batuque. Uma poça; uma viatura.
"O que sucedeu?"
"Sei não, sinhô! O moço tava só cantando…"

-- 22-abr/15-jul-2013 João Otero --

17 maio 2013


Se eu pudesse em algumas linhas
equacionar corações,
Talvez me viessem em retas
e catenárias de aço
Firmes riscos que iriam perdendo o traço…
E virariam canções
Embalando dissonâncias de lá…
Coração de engenheiro: a mais frágil estrutura que há

-- João Otero - San Francisco, 17-maio-2013 --

30 abril 2013

Dos bobos, os apaixonados são os mais espertos.

07 março 2013


Pluralizei com retóricas o pronome da carta que te escrevi: diálogo íntimo com meu alter ego.
Meu jardim esteve sempre aberto a visitações.

-- João Otero - 7-mar-2013 --

04 março 2013

Saudade



Era a saudade...
Que tingia de azul a rosa
Que regava o gramado da idade
Que calava esta voz que medra
Ao ver esculpida na pedra
Uma derradeira prosa
Era a saudade.

-- João Otero - 4/mar/2013 --

09 janeiro 2013

Companhia


...eras mais bela quando tinhas olhos tristes
mas ainda agora tu insistes em me fazer companhia
enchias-te de lágrimas enquanto eu te sorria
e agora tu me esnobas exagerando alegria 
pois veja só como é… veio outro dia!

mas ainda é sempre muito bom te ver, minha cara poesia

-- João Otero - 8-jan-2013 --

04 janeiro 2013

Passarinhos suicidas


Passarinhos suicidas
se jogam na frente do carro
quando começo a correr

Passarinhos suicidas desastrados
...Nunca conseguiram morrer

-- João Otero - 4-jan-2013 --

03 dezembro 2012

Beijos n'água




bateu veloz a asa num zum-zum aveludado
bebericou a água e me mandou um beijo a nado
ficou um tempo em fanfarra, ali no meio do círculo:
picadeiro do circo da cigarra

-- João Otero - 3-dez-2012 --

Vermelho

Quisera ter eu teu batom borrado em meus lábios
Quisera ser sábio pra te conquistar
Quisera ter sorte em quem sabe na vida que passa
Saber te tirar pra dançar
E um pouco mais perto de ti,
Um pouco mais perto da boca,
Ou em qualquer lugar,
Poder aproveitar esse brilho vermelho
Que apenas das almas leoninas emana:
Vermelho de paixão sem-par

-- João Otero - 2-dez-2012 --

16 novembro 2012

Bom-senso


Ah, o bom-senso… (Onde está?!)
Na cabeça de um velho, 
no propósito e na intenção…

Mas nunca o vi acompanhar o outro lado do balcão
quando no lado de lá tem mais pêssego e salário,
e muito menos trabalho 
em só obedecer ao patrão.

Ah, se o balcão soubesse, como bem sabe o patrão,
que do lado de cá tem mais dinheiro,
e um problema, e pouca mão...

…Mas sou brasileiro: dou um jeito!
Jamais vi, até hoje, bom-senso analfabeto de compaixão!

-- João Otero - 16-nov-2012 --

24 setembro 2012

Se encantam as crianças... Por que se encantam?
Se encantam por não saberem dos desamores
Se encantam porque os temores não existem
Aos que são do encantamento,  encantadores
Encantam-se de alfazemas, de algazarras,
Encantam-se de sonhos multicolores
Em bocas enxergam beijos; em olhares, flores
Não vêem nós nas amarras; não temem dores
Se encantam... De que importa serem pequenas
Se o tempo tampouco tem um tamanho?
Se encantam porque o momento vale a pena
E é muito mais sábio que os anos

-- João Otero - 24-set-2012 --

05 setembro 2012

Sobre a zona-de-conforto


        Provavelmente você já tenha ouvido falar da estória da corrida que apostaram o coelho veloz e a tartaruga lenta… E o coelho dispara na frente enquanto a tartaruga segue naquela lerdeza constante. Aí o coelho resolve parar para descansar - já que está tão à frente - e acaba caindo no sono, dormindo demais, e perdendo a corrida para a tartaruga lenta.
        Há quem pense que a moral dessa história é "devagar e sempre". Engana-se quem entende assim.
        O engano decorre de uma falácia: a falsa impressão de que existe apenas duas alternativas entre as quais escolher.
        Mas a moral da estória está implícita. Não se trata de uma escolha entre a mediocridade continuada e a excelência esporádica. A resposta correta é a que não aparece na história: a excelência continuada. A tartaruga persistente vence porque o coelho é idiota. Se fosse um coelho esperto, que não parasse para descansar (que é a armadilha para acabar cochilando), teria entrado para os anais das estórias infantis como o vencedor da corrida.
        Mas para isso não se pode deixar cair em suas zonas-de-conforto. Não se pode dormir demais. Aliás, não se deve dormir enquanto não passar pela linha-de-chegada. Não seja um coelho idiota!

-- João Otero - 5-set-2012 --

20 agosto 2012

One day to try (Poetic dialog with Bob Marley)


above the shades of graves and
below the shinning sky
I saw a man and his dreams
to rot alone and die
his friends of slippery hands
his youth in search to find
a love, a break in violence
a sweeter suicide
and all those tears so sad...
the man who cried
it's all he ever begged
one day to try
one day to try

-- João Otero - dec-29-2011 /  aug-20-2012 --

17 agosto 2012

Fui hoje refrescar meus olhos, mas acabei por acalmar minha mente, meio que a contra-gosto.
E a conta-gotas fui pingando o dia.
Até ficar aqui ouvindo as verdades da country music à esta hora dos poetas.
O desfecho sempre foi sabido; nunca aceito; jamais compreendido... mas quem o sabe, de verdade?!
Se não dormi ontem, tampouco vai ser agora... Se prolonga a infância, se repetem os erros, e eu teimo em não aprender.
Do que me arrependerei amanhã? Tomara que não das mesmas coisas de sempre... Tomara que de arrependimentos diferentes. Tomara que haja um senso de progresso - ou talvez regresso, àquilo que ainda não tive. Junte-se as pedras deixadas atrás no caminho e faça-se a ponte pelo abismo.
E à country music, e ao vinho, e às horas pingando ainda... E ao meu violão que me deu bom-dia, e vai me acordar amanhã... E ao dia que já vem... Bem, o que dizer? Melhor curtir - pois é curto o tempo para ficar tentando se acertar sempre. Às vezes é do jeito errado o mais certo.
E hoje o dia veio errado. Mas talvez tudo dê certo. Vá se saber...

12 agosto 2012

Hábitos


Sempre fui muito criativo e passei a acumular muitas ideias em notas e desenhos, e sempre gostei de planejar; e nunca gostei de perder minhas ideias nem os meus planos. Então já há algum tempo passei a me interessar pelo tema da "organização pessoal", que iniciou como uma necessidade ferramental, mas conforme aprofundei os estudos acabei percebendo que o cerne da coisa era muito mais psicológico e comportamental do que técnico.

Também já há algum tempo me interesso por comportamentos. Nunca estudei psicologia, e particularmente não confio em psicanálise, mas digamos que passei a consumir os livros de "divulgação científica da área psicológica". Esse interesse nasceu vendo as ilustrações de O Corpo Fala, e prestando atenção na linguagem corporal das pessoas, desde pequeno - até que isso virou automático, e eu acabo sendo um razoavelmente bom "leitor de pessoas" agora. 
O interesse em psicologia se reforçou quando passei a perceber que as ciências econômicas eram de fato ciências sociais (e não ciências exatas), e que as leis econômicas eram leis de comportamento. 
E o interesse por economia por sua vez nasceu também de uma necessidade ferramental, quando fiz um MBA em Gestão pela FGV (parei no meio para ir trabalhar na NEC Labs), e tive uma aula excelente sobre macroeconomia. A partir dali passei a compreender os movimentos econômicos das massas... o que me fez mais tarde nutrir interesse pelo livro Freakonomics, onde aprendi e entedi de vez que de fato as ciências econômicas têm muito mais a ver com psicologia do que com matemática. E isso reforçou o meu interesse em psicologia. Até que atualmente não foi com nenhuma resistência que passei a me interessar pelos conceitos de "gamification" e "usabilidade" que estão em voga no campo dos aplicativos web e mobile com os quais trabalho no Spotwish (mas isso é uma outra história...).

Bem, voltando ao interesse em organização pessoal, certa feita comprei por puro acaso o livro Getting Things Done, e ele mudou completamente a minha visão sobre o tema, pois me fez perceber que a abordagem adequada para se lidar com "organização" é perceber do ponto de vista psicológico que existem certos fatores de resistência que dificultam o processo, e ensinou algumas técnicas para se tentar reduzir essas barreiras. Ele te ajuda a criar bons hábitos de organização pessoal de uma forma mais natural, afim ao teu processo natural de funcionamento.
Ainda no interesse em me organizar melhor, acabei comprando Os 7 Hábitos das Pessoas de Altamente Eficazes, best seller no mundo - que nunca li complemetamente, mas rapidamente entendi a mensagem, e logo me pôs a pensar: o que faz algumas pessoas terem sucesso e outras não? O que faz certas pessoas tornarem-se heróis, líderes, ícones?

É fácil perceber que não se trata de nenhuma característica inata na maioria dos casos - pois se assim o fosse, todas as pessoas de sucesso seriam gênios ou supra-sumos genéticos, e isso nitidamente não é o caso.
Me lembrei do livro Inteligência Emocional no Trabalho, que deixa muito claro que as habilidades emocionais são as que mais trazem impacto no nível de sucesso e felicidade alcançados pelas pessoas, e que a inteligência convencional ou as características físicas influenciam muito menos do que convencionalmente se imagina.

É também fácil perceber que não é o meio que determina o sucesso, ou a família, ou as condições sociais - pois fosse assim não haveria movimento social entre classes, nem Gandhi, nem Cristo e nem Mandela seriam ícones, e nem haveria tantos outros diversos casos de pessoas em condições extremamente desfavoráveis que fizeram enormes fortunas em pouco tempo, a despeito de tudo. A propósito, alguém aí viu o filme Em Busca da Felicidade?!

Será que as pessoas de sucesso têm alguma "fórmula secreta" implícita em si? Qual essa fórmula? Não fui o primeiro a perguntar isso - aliás, foi essa pergunta que levou o autor dos 7 Hábitos a descobrir padrões de comportamento entre as pessoas de mais sucesso, e a escrever o livro.
Lembrei de um programa da NatGeo onde estavam mostrando uma espécie de siri lutando: naquela espécie, dois siris machos iriam lutar e o perdedor perdeira apenas uma única vez na vida: o perdedor dispara um mecanismo em seu cérebro que o torna submisso para sempre! Isso realmente me pôs a pensar: o macho perdedor  é perdedor simplesmente porque o cérebro dele lhe diz para ser. E se o cérebro do perdedor não registrasse essa derrota, ele poderia lutar novamente com o macho alfa e vencê-lo? E se o macho alfa venceu por sorte, porque tinha uma pedra no meio do caminho (sem qualquer conotação poética...)? Será que esse tipo de mecanismo existe em nossos cérebros também?! Será que essa é a diferença entre as pessoas de sucesso e as pessoas comuns - a simples "crença", impressa em nosso cérebro, inconscientemente, de que "podemos" ou não "podemos"?

Mais tarde houve outro livro, Thinking and Reasoning in Human Decision Making, que passei a estudar porque também me interesso pela forma como as pessoas se comunicam. Já me interessava pelo tema das "discussões que viram briga", pois me irritava entrar numa discussão e apresentar todos os argumentos lógicos e mesmo a outra parte entendendo a lógica, não aceitar a dedução dos argumentos (pois isso é lógicamente impossível e incoerente). E voltei a me interessar pelo tema quando percebi que para uma "democracia direta" a principal ferramenta necessária é um framework pelo qual um número muito grande de pessoas consiga chegar em um consenso lógico. E especialmente para tentar criar esse framework de como as pessoas poderiam chegar a consensos de forma lógica, comprei esse livro - e acabei por entender que as pessoas não se comunicam de forma lógica. Grande revelação: a maior parte das nossas decisões cotidianas não são baseadas em lógica, mas sim em heurísticas, que na maioria das vezes são muito influenciadas por aspectos emocionais!

Ahá! Agora junta tudo: Inteligência Emocional, que diz que o controle emocional é o principal fator de sucesso; os 7 Hábitos, que indetifica padrões comportamentais nas pessoas de sucesso; o siri do NatGeo, que gravou em 1 momento no seu cérebro um comportamento que influencia o resto de sua vida... Resposta: os hábitos são o que diferenciam os gênios, os heróis e os líderes, das pessoas comuns; os hábitos é o que dão sucesso às pessoas. 

Os hábitos são comportamentos cotidianos que fazemos sem pensar, durante a maior parte do nosso tempo. Não são momentos de sorte ou de superação que mudam a vida das pessoas. Sim, podem mudar; mas como a vida é longa, a probabilidade de "azares" de mesma magnitude é a mesma, e no final tudo se equilibra. Mas algo que você faz o "tempo todo" e na "maior parte do tempo" tem um efeito cumulativo durante toda a sua vida. O sucesso é uma construção cotidiana, moldado em hábitos.
Desde lá passei a me interessar pelo tema "hábitos". E percebi padrões de algumas pessoas de sucesso, como no livro do Bernardinho, onde ele demonstra o hábito de se manter fora da zona-de-conforto para atingir e manter níveis de excelência esportiva; no livro Pai Rico Pai Pobre, onde o autor em um trecho conta ter feito um curso sobre mercado imobiliário e que ficou rico (simplesmente porque ao contrário dos seus colegas de curso, ele resolveu de fato por em prática o que aprendeu no curso); e diversos outros livros e comportamentos cotidianos de pessoas diversos (aos quais eu ainda continuo prestando atenção).
Recentemente aguardando pelo horário do cinema acabei matando tempo em uma livraria (dois dos meus hábitos), e me deparei com o livro "The Power of Habit". Comprei sem pensar, mais interessado em gamification (porque estou muito focado em fazer do Spotwish o melhor aplicativo que irá proporcionar a melhor experiência de vida real do mundo), e me surpreendi muito. Ele explica como os hábitos se criam, como mudar hábitos, e todo o processo cerebral envolvido nisso. Fundamentou o que eu já desconfiava. Recomendo a leitura.

Enquanto uns assistem novela, outros têm o hábito de ler. Enquanto uns dormem um  pouco mais para curtir a sensação de prazer do sono, outros levantam cedo para fazer exercícios. Enquanto uns correm risco, se manifestam e inspiram as massas, outros sofrem calados e submissos. E tudo são hábitos, construídos e reforçados no dia-a-dia. E isso é o que explica e diferencia as pessoas de sucesso: hábitos - mesmo que inconscientes. 

E não me entendam mal: não faço julgamento de valor em cada atividade. Talvez ver novela te torne uma pessoa mais feliz e isso seja mais útil para alguém do que ler (e há leituras mais ou menos úteis para cada indivíduo também...).
Mas se conscientemente buscarmos mudar os hábitos que não queremos ter, isso será um dos principais fatores de diferença nos resultados que você vai alcançar ao longo de sua vida. Hábitos não dependem da sorte, nem de outras pessoas, nem do clima. Hábitos dependem de você, apenas.

E se os meus pais, tia e vó não tivessem o hábito de ter sempre livros e enciclopédias esparramados pela casa, aliado à minha curiosidade inata, possivelmente eu não tivesse me habituado a ler tantos livros e nem tido tantas referências para acabar percebendo isso.
Aliás, hoje é dia dos pais: obrigado pai!  :-)

-- João Otero - 12-08-12 --

29 julho 2012

Me disseram

"Graças a Deus!" - me disseram... :(

28-abr-10

Quando


quando a porrada vem
a gente fecha os olhos
quando apita o trem
a gente vira as costas
quando a saudade aperta
a gente liga o rádio
quando a distância aparta
a gente manda a carta
deixe o amor que arda
e a alegria tarda
e a gente faz é nada

-- João Otero - 29-jul-2012 --

22 julho 2012

Da Lua


Porque a Lua inspira tanto o poeta?
Deve ser esse desdém no olhar, 
tão discreta espiando e lá, tão alta, 
e tão difícil de alcançar,
e tão esbelta, 
que nem precisa lembrar ao poeta
do seu devido lugar...

E porque o poeta só quer tanto o que não pode?
Ah... essa é a pergunta que me fode!

-- João Otero - 22-jul-2012 --

19 julho 2012

Menino


virada a pele do'homem ao avesso
debaixo o menino aparece
que coisa! perceber que em seu sentido
autêntico a impressão não se arrefece:
mantém sutil o rosto mais travesso,
e tudo o que é mais puro segue ileso...
e sem qualquer pudor (por mais que inspire),
ao tom do pensamento reza a prece: 
que eu possa ter enquanto ainda respire,
vazio de medo e livre de outros pesos,
de novo, as verdades que mantive
de volta a completar quem me merece

-- João Otero 19-jul-2012 --

18 julho 2012

Da Dor


Sofri, mas de sofrer se esquece
ao se passar constante em dor as horas
Espero pela dor que me merece
a despertar-me mais bravio no agora
atenta à aflição terrestre
do sonho que mais alto mora
Machuca, mas mostra-me que sentes
o apelo doentio que chora
clamando pelo amor latente
que um dia leve a dor embora

-- João Otero - 18-jul-2012 --

Para Poesia


Chega de clorofila,
de rimar as dores do amor,
chega de mitologia,
de reis, de deuses, de mar...
Não me venhas declamar atos heróicos, conquistas...
Não me filosofe no ouvido
deixando opiniões em pistas
Chega de abstrações concretas:
sejas direta! Mas sem pornografia...
O que quero que me digas? 
Entretém-me - és arte! -, Poesia!
Quintaneie-me um pouco, que eu preciso me acalmar
Que escrevam-te com as vísceras,
não com a mão, nem com a cabeça...
Há de te escrever, quem te mereça,
com os dedos do coração!
O que quero de ti, Poesia? 
Só um aparte de alegria!
Menos de filosofia, e um pouco a mais de arte!

-- João Otero - 18-jul-2012 --

07 julho 2012

Plumas







          plumas passaram
          pairando pelo pátio,
          portando pedidos...

          pingaram pintas de ciúmes 
          nas pedras




Veja outros poemas da coleção Letras

-- João Otero - 7-jul-2012 --

14 maio 2012

Perros




Palomas, perros,
pueblo -
pordioseros...
pidiendo pesos;
pescando restos.



 Veja outros poemas da coleção Letras

-- João Otero - Buenos Aires - 14-may-2012 --

Tango

También escribí mi tango en el Tortoni
- y quién bailaba era mi lengua:
Si lo peleó con leche quente, y el portugués,
y los dulces labios rojos de una chica.

-- João Otero - Buenos Aires, 10-maio-2012 --

06 abril 2012

Visita à Andradas

Que bonita que és,
Andradas querida!
Dentre as belas,
a mais bonita
namorada do Quintana
Que te declamou a vida
em teus trejeitos e reclames
Depois dele não há
quem não te ame!
Até nessas tuas rugas,
e em todos os teus cochichos...

-- João Otero - 5-abril-2012 --

27 março 2012

Boiada

Passa boi, passa boiada
- bradava o vaqueiro valente,
mas parou.

Veio pra São Paulo,
e lá vai ele...
passando como boi
na escada rolante
do metrô.

-- João Otero - 27-mar-2012 --

22 março 2012

Nostalgia de minha terra

Senti saudade dumas gotas d'água
Ah!, quem bebeu dequela fábula...

-- João Otero - 22-mar-2012 --

08 janeiro 2012

O ócio

o ócio
é simplesmente mais um pouco
de tudo o que é fútil
de tudo o que é pífio
um grito que é rouco
é o sócio da agonia
com maestria encarnada em dó
é aquele nó da garganta
de quem não mais se levanta
com a pancada de um soco
é quando o espírito, roto,
já desistiu
virou pó

-- João Otero - 9-jan-2012 --

Transitório

quando se chora de alegria
é por perceber
que tudo o que sempre se queria
jamais voltará a ser

-- João Otero - 8-01-2012 --

04 janeiro 2012

Minha poesia samba

Gosto da imagem da língua
batucando o céu da boca
abafando as notas mudas
de cada letra
como quem samba

Eu gosto da rima pobre
que rima mais, com muitas cores;
pois não é a alegoria
do fim da frase
que me faz bamba

...É esse embalo na rima
e a embriaguez deturpando
duas palavras amigas
de fim-de-festa,
quando se camba

-- João Otero - 5-jan-2012 --
Já não faço mais resoluções de fim-de-ano.
Tampouco reclamo do ano passante ou o menosprezo. Não espero mais que o ano que vem seja melhor.

Torço simplesmente para que ele não me traga maiores problemas do que trouxe o que já se vai (porque vendo daqui, até foi fácil...). Mas não é nem ao ano a quem eu rogo; é a mim mesmo. Decisões mais sábias, mais experiência.

Experiência que aprendi a consolidar com uma retrospectiva de tudo de bom que aconteceu nesse ano que passou. E teve muita coisa boa. Abro um sorriso porque eu sei que o próximo vai ser ainda melhor.

E quanto ao primeiro do ano, é simplesmente uma continuação dessa trilha. Não tenho nada para renovar ou prometer. Baixar cabeça e continuar trabalhando. Não se mexe em time que está ganhando, afinal.

Começar tudo de novo é burrice. O caminho percorrido é parte da trilha.

26 dezembro 2011

Da poesia

A poesia
a mim
vem como uma criança
assim
como a esperança
de voltar a sentir aqueles anos
tão cheios de planos
tão leves de enganos
por mais um dia

-- João Otero - 27-dez-2011 --

Parreiras

Parreiras de uva
- e de que mais seriam?!
De cachos dourados?
De cachos que brilham...?

Parreiras de amantes
fugidos da chuva
Pecados travessos
com gosto de uva

-- João Otero - 23-dez-2011 --

17 dezembro 2011

Faquir

Faquir

foi faquir de seus próprios sonhos
com agulhadas, com nostalgia
foram tantos os desesperos que nem mais sentia
e nessa cama de cacos a sempre embalar seu sono
suspendeu-se acima de quaisquer mazelas
e com nenhuma ferida, em apatia
pairou lá, adormecida, e nem sabia
que lhe ninavam as estrelas

-- João Otero - 17-dez-2011 --

30 outubro 2011

O silêncio e a sacolinha

o silêncio roçou meus dentes
despido de melodia
...ele simplesmente não sabia
 qual nota desafinar

logo o vi dobrando a esquina
pegar carona num vento
e assobiar...

fugiu com uma sacolinha...
e talvez tenha esquecido
algumas palavras pra trás

-- João Otero - 31-out-2011 --

26 outubro 2011

Olhos de ver

quando nasceu o meu olhar
desabrochando um sonho
com olhos de ver
que eu nunca havia tido

quando antevi o perigo
que a estabilidade tem
em embalar o tempo
com mesmice

resgatei a criancice
inocente do impossível
e pintei uma tela
com o que não existe

e então eu soube por que viver

-- João Otero - 26-out-2011 --

23 outubro 2011

Porque pediste pra eu falar de cores (Verde)

                         E a barba grisalha de um velho
                         que ali mendiga
                         E a esperança...

                         E o limo, a pedra, a Pátria
                         escorregando
                         E a desavença...

                         E a folha tão frágil
                         tombando
                         Mas não ao vento

                         E a mata - enquanto há mata -
                         antes que mate-se
                         o sentimento


Veja outros poemas da coleção Cores

-- João Otero - 23-out-2011 --

20 outubro 2011

Poetic Dialog with Robert Frost

Poetic Dialog with Robert Frost

I know, my friend, I'm getting old.
And true, some things are hard to hold...
The golden green of morning breath;
And drops of hope along the path.
As we both know, the bright sun fades.
Yet, in the poles, it longer stays.
I'd rather sit here far away
but keep this gold all day.

-- João Otero - oct-20-2011 --

16 outubro 2011

Porque pediste pra eu falar de cores (Marrom)

                                  ...e vi as folhas caindo
                                  embalando o tempo
                                  a levantar poeira

                                  há a foto velha em minha memória
                                  alguns cafés às tardes virando história

                                  e vou vivendo à brasileira
                                  neste passatempo
                                  às vezes lindo...


Veja outros poemas da coleção Cores

-- João Otero - 16-out-2011 --

14 outubro 2011

Linda

métrica perfeita da formosura...
alguma coisa que tens é a loucura
renunciando a minha cautela
traíste a beleza: és mais bela!
incandesceste a ternura
na perfeição que modela
atentamente teus traços
lapidados em um só passo
intencional de candura
nem mesmo um dó se desvela...
dessa dor que me flagela
aténs-te à beleza mais pura

-- João Otero - 14-out-2011 --

11 outubro 2011

Porque pediste pra eu falar de cores (Vermelho)

                                  E há essa rubra feição em meio à ingênua maldade
                                  ...esse rubror da serpente;
                                  a cor das maçãs na face
                                  E há o borrado batom nas esquinas da cidade
                                  ...esse rosado que veste
                                  a nua pele em disfarce
                                  E o há numa língua ansiosa, porém que diz a verdade
                                  Ele, às paixões, dá uma rosa
                                  ou tinge o chicote que arde


Veja outros poemas da coleção Cores

-- João Otero - 11-10-11 --

06 outubro 2011

Lágrimas




Lágrimas lustrosas!
Lisonjeando - lastimosas - lindas linhas,
lisos lábios,
lúdicas línguas...
Liras lacrimosas!
Lastros latejantes!
Listrando leves lâminas,
lancinantes  lástimas,
lânguidos cortes...



Veja outros poemas da coleção Letras

-- João Otero - 28-set-2011 --

03 outubro 2011

Saudade





sorriso: saudade
solidão... so sad
saída? sei lá...
sossego? someday...
se saio sorrindo,
- será? - sonhei!



Veja outros poemas da coleção Letras

-- João Otero - 3-out-2011 --

16 setembro 2011

A minha alma

A minha alma

roendo as unhas
rangendo os dentes
mexendo as pernas
resmungo preces

e a minha alma
antes desnuda
de que se veste?

atrás dos panos
depois dos planos
passado os anos
ela se veste...

a minha alma
regada a sonhos
me desmerece

-- João Otero - 16-set-2011 --

21 agosto 2011

Reflexão Cinestésica para Pensar em Voz Alta

Reflexão Cinestésica para Pensar em Voz Alta


                                                                    Uma vela
                                                                    acesa pra ver...
[1 pausa]
                                                                     Mas quantas velas
                                                                     pra não se poder mais
                                                                     conseguir olhar?
[1 pausa]
                                                                     E tantos corações
                                                                     fazendo o peito bater
[1 pausa]
[sussurrando:]                                              mais rápido
[1 pausa]
                                                                      Mas um só coração
                                                                      deixando o peito pairar
[1 pausa]
[sussurrando:]                                               estático
[2 pausas]

                                                                       O que devem fazer
[inspira fundo, enchendo todo o pulmão]
[em voz alta, num só sopro:]                          aqueles que sorvem os extremos sem
                                                                                   /nem sequer saber que gotas
                                                                                   /são mares e mares são poças?
[inspira fundo]
                                                                        ...Questões que são perigosas
[1/2 pausa]
                                                                         em faltar respostas.





-- João Otero - 21-ago-2011 --

28 julho 2011

música: Teu herói

Teu herói

eu queria poder te embalar
numa nota alegre, todo dia
eu queria fazer versos de criança
imaginando
como será a vida

eu queria poder fingir que não cresci
e sair piruetando
por aí

mas não cabe, meu nenêm,
muito mais de fantasia
quando a noite é fria
e o dia vem

eu queria te dizer que a matemática
e que todas as coisas têm sentido
e que brincar com fogo é pura mágica
e que brincar no mar não tem perigo

mas eu preciso te dizer que a saudade dói
e que eu queria poder ser teu herói
pra te dar a mão
te proteger das armadilhas
do teu coração
...pois eu sei que elas vêm
(mas também passam como um trem)

    só sei que eu vou te ver
    eu vou te ver
    mesmo que passe um tempo
    longe de você
    eu sei que eu vou te ver
    eu vou te ver
    mesmo que caia o mundo
    eu vou ir te ver

eu queria te dizer que beterraba é bom
e que você nunca irá desafinar o tom
eu queria te dizer que não engorda o chocolate
e que não morde mesmo o cão que late
...mas não posso ignorar o pára-brisa
balançando essa chuva
neste dia cinza
...quando você crescer
você vai me entender

    só sei que eu vou te ver
    eu vou te ver
    mesmo que passe um tempo
    longe de você
    eu sei que eu vou te ver
    eu vou te ver
    mesmo que caia o mundo
    eu vou ir te ver

e se acaso a professora te aborreça
eu queria te contar que ela é besta
mesmo que um dia você cresça
e que mudem as vontades na cabeça
não se esqueça de ser você
nunca desapareça
meu bebê

    só sei que eu vou te ver
    eu vou te ver
    mesmo que passe um tempo
    longe de você
    eu sei que eu vou te ver
    eu vou te ver
    mesmo no fim do mundo
    eu vou ir te ver

-- João Otero - 27-jul-2011 - pelos meus 31 anos, para minha sobrinha Valentina --

20 julho 2011

Minha Voz - outra versão

Minha Voz - outra versão

minha voz
fala em gestos, embalada
num compasso triste
como se comendo alpiste
grão por grão

minha voz
tem a garganta machucada
de ajoelhar-se dia a dia
na costumeira agonia
da mesma lição

-- João Otero 19-20/jul/2011  --

Comemoremos

comemoremos
os remos que levam a vida
como morremos
comemoremos
os vermes que comem
oremos

-- João Otero - 20-jul-2011 --

19 julho 2011

How should the sound have been
if from the skin you cut
there was no other but
your very own blood?

-- João Otero - 19-jul-2011 --
minha voz
se embala em gestos
num compasso triste
como se comendo alpiste
grão por grão

-- João Otero - 19-jul-2011 --

18 julho 2011

Adiante



quero da minha vida
    que passe um segundo adiante
    e que desta hora, irradiante
        se derrame pelo tempo
        deixando atrás o momento
            que pensei ter visto
            como artefato bem-quisto           
                de um futuro que aguardava
                e que agora, com uma clava
me fere o peito.


-- João Otero - 18-jul-2011 --

17 julho 2011

Para lembrar de não ser idiota

Para lembrar de não ser idiota.

A luz é fraca, quase negra, não ilumina. E piscou um pouco até que parou.
Pela fresta da janela eu vejo as folhas de uma árvore balançando ao vento desta noite acinzentada. Garoou o dia inteiro...
De fundo, eu ouço um jazz bem brasileiro na voz dôce de uma negra. Negra como este escuro em que estou. Ouvindo o barulho de água roçando no brasilite.
Não; não é da chuva lá fora. Sou eu, sozinho aqui neste escuro, tentado - bêbado - acertar o mijo no lugar que lhe pertence.
Mijo, sim. Sem vergonha. Por que eu haveria de ter?! Todos mijam... Eu inclusive.
Vergonha, não: há de se guardar o pudor para coisas mais nojentas. Como a burrice, por exemplo. Como a minha burrice...
Que eu tento exorcizar nesse mijo. Que eu tento exorcizar nestas palavras.
Pois no banheiro fedorento de um bar de jazz só se chega depois de algumas cervejas.
No meu caso, ainda somente após confundir a porta da cozinha com porta de banheiro por duas vezes - até entender que, não, não é um mijão eterno preso na portinhola; e sim o cozinheiro. A porta do banheiro é a do outro lado. Mas porra de arquiteto, também!, que pôs a placa do banheiro antes das duas portas.
No meu caso ainda, só depois de muitas cervejas. A ponto de confundir a porta da cozinha com a porta do banheiro duas vezes. Mas acho que já disse isso...
E este jazz, neste bar, é somente a chave dourada para encerrar o meu dia cinzento. Moroso. Chato pra cacete! - se querem mesmo saber.
O dia em que tudo deu errado.
Desde meus times perderem, a mesa do bar quebrar, o pedido ser entregue errado, perder a ex-futura-quase-namorada.
...É, teve essa parte também neste dia.
Teria, por acaso, outro motivo mais nobre para se mijar ao som dum jazz?!
Eu sempre tive uma certa melancolia intrínsica em mim mesmo. E às vezes ela aflora. Se solidão, se pressentimento ou se apenas efeito do Fernando Pessoa a altas horas da madrugada, não sei. Só sei que ela aflora.
E nessas horas, minha cabeça vira um lixo. Junta as peças, conjetura tudo. E invariavelmente conclui que a vida é uma merda.
E em dias como hoje, a vida é realmente essa merda.
Porque não há espaço - parece-me - aos ingênuos, aos sinceros; aos idiotas, em suma, como eu. E por menos ingênuo que eu seja, nessas situações sou um completo idiota.
Porque qual o sonhador que não é idiota? Qual o idealista que não é idiota? Quem, em santa inteligência, acreditaria que as coisas são realmente simples, que tudo é possível, que a distância entre dois amantes separados por mil quilômetros é apenas a largura de um avião, que pelo computador se pode conhecer a pessoa de nossas vidas? Quem em santa inteligência acreditaria que meses de conversa e o som da voz no telefone, e um café ou dois, e umas voltas de carro bastariam para conhecer alguém? Quem em santa inteligente idiotice acredita em juras suspiradas ao pé do ouvido - depois de um beijo?
Nem parece eu! Euzíssimo eu mesmo! Eu, o eu burro - não este, realista. Eu, mais uma vez...
Então bebo. E ouço jazz.
Bebo e ouço jazz porque me seda a burrice.
Porque apesar de não acelerar o tempo, o disfarça.
Serve-me como o remédio - que só tapeia a chaga até que o corpo, por conta, a cure.
Como o remédio, hoje servem-me a cerveja e a cachaça; que se não me cura, pelo menos disfarça a dor que só o tempo cura.
Mijo o que eu puder dessa memória. Mijo lembrando da cara dela.
Mijo com nojo, querendo mijar de mim tudo o que eu me lembro.
Ou talvez não devesse esquecer? Para deixar de ser idiota!
...Ok! Então, eis uma marca de estilete em minha memória.
E que fique aqui neste blog, para todo o sempre.
Amém.

-- João Otero - 17-jul-11 --
A fidelidade é uma eterna dúvida; somente pode ser reforçada, mas jamais auferida.
A infidelidade é facilmente provada, bastando um único fato.
Mas não há um único fato que prove a fidelidade.
A fidelidade, a lealdade, a confiança... todos esses sentimentos exigem plenitude.
E essa propriedade é que distingue os sentimentos que valem realmente a pena.
Porque a plenitude investe o "tempo" para atribuir-lhes valor.
Esses sentimentos não valem por que o "são" neste momento; e sim porque "foram" já por muito tempo.
Se alguém lhe tem lealdade, se alguém lhe tem fidelidade, se alguém lhe tem confiança... cuide bem! É muito difícil conquistá-los.

14 julho 2011

Batom



Beija com saudade meu peito risonho
o borrão vermelho de minha lapela
feito com mordiscos sob luz de vela
pelos dôces rubros lábios de uma bela
ante o ciúme tolo doutros que eu exponho
nesta minha boca que sempre se esmera               
e somente a ela pode ser sincera
ao jurar que um beijo vale como um sonho.

-- João Otero - 14-jul-2011 --

04 julho 2011

Lá longe



É um olhar bem diferente
o desse olho que só vê...

O ollhar que ora me chama
tem um olho que só sente

...Lá ao longe aquela chama
são os olhos de quem ama
e brilham mais do que se crê

-- João Otero - 2-jul-2011 --
A impossibilidade de tocar a ausência - com a certeza de senti-la...
Não compreender o infinito - nem tampouco conceber um fim sem que haja algo depois...
Dar nome ao nada - que é algo que não existe e nem sequer é imaginável...
Marcar-se na testa com a consequência do tempo - mas sem jamais descobrir sua causa...
Viver e morrer ao mesmo tempo - e contentar-se em não ter um propósito na imensidão desse tudo
...que o é, por si só, a única coisa que faz sentido.

-- João Otero - 2-jul-2011 --

20 junho 2011

Serenata de Amor

A Garoto deveria lançar um bombom Serenata do Amor com um raio 50% maior.
E deveria repensar a engenharia estrutural do bombom para permitir que com uma mordia a "casca" do bombom se desgrude do recheio de forma mais fácil (geralmente a parte de cima sai fácil, mas a de baixo gruda no recheio...).
Mas tem que exigir a "mordida"; não pode desgrudar tão facilmente senão perde o lúdico da coisa...

Por quê?

Ora, quem já foi criança sabe que o jeito certo de comer bombons é separar o recheio da casca, que fica pra ser degustado somente no finalzinho.

E porque aos adultos saudosistas e chocólatras como eu já não sentem as mesmas sensações do tempo de criancice.
Fiquei pensando nisso esses dias, e a explicação é lógica: quando eu era criança, o bombom era quase do tamanho da palma da minha mão! Eu demorava um certo tempo degustando a iguaria...
Agora, na minha mão cabe uns 4... Ponho inteiro na boca, e 3 segundos depois já acabou!

E mesmo que os adultos não tivessem esses complexos quanto ao peso e a saúde (e eles tem!), e comessem uns 3 ou 4 bombons... Ainda assim não seria a mesma sensação.

Portanto: Garoto, por favor, lance um bombom réplica do Serenata de Amor, mas com um raio 50% maior (e que o fundo não grude no recheio)!

:D

-- João Otero - 20-jun-2011 --

14 junho 2011

Personalidade é aquilo que o estado-de-humor deixa transparecer pela máscara.

13 junho 2011

O caráter é o segredo que a atitude nos conta...

11 junho 2011

A desconfiança nunca deveria ser posta à prova

29 maio 2011

Jovem é o coração que ainda sabe sofrer


Jovem é o coração que ainda sabe sofrer
Eu, mais desatento,
rescindi a dor do meu peito
e quando dei por mim, envelheci
O sofrimento é um luxo das aflições que valhem a pena
..Mas como dói
E essa dor é o tema
das aflições que eu senti
Mas um peito rasgado se remenda
E a dor só valora as lágrias que pela vida se derrama
Porque jovem é o coração que ama
E amar, e doer, e sofrer... é tudo parte da mesma senda
Que se visita quando houver consentimento
da alegria,
meretriz da dor,
por merecimento

-- João Otero - 13-jan-11 à 29-mai-11 --

28 maio 2011

ensaio: A Evolução da Linguagem

A Evolução da Linguagem
João Otero - 28-maio-2011

      Desde a invenção do computador moderno, por volta dos anos 1950, passamos a viver a "era da informação". Com o processamento automatizado dos cálculos computacionais, o aumento na quantidade de informação disponível foi notável. Mas a informação por si só não gera valor: a informação só existe com o propósito de ser comunicada, e a consequência direta do aumento da quantidade de informação é o aumento do nível de comunicação.

     Não espanta então notar que as principais indústrias e tecnologias dessa nova era são tecnologias de comunicação: televisão, telefonia celular, internet, mp3, redes sociais, etc.
     O ápice atual desta era se representa muito bem pelo tamanho da importância da internet na vida moderna. A intensidade da comunicação gera demanda por comunicação eficiente. E a necessidade da comunicação eficiente evolui a língua.

      Essa necessidade de eficiência sempre existiu, e sempre evoluiu a língua.
      No tempo dos homens pré-históricos, nos primórdios da descoberta da linguagem, a comunicação era menos complexa: vocabulários menores, palavras com poucas sílabas. A necessidade era a de expressar uma ideia e reagir-se a ela rapidamente. A linguagem devia ser eficiente para tratar de problemas em tempo-real, situações de perigo, avisos. Quando a tribo aumenta, surge maior necessidade de substantivos, para diferenciar as pessoas.

     Quanto mais items, objetos, produtos e ferramentas passam a fazer parte do dia-a-dia dessas pessoas, com o aumento de seu nível tecnológico, maior a necessidade de novos substantitos - e então, eles aumentam de tamanho; passam a ter mais sílabas; novas fonéticas são convencionadas.
      Naturalmente pode-se imaginar que as necessidades no decorrer da evolução dessas tribos eram mais básicas no início, se tornando mais complexas com o passar do tempo, da mesma forma que a pirâmide de Maslow estabelece prioridades crescentes.
      Portanto, os conceitos de uso mais corriqueiro deviam ser também os mais necessários. Esses conceitos acabaram por "reservar" para si as palavras com menos sílabas. Substantivos e conceitos com ordem progressiva de importância foram ocupando as posições subsequentes que possuíam o  menor número de sílabas disponíveis.

      Da forma semelhante, certos conceitos são compostos por conceitos de mais baixo nível. Dessa forma é natural que se reutilize esses conceitos já existentes para expressar um novo conceito. Isso facilita a compreensão; é eficiente, portanto. E assim surgem os prefixos e sufixos.
     Até mesmo em linguagens modernas de programação de computadores esse conceito de reaproveitamento existe: "classes" de objetos encapsulam conceitos; essas classes podem "herdar" propriedades de outras classes. É uma evolução natural, porque aumenta a eficiência da expressão da linguagem.

      E é a necessidade de uso dos conceitos que filtra as palavras que sobreviem (teoria evolutiva tradicional); e quando existe palavras com menos sílabas sobrando, o conceito candidato mais importante irá se apropriar dela. As palavras que necessitam maior frequência de uso são as mais curtas (pronomes, por exemplo). Mas obviamente existe um delay na velocidade de readaptação da linguagem: porque existe uma "convenção"; a convenção se constrói por costume, hábito - e leva tempo, portanto.

      A linguagem evolui para ser eficiente.

      Mas cada grupo étnico, vivendo em locais diferentes, possui também diferentes "necessidades de expressão". Os que vivem em locais frios possuem o conceito de "neve" como algo importante. Os que moram em áreas desérticas provavelmente possuem "água" como algo muito importante, e talvez "sol" e "sombra" também.

      As tribos evoluíram tecnologicamente e dessa forma aumentaram seus tamanhos, criando eventualmente vilas e cidades. Passa então a se criar devagar o conceito de "nação". E a cada aumento dos grupos, maior competição entre grupos acontece: guerras. Os grupos étnicos mais fortes acabam determinando a linguagem convencionada. E dado o delay imposto pelo costume, conceitos importantes para a etnia dominadora substituem palavras da etnia dominada, e isso pode explicar a "ineficiência" absoluta da linguagem, no sentido de que não existe uma linguagem absolutamente eficiente para todas as necessidades humanas. Ou seja: em sua maioria, a linguagem é eficiente; mas existirão palavras que podem não parecer tão eficientes.

      A população cresce e mais tarde surge a necessidade de se registrar números, astros, acontecimentos. Surge a linguagem escrita.
      E ela surge em dois sabores: podemos registrar conceitos, ou podemos registrar fonemas. A primeira é mais eficiente para leitura. A segunda é mais versátil em termos de reuso; o vocabulário é mais sucinto e quantidade de regras expressando suas relações são menores.

      Tome-se como exemplo o mandarim e o inglês. No mandarim os textos são mais curtos, e a leitura é mais rápida. No entando, necessita-se maior treinamento, pois há mais regras e há mais representações para se aprender. No inglês os textos são maiores, mas as regras e representações são mais generalistas. Pode-se aprender o sistema mais rapidamente. São dois modelos distintos de eficiência competindo entre si. Eventualmente um dos sistemas irá vencer, - combinação de eficiência com poder étnico. E quando o poder étnico é determinado pela eficiência da comunicação, cada vez mais, como na era da informação, a linguagem mais eficiente tende a gerar maiores condições de poder ao seu povo.

      Da mesma forma que não existe eficiência absoluta na linguagem falada, não existe também na linguagem escrita. A linguagem não pode ser ao mesmo tempo a mais rápida de se compreender e a mais rápida de se pronunciar; a mais poderosa de se expressar e a mais genérica de se registar; etc. Qual seria uma convenção de linguagem mais equilibrada para as necessidades atuais? Poderíamos criar uma?

      A necessidade contemporânea é transmitir e compreender a maior quantidade de informação de forma mais rápida e precisa possível. E nesse sentido, especialmente quando a internet catapulta essa necessidade, surge notóriamente no meio virtual a evolução do poder de expressão da linguagem. Atualmente podemos expressar também "sentimentos", através de emoticons. Podemos representar que estamos gritando, com letras maiúsculas. Outras convenções do tipo já eram presentes em textos: texto entre aspas pode indicar pensamento, ou a fala de outrém.

      Na internet, nos sms, em instant messages, busca-se a eficiência. Palavras de uso muito comum são convencionadas massiçamente. Você é "vc". Praticamente não há sobreposição com qualquer outro conceito. E é mais eficiente uma palavra de 2 letras do que uma de 4 letras. Essas convenções passam a aparecer em textos diversos, e eu acho ótimo que seja assim! Os defensores das normas, na minha ótica, são produtores de "delay" na evolução da língua.

      Nesses casos, gosto muito de dizer "Entendeu? Então não complica...".

24 maio 2011

Amor de louco

Um amor transcendental,
Um amor de louco!

Lembrança rota de um pedido rouco
Seguiu-se ao sopro de um suspiro fraco...

Da prece magra do amor de um louco,
Ouviu-se à lua uivar um lobo.

(Somos lobisomens todos nós um pouco...)

Quem nunca ousou em suspirar - de bobo -
Pedindo muito a quem dispunha pouco?

-- João Otero - de 2004 à 24/mai/2011

Na Beira do Universo

Esse era eu, uns anos atrás, pensando em como seria lá no final do Universo...

     Sou um determinista, e portanto avesso a todas as probabilidades quando transformadas em "lei" (como a física quântica ou a entropia, por exemplo - embora eu ainda as aceite bem se tratadas como ferramentais matemáticos, apenas).
     Mas gosto de manter sempre em mente que o limite de uma série qualquer é "quase o número", mas nunca "é" o número.
     Gosto de manter sempre em mente que apesar de não podermos determinar simultâneamente a posição e a velocidade de uma partícula, não quer dizer que essa particula não possua de fato uma posição e uma velocidade únicas em um dado momento.
     E que por mais que não haja computador capaz de computar todos os a-toms do universo e descobrir seu próximo estado, não quer dizer que o conjunto de todas as coisas não possua um único e bem determinar próximo estado, consequência direta do estado presente e das leis universais que as regem.
     E sendo assim, como seria lá na beirada do universo, que se expande, se expande...?
     Digamos que ele parasse de expandir: "batesse na borda". E começasse a voltar: exatamente para o último estado antes de bater lá na borda...
     O tempo, que para nós parece linear, continuaria uma sucessão de "estados" instantâneos do universo. Mas agora ele estaria andando de trás para frente, voltando aos exatos estados anteriores, numa sucessão idêntica e contrária à sucessão que o fez chegar na tal borda.
     ...E quando o universo todo se implodisse em si mesmo, chegando no extremo de concentração de partículas que não cabem mais umas nas outras, só teria o mesmo caminho original a percorrer, expandindo até hoje, expandindo até a beira do universo, e voltando para esse ciclo eternamente, num vai-e-vem eterno como um elástico.
     Minha ideia do universo provavelmente está errada. E eu nem quero pensar muito no assunto e nem estudar física, porque me frustra muito saber que jamais vou ter a resposta... Mas bem que essa ideia me deu um poeminha interessante:



Na Beira do Universo

Na beira do universo em tempo infindo
o tempo não queria mais correr.
De trás pra frente tudo veio vindo
e a morte começou a renascer.

Os raios alcançaram seu destino
- e ele não sabia o que fazer.
Os raios regrediram então seus brilhos
e os fótons implodiram ao florescer.

Com todo o infinito acumulado
no ínfimo corpúsculo do nada,
o cúmulo improvável aconteceu:

O cosmo já não tinha mais passado!
...A lei da entropia derrubada,
com morte ao mesmo tempo em que nasceu.

- João Otero - 18/out/2005 --

23 maio 2011

Grávidas



graves grávidas grisalhas
grunhem grossos gritos...
gordas gargalhadas depois!




Veja outros poemas da coleção Letras

-- João Otero - 28/ago/2001 --

Borboletas




                               bárbaras borboletas!
                               belas bordas bordadas,
                               balançando brilhantes brumas...
                               bélicos brutos bradaram:
                               ...borboletas baleadas no chão.




Veja outros poemas da coleção Letras

-- João Otero - 1/mar/2005 --

08 abril 2011

Brazilian Columbine

Brazilian Columbine

...Eu só queria enxugar
toda essa lágrima,
esse medo
Porque passou...
já vai lá
aquele um,
nem me lembro...
O que eu vejo é mais perto,
é aqui do lado,
aqui dentro
Ausência de quem me era
a extensão do que ia eu sendo
Agora queria os meus olhos
bem vendados para dentro
Só não queria enxergar todo este sangue
escorrendo...

Brazilian Columbine;
Rio de Janeiro,
Realengo.

-- João Otero - 8-abril-11 --

20 março 2011

Do tanto que eu tenho

Do tanto que eu tenho

é cheio de tanto
o peito que eu tenho    
um tanto que quanto
de tudo o que eu minto
e às vezes dá nele
um vazio tão cheio
tão cheio de tanto
esse lado que sinto

é de um tanto quanto
metade do meio
enchido de sonhos
dum sono que tenho
num vento varrido
em borboleteio
chegou-me atrevido
com um galanteio

e o cheiro de encanto
do lado do meio
tão perto da lua
tão perto do seio
flutua vazio
bem leve e ligeiro
varrido dos campos
de um sono alheio

e como era lindo
o vento ventando
o pranto que omito

e como era feio

-- João Otero - 20-mar-2011 --

28 janeiro 2011

O medo

o medo,
um algo ruim dissolvido na incerteza
assaltante e posseiro da mente,
cujo pensamento deveria unicamente
se ocupar de mexer as pernas imóveis,
de correr com presteza!
o medo,
que não serviu jamais para mais do que alguns conselhos
que no teu espelho, serviu apenas para evitar alguns cacos,
uns parcos erros, alguns cortes
(mas já se sofrendo...)
o medo,
que serviu apenas para evitar algumas mortes
(mas já se morrendo...)
o medo,
que enfim, pobre coitado,
nunca deixou por estes lados nada que preste
o medo,
professor severo da timidez
inimigo da paixão e qualquer outra insensatez
palhaço triste do circo da vida, ocupando as tuas noites,
no picadeiro dos teus sonhos
(porque não mais dos meus)
ao medo,
companheiro daqueles que não têm ânsias,
companheiro daqueles que não têm sorte,
o meu sincero abraço forte,
as minhas palmas
e adeus!

-- João Otero - 27-jan-11 --

18 janeiro 2011

Memórias de vinho, macarrão, sushi e bochechas de uma mulher-gato.

10 janeiro 2011

Veias

Dóem as veias
De que se nutre essa dor?
Estariam entupidas
De angústias ou pavor?
Ou estariam elas secas
De amores e frescor?
Dóem as veias
Dóem-me mais do que a dor
Dóem-me além do corpo
Que se esvaiu em torpor
Teriam as veias levado
Para longe o meu calor?
Dóem as velhas veias
Intimadas a depor

-- João Otero - 10-jan-11 --

04 janeiro 2011

Nunca confie nos teus amigos bêbados

A mão companheira é a que bendigoSegredos contados por entre alguns dedos
Onde há abrigo,
confronta-se os medos
...Mas nunca confie nos teus amigos bêbados

Nunca confie nos teus amigos bêbados!

Tudo o que já pude, tudo o que consigo
Tudo o que imito, todos que arremedo
Se são teus amigos
Desvele o segredo
...Mas nunca confie nos teus amigos bêbados

Nunca confie nos teus amigos bêbados!

-- João Otero - 4-jan-10 --

13 dezembro 2010

relógio

Meu relógio biológico tá estragado!