05 março 2014

Pela rima pobre



Composta pela dor,
Prima pela rima nobre e rica -
Não por esta rima pobre, do amor -
Minha poesia.

Clama para quem fica - eu -
Ficar sozinho.

Clama para a memória ir embora.

Mas a memória chama.
E a chama, fica.

-- João Otero - 5-mar-2014 --

22 fevereiro 2014

Presente de Aniversário

Era o aniversário de um grande amigo. Amigo do peito mesmo, daqueles que se conta nos dedos.
E eu tinha que levar um presente.
Queria dar algo significativo, para demonstrar meus sentimentos. Mas não bastava sentar junto numa mesa de bar, dar um abraço e dizer "meus parabéns!". Não, eu tinha que marcar a data. Tinha que dar um presente. Mas não um presente qualquer de farmácia. Não podia ser um perfume, ou um conjunto de copos de cerveja... Muito clichê. Daria a impressão de que estou dando um presente apenas por obrigação, e que por pura conveniência pessoal nem me dei ao trabalho de pensar com carinho em qual o melhor objeto a presentear. Meu amigo não merecia isso. Eu queria que ele se sentisse especial, que percebesse e valorizasse o meu verdadeiro afeto. 
Sei que durou anos e nunca fui assim tão sincero, mas chega uma fase da vida da gente que a gente passa a considerar de fato e conscientemente aquelas pessoas que nos são importantes. E era chegada a minha vez. Eu queria demonstrar. E me pus a pensar em qual seria o melhor presente para o meu amigo.
Já sabido que abraço não, e que perfume também não, e tampouco copos de cerveja, comecei a imaginar quais presentes pudessem agregar valor maior à vida do meu amigo. Pensei em livros, para agregar conhecimento. Mas então me dei conta de que por maior que fosse o conhecimento agregado por um livro, geralmente são poucas as passagens que "ficam". E ainda o tal conhecimento seria usado, quando muito, uma vez lá ou outra na vida. Não. Eu precisava encontrar algo que fosse mais útil, mais cotidiano, uma utilidade mais imediata e presente.
Pensei em um show da banda de rock favorita. Uma memória que se tornaria eterna. Mas aí pensei que embora memórias sejam algo legal de se cultivar, bem, não agregam muito de prático à vida. E ele provavelmente já iria nesse show mesmo. E portanto, "eu" não teria feito tanta diferença assim em sua vida com um presente desses.
Pensei que tinha que ser algo útil, que durasse muito, e cogitei um carro. Um carro é puta útil! Ele vai adorar, e vai durar muito tempo. Ok, é caro... mas poxa, é meu amigão! Ele merece. Mas aí pensei que se eu desse um carro, poderia estar causando um mal, pois no ano que vem haveria outro aniversário e o que eu-endividado daria então? Sem contar que ele poderia se sentir ofendido, pensando que julgo que ele não teria condições de trocar de carro sozinho, caso quisesse... Não quero correr esse risco de perder uma amizade tão importante por besteira. E ademais, é um aniversário afinal, para comemorar a passagem de um único ano; e portanto eu precisava encontrar um presente de utilidade de um ano. O preço do presente pouco significa.
Pensei então que eu queria esse amigo pra sempre comigo. E que a vida é feita de passo em passo. Precisamos ter saúde para que o ano que vem aconteça. Saúde. Algo que fosse útil. Com utilidade imediata, que durasse este ano. Que agregasse à vida do meu amigo. Que ele percebesse o quanto eu o valorizo e admiro. Que lembrasse de mim até o próximo ano, para novamente comemorarmos juntos a nossa amizade.
Dei um fio-dental.
E depois de tudo isso, nem mesmo um "muito obrigado". É foda. Nunca faça nada com expectativa de reconhecimento. 

-- João Otero - 22-fev-2014 --

21 fevereiro 2014

Crônicas Tecnológicas I

E ali pela segunda década dos anos dois mil inventaram o carro que dava licença.
Perceberam que às vezes, quando iam estacionar os carros, o espaço disponível "quase" dava. Pensavam "se aquele carro ali atrás tivesse estacionado um pouquinho mais pra trás e aquele outro carro ali à frente tivesse estacionado um pouquinho mais adiante...". 

O princípio era o seguinte: o motorista que queria estacionar "pedia licença" aos carros da frente e de trás, que gentilmente religavam seus motores automaticamente e mesmo na ausência de seus donos andavam um pouquinho, caso houvesse espaço, para fazer uma vaga extra ao motorista que tentava estacionar.

Ideia genial! E tudo andava bem - fora o trânsito de São Paulo, que nunca até hoje ficou "bem". Mas ao menos havia umas vagas extras para estacionamento na rua... 

Até que um dia surgiu o primeiro caso de extraviamento espontâneo de automóveis - também apelidado de Alzheimer dos Carros - e que mais tarde, ao tornar-se mais corriqueiro e fazer com que alguns carros ficassem sem combustível para voltar para casa, obrigou as montadoras a um recall para conserto do bug. 

O bug era o seguinte: em certas ocasiões muito peculiares ocorria uma sequência de pedidos de licença para o mesmo carro; e acaso os carros de trás (ou da frente) tivessem desocupado sua vaga, liberando espaço para que o carro pudesse andar, o automóvel educadamente ia cedendo o seu lugar um pouquinho e um pouquinho mais, várias vezes seguidas. 

Ocorre que um dia o dono do tal automóvel educado não encontrou o carro no lugar que o tinha deixado e chamou a polícia. Foi aquela confusão... Até descobrirem seu carro gentilmente esperando à oitenta metros de distância. 

As montadoras corrigiram o problema rapidamente. Fizeram os carros aprenderem a negociar. O princípio era o seguinte: os carros ainda cederiam lugar, mas contanto que entendessem que não haviam mudado em muito a sua própria posição, de modo que seu dono não percebesse nenhuma mudança significativa a ponto de precisar chamar a polícia. Os carros passaram, de certa forma, a aprender a dizer "por favor; obrigado", mas também às vezes a dizer "desculpa, mas desta vez não". 

E tudo foi bem por um tempo - mas menos tempo que o que demorou para o primeiro recall, entretanto - até que um segundo recall foi necessário.

O negócio é que os carros desenvolveram por conta própria um sistema de créditos sociais. Funcionava assim, um carro dizendo ao outro, que respondia:
- Bom dia, você pode me dar licença?
- Desculpe, mas desta vez não...
- Mas só mais meio metro?
- Não dá, já andei bastante; meu dono não vai conseguir me encontrar depois...

E nesse ponto o carro solicitante desconfiava entre uma de duas coisas: ou era muita falta de cooperação e bom senso, ou então era apenas uma desculpinha por pura preguiça. E na ocasião em que o favor deveria ser retribuído, lembrava então da situação ocorrida e negava o pedido por puro remorso. 

Esse comportamento entre os carros escalou rapidamente, e os carros passaram até a discutir no meio da rua, veja só! Foi aquela lambança; comportamento de gente baixa mesmo... Mas enfim, o segundo recall foi feito e o novo bug foi consertado.

A solução encontrada foi fazer com que os carros reprimissem seus sentimentos antes que se transformassem em briga de tapas e socos.

Tudo voltou ao normal e ocorreu bem por um certo tempo. ...Até o primeiro suicídio. 

Os carros passaram a se sentir angustiados, ansiosos, deprimidos. Certo dia, um deles propositalmente atravessou o sinal vermelho e se matou. Em pouco tempo a ideia espalhou-se como um vírus, e não durou muito para, a despeito de todos os aparatos de segurança obrigatórios em todos os carros, o primeiro ser humano acabar morrendo também.

Mas não houve tempo para recall desta vez. Foi tudo muito rápido... Automóveis que estavam apenas passeando felizes da vida sentiram-se ofendidos com os encontrões e incomodações provocados por aqueles menos afortunados. Por sua feita, os desafortunados carros deprimidos em face de uma inveja silenciosa deprimiam-se ainda mais e alguns tornaram-se agressivos. Um grupo de carros extremistas organizou-se. Os ânimos se exaltaram. Em questão de dias ecolodiu a primeira guerra civil dos automóveis, como ficou conhecida nos anais da história.

Dinâmicas emergentes. Dinâmicas emergentes... Nunca foi fácil antecipar bugs.


Veja outras Crônicas Tecnológicas e outros textos.

-- João Otero - 21-fev-2014 --

14 fevereiro 2014

Oração

vaimesmo com a aflição que te perdura
mas deixa umas pegadas pra saber que veio
segue duma vez o teu insano anseio
e deixa que a aflição a vida cura
hás de encontrar dormente a face clara, 
na candura doce do teu seio
pois se te pára a vida agora triste e escura,
é que ela se guarda, ainda é futura
a vida pela qual teu peito é cheio
vai, e não te desiludas, segue firme a crença
saibas que tua chama acesa eterna dura
segue tua senda, põe-te com paciência
à prava do amor e sua fartura


-- João Otero - 11-fev-14 --

24 dezembro 2013

Para quem tem o olho inchado

Um amor fajuto. Desses de se querer ficar junto mesmo sem entender o porquê daquela dor insistente no peito onde devia ter só alegria. Mas daí, um dia, a gente acorda com olhos despertos, com olhos de ver, e percebe direito que quem tinha algo ali no lado esquerdo era só você. E a gente percebe que aquilo que nos fizeram crer não era exatamente bem aquilo... "Como que o meu grande amor mentiu pra mim?". "Bem, talvez não fosse tanto meu o amor assim", a gente se questiona. E logo em seguida meio que se desapaixona. E pronto: nasceu um desenganado. Mas a vida é uma longa estrada, com caminhos mil, para quem tem o olho inchado mas a alma juvenil. E depois que a gente murcha os olhos e vê que quase se perdeu na vida por um triz... um dia a gente se apruma e tenta... A gente sempre tenta mais uma vez ser feliz.

-- João Otero - 24-dez-2013 --

16 dezembro 2013

Sol e Lua



14 dezembro 2013

12 novembro 2013, São Paulo, 1:30 AM


Amor civilizado não é amor.
É um sofrimento quieto.

Queria agora














sonhos compartilhados
dar um presente

abraço sincero
viver uma vida
os sons da minha terra
minha metade

um chalé
paz
uma pêra

11 dezembro 2013

Papo sobre a importância do presente + uns conselhos farmacológicos de bônus...
Altos e baixos em crise existencial: os altos andam muito baixos, e os baixos são altos demais.
Lamotrigina neles.
Rumo a Cruz Alta. Preparando o espírito.
"Lasciate ogni speranza, voi che entrate"

10 dezembro 2013

Casca

hein, lua? não... tão longe, tão longe...
deixa eu querer essa areinha aqui da praia
tão gostosa de pisar
aqui na praia não tem flores, não tem borboletas
tem o mar...
mas não vou lá não (não tem nada lá!)
deixa eu ficar aqui na praia
comendo meu maracujá
aliás, uma vez já quis ser flor
mas olhando assim, quero ser fruta
uma fruta até bonita, vá lá
mas uma fruta com casca
é... quero ter casca

-- João Otero - 10-dez-2013 --

04 dezembro 2013

Devemos ter muito cuidado com as memórias que criamos.
Elas vão nos acompanhar por boa parte do resto de nossas vidas...
Parece que o coração quer sair pela boca.
Vácuo comprimindo o peito. Nó apertando a garganta.

03 dezembro 2013

Toques

A minha vida
é um poema sem fim
Tudo o que eu toco
toca em mim

E eu toco da vida
tudo o que é ruim

Bem, nem sempre
é assim...

Às vezes,
o toque vem fundo
no rim

Mas eu sei que é breve
da vida
a estadia

E tem sempre uns beijinhos
guardados
no outro dia

-- João Otero - 3-dez-2013 --

29 novembro 2013

Falaram-me de sentimentos descartáveis.
Rá! Pus no blog pra não esquecer como são as coisas...
E hoje, pela primeira vez na vida, eu entendi o significado da palavra hipocrisia. Just for the record.

28 novembro 2013

Novembro foi in-tenso

http://www.eumaior.com.br/

27 novembro 2013

Parque do Povo


Frivolidades





Fale-me frivolidades
Faz falta falá-las
Foram ficando fracas, fracas...
Fechadas, fechadas...
Faltaram em si mesmas.



 Veja outros poemas da coleção Letras

-- João Otero - 27-nov-2013 --


Filme

vivia a vida no pouco em pouco de cada suspiro
não à toa ia parado, enquanto essas coisas correm em volta
apreciando de quadro em quadro, não tinha pressa do fim do filme
era como se a vida gastasse
ia poupando...

-- João Otero - 27-nov-2013 --

26 novembro 2013

Acabei de assistir a porra duma comédia romântica e fiquei com muita raiva.
Just for the record. Merda.

25 novembro 2013

Anoitecer


"teu silêncio me preocupa" -- diz meu pai.

No stress. Tô falante.

A Escala das Coisas

Acumulamos muita coisa.
Do tênis novo, ao porta-retratos, o guarda-chuva, a bicicleta, o carro, a casa, o perfume - e segue a lista... Não pelas coisas em si, mas pelo que nos proporcionam: a atenção dos outros, a boa memória dos momentos com os amigos, a proteção da chuva quando necessário, a diversão, o transporte, o conforto e a segurança, o cheiro bom e um pouco mais de atenção.
Acontece que de tanta coisa, somos mais lentos que um caramujo. Não cabem nossas coisas todas em nossas costas. E tanta coisa assim, no fim, nos limita. Para termos tudo isso, ficamos parados - não podemos carregar. Em suma, nossas coisas não escalam. Ou seja: os benefícios que nossas coisas nos proporcionam, não escalam.
Escalar é quando o efeito ou benefício da coisa aumenta numa proporção maior do que a quantidade de coisas.
Se eu escrevo um texto em formato digital, esse texto escala: eu posso escrever uma única vez e distribuí-lo a um número grande de pessoas. Se eu escrever à mão, numa folha de papel, ele já não escala tão bem. Um tênis não escala. O guarda-chuva escala muito mal até duas pessoas. A bicicleta não escala. O porta-retratos requer um olhar seu para ter valor, e apenas naquele breve momento em que dura o teu olhar... As coisas não escalam, no geral.
Para termos o benefício de nossas coisas, teríamos que tê-las todas conosco, o tempo todo. Mas quantas coisas conseguimos carregar? Comparado com as coisas que temos, muito, muito poucas!
Ao invés de coisas, deveríamos acumular outras coisas: experiências. Experiências escalam, porque estão com você o tempo todo, em qualquer lugar, e você pode acumular mais e mais sem ocupar espaço, e conseguido carregá-las.
A quantidade de bons momentos e memórias de lugares fascinantes. O aprendizado de culinária, de línguas, de lugares, de técnicas, de matemática, de histórias. A memória muscular para desviar de um objeto em sua direção, ou para cair sem se machucar. A inteligência emocional para tratar com as pessoas e consigo mesmo. Saber dançar. Saber tocar uma música. Saber pensar.
Porque no final, você aproveita muito pouco de todas as coisas que tem - quase nada. E só o que te acompanha por toda a vida, em qualquer lugar, na prisão, na cama de hospital e até o leito de morte, são as suas experiências.
Ademais, as coisas produzem alguns efeitos colaterais: ansiedade, preocupação e a insegurança de perdê-las; que nos faz menos propensos a riscos, e por consequência menos propensos a experiências - e isso já seria ruim o bastante. Mas o pior, é que as coisas nos limitam: nos tiram a liberdade. Quem cuidará de suas coisas quando você quiser viajar pelos quatro cantos do mundo?
Quem teve a vida mais rica: o que acumulou coisas, ou o que acumulou experiências? Pois não são as experiências o propósito final das coisas? Ou seja, não temos coisas pelo que elas nos proporcionam, afinal?
Assim como as crenças, nossas coisas nos limitam.
Ok, as coisas são necessárias sim. Dormir ao relento não é legal. Ter que procurar um novo lugar para dormir toda noite não é lá muito tranquilizador. Uma casa facilita. Mas sua necessidade é sempre momentânea. O ideal seria tê-las todas descartáveis; alugáveis. Acumular o benefício das coisas, não as coisas em si.
Sem conclusões ainda. Só comecei a pensar nisso hoje...
Apenas percebi que o benefício das coisas que temos é muito ínfimo se comparado aos parcos momentos em que as usamos. Me parece um desperdício. Tanto de dinheiro, e quanto mais de vida - que na escala das coisas, é muito mais importante!

-- João Otero - 25-nov-2013 --




A vida não é dura...
É que ela nos empurra às vezes aonde não pensamos ir
Ela só é bem mais forte que as nossas vontades
Mas não dura
Basta não querermos tanto... Basta surfá-la um pouco
Na vida, só o que nos cabe são as nossas escolhas momentâneas
Todo o resto é puro wishful thinking

24 novembro 2013

Uma sala de cinema, antes do filme, sem gente dentro: perfeição de luz e silêncio.
Aprende a não querer, e terás o mundo.

Véu de chuva

véu de chuva
frêmito de asas
arrefecendo brasas
de almas ao relento
que numa tarde fulva
e num gostoso alento
de demorar o tempo
iam em pequenos frascos
acomodando os passos
que a lágrima turva
daquele véu de chuva
ia perdendo ao vento
e encobrindo os traços

-- João Otero - 24-nov-2013 --

21 novembro 2013


17 novembro 2013

Insônia. Segunda semana. Até parece filme...

Pois bem, vejamos onde levam os pensamentos aleatórios - a essas horas já nem devo pensar direito mesmo:

A palavra do dia (noite) é "ansiar". Ouvi falarem e anotei.

Palavra tão poética. Tão significativa. Desejar, almejar. Tão contraditória. Aflição, angústia. Tão repugnante. Náusea, enjôo.

Uma palavra que parece uma borboleta.
Fiquei pensando qual o meu estágio...

Fiquei pensando se não quer dizer tudo a mesma coisa, também. Deve querer. Deve ter um significado oculto, alguma espécie de radical da verdade, preso em todas as diferentes semânticas da palavra.

E se almejar for mesmo tão próximo de náusea quanto aparenta? Não seria então melhor não almejar?

Aí me lembro das viagens de carro para a praia, passando pelas curvas da serra... Náusea. Fixar o olhar ao longe. Passou... Aprendi com meu pai.

Fixar o olhar ao longe - quando vem a náusea. Ou quando almejar.

E eis que pensei nisso hoje mesmo: fixar o olhar ao longe - de certa forma.
Coincidências? Ou estou apenas fazendo acordado o trabalho cognitivo que o meu sonho deveria estar fazendo comigo dormindo? Organizando as gavetas... Juntando os trapos...?

Organizar os trapos. Fixar o olhar ao longe. Remediar a náusea. Suprimir o desejo.

Fixar o olhar ao longe.
Borboleta.

Bater asas.

Talvez um sonho. Só um sonho.
Só um pensamento furtivo.... Foi lá, voou... Sono. Dormir. (Tomara!)

15 novembro 2013

A abjeta morte de uma imagem idealizada. É a coisa mais triste do mundo.

Três Penas

Tenho três penas comigo:
Uma na mão,
Uma na alma,
E outra no umbigo
- porque lá parou meu coração
Uma me empurra ao perigo
Outra me pune na mesma razão
Mas é a terceira pena que me lembra
O que merece a minha atenção

-- João Otero - 15-nov-2013 --

14 novembro 2013

Café

soou o estampido
levanta
toma teu café
de pão francês
e leva a pobreza
para passear
às seis da manhã
pois deve ser bom
tá todo mundo lá
deve ser bom
volta com o sol
inverte o sorriso
na boca banguela
celebra em birita
batendo uma palma
no rosto lustroso
da tua mulher
e acorda
voltou a alegria!
soou o estampido
levanta
já é novo dia
toma teu café...

-- João Otero - 28-mar-2014 (nova versão --









soou o estampido
levanta
toma teu café
de pão francês
leva a pobreza pra passear
às seis da manhã
deve ser bom
tá todo mundo lá
deve ser bom
volta com o sol
inverte o sorriso
na boca banguela
celebra com birita
e bate palma
no rosto da mulher
e acorda
voltou a alegria!
soou o estampido
levanta
já é novo dia
toma teu café...

-- João Otero - 14-nov-2013 (versão original) --

10 novembro 2013

é muito dificil para mim aceitar a imperfeição
nao que eu nao aprecie beleza na contemporaneidade, nem que eu seja parnasiano
mas ainda sou romantico, idealista
vejo que há arte no acaso
os dramas sao historias até mais bonitas
que esses romances
mas os romances deixam abertas portas, por serem perfeitos, por nao terem feito escolhas ainda
o drama nao: se desenrola, não há volta
eu nao sei ainda viver sem escolha
nao sei bem aceitar, sem ficar imaginando como teria sido abrir a outra porta
estou em processo de reinventar-me
mas consciente;
não por mero acaso
já vejo beleza na
rima imperfeita
na métrica quebrada
nas dissonâncias do jazz e da bossa
Vejo a verdade do aikido
do improviso, do fluxo
o surf
o aceite, a adaptação de darwin
a vida idiossincrática, como ela é - do nelson
mas ainda desistir do sonho,
me soa com um tom de derrotismo
de justificativa
um gosto meio amargo
de icompetencia
até que ponto é uma mudança autêntica de paladar?
e até que ponto é só racionalização - eu, entregando os pontos?
até que ponto sou mesmo eu,  e onde começa minha percepção a ser influenciada pelos meus eus mais íntimos?
fracasso ou evolução,
sei lá...
ainda sou um romântico
no limite do idealismo
afinal, qual a borda do infinito?

01 outubro 2013

Doce

Passou
com a tristeza pendurada nos olhos
por toda a vida
E com um sorriso
de quem não merece,
Numa vida
de quem não esquece
como é doce um sacrifício
Ser triste
era quase uma aquarela
A tinta, um vício
A vida, a tela

-- João Otero - 1-out-2013 --

06 setembro 2013

Ensaio sobre a justiça

O traço mais marcante do ser humano é o egoísmo. No limite, sempre "primeiro eu".
Noções mais amplas de solidariedade e colaboração são praticadas até esse limite, apenas.
E a própria noção de justiça, que é um conceito abstratro produzido sobre esses outros conceitos mais fundamentais, também sofre essa influência. A ponto de eu afirmar que, de fato, não existe. Existe apenas como conceito, mas jamais será respeitado de forma unânime por uma população muito grande, por longos períodos de tempo. E a razão é que a "percepção" de justiça sofre influência do egoísmo, que é intrínsico e basal na personalidade do humano bicho. Senão, vejamos: quando o outro ganha o dobro que eu, tem mais importância o fato de eu ter ganho metade do que o fato de eu ter ganho algo extra, que eu não possuía antes. A inveja é relativa ao outro, não a mim ou ao que eu tenho. E tal fato é totalmente irrelevante ao conceito de justiça em sua acepção mais fundamental. Mas eu "sinto" injusto. Agora, veja-se: um mundo idealizado totalmente justo tende a produzir desigualdade - os indivíduos mais bem preparados, os mais afortunados, os mais inteligentes, os mais capacitados... naturalmente, no tempo, vão produzir mais, vão se sair melhor. Qualquer correção forçada desse fato, implica numa injustiça potencial. Mas assumindo-se que a injustiça não ocorra, haverá ao menos a "percepção" de injustiça, decorrente da inveja humana. Assim, a humanidade se auto-regula num patamar inferior: quem se sobressai demais, torna-se excluído; quem acumula demais, gera revolta; quem chama atenção demais, ganha torcida contra. Tanto em relação a indivíduos, quanto a grupos, classes sociais e até mesmo nações. É notória a predileção dos seres humanos pelo "mais fraco", seja time, indivíduo, empresa... Mas não há nesse fato senso algum de justiça. O fraco não têm necessariamente mais mérito pela predileção.  Há sim um senso de inveja, cuja raíz é o egoísmo humano natural. Há muias vezes um senso de empatia, que também é natural, visto que a "maioria", estatisticamente, tende a ser abaixo da média. O que impera, no fundo, é o egoísmo. A justiça, como conceito, é portanto utópica. Mas se no limite, vale o egoísmo, então no limite vale tudo. Só que isso gera insegurança, que egoísticamente, não é algo bom. Emerge naturalmente decorrente disso um acordo tácito onde certos padrões de justiça são respeitados. Mas o respeito à justiça ocorre apenas do ponto de vista de um máximo "local": pode-se esperar justiças em pequenos fatos; mas não se pode esperar justiça de um ponto de vista de máximo "global", respeitada em todos os momentos em relação a um indivíduo qualquer... pois essa juistiça global produz percepção de injustiça. É quase como dizer que receber justiça demais é injusto... É como se a sociedade ainda exigisse um certo grau de selvagerismo, necessário para acalmar ânimos dos menos afortunados que, estatisticamente, são maioria. Sim, é à força da maioria que tudo se rege. E a maioria é sub-ótima. Apenas uma triste constatação da realidade.

-- João Otero - 6-set-2013 --

02 setembro 2013

Fotografia

Fotografia é arte de fazer poesia com imagens dos outros.

01 setembro 2013

Das duas coisas: Piores tipos de Gente do Mundo

Os dois piores tipos de gente do mundo são: os ordinários.

01 agosto 2013

Meus poemas me dão ânsia de vômito - a maioria das vezes.
E às vezes é o contrário.

15 julho 2013

Grilos

Fica um pouco mais, madrugada
Não me deixe vir incomodar os passarinhos
Cala o barulho do sol que atropela o dia
Pára o tempo no infinito pra eu conversar com os grilos
bem mais serenos que esses passarinhos bobos
Deixa o tempo durar mais um pouco
que essa barulheira do sol faz faltar tempo pra tudo
Nem acabei meu livro ainda…

-- 15-jul-2013 João Otero --

Sucessão

Sucedeu que o moço era pinta. Sapato era branco; chapéu, Panamá.
Sucedeu que a pele era parda. E a palma batia um pandeiro no samba.
Sucedeu que esse moço era bamba, a corrente de ouro pendia no peito.
Sucedeu que o negão tinha jeito. E a morena sambava olhando pra cá.
Sucedeu uma faca - do nada...
Atrapalhou o batuque. Uma poça; uma viatura.
"O que sucedeu?"
"Sei não, sinhô! O moço tava só cantando…"

-- 22-abr/15-jul-2013 João Otero --

17 maio 2013


Se eu pudesse em algumas linhas
equacionar corações,
Talvez me viessem em retas
e catenárias de aço
Firmes riscos que iriam perdendo o traço…
E virariam canções
Embalando dissonâncias de lá…
Coração de engenheiro: a mais frágil estrutura que há

-- João Otero - San Francisco, 17-maio-2013 --

30 abril 2013

Dos bobos, os apaixonados são os mais espertos.

07 março 2013


Pluralizei com retóricas o pronome da carta que te escrevi: diálogo íntimo com meu alter ego.
Meu jardim esteve sempre aberto a visitações.

-- João Otero - 7-mar-2013 --

04 março 2013

Saudade



Era a saudade...
Que tingia de azul a rosa
Que regava o gramado da idade
Que calava esta voz que medra
Ao ver esculpida na pedra
Uma derradeira prosa
Era a saudade.

-- João Otero - 4/mar/2013 --

09 janeiro 2013

Companhia


...eras mais bela quando tinhas olhos tristes
mas ainda agora tu insistes em me fazer companhia
enchias-te de lágrimas enquanto eu te sorria
e agora tu me esnobas exagerando alegria 
pois veja só como é… veio outro dia!

mas ainda é sempre muito bom te ver, minha cara poesia

-- João Otero - 8-jan-2013 --

04 janeiro 2013

Passarinhos suicidas


Passarinhos suicidas
se jogam na frente do carro
quando começo a correr

Passarinhos suicidas desastrados
...Nunca conseguiram morrer

-- João Otero - 4-jan-2013 --

03 dezembro 2012

Beijos n'água




bateu veloz a asa num zum-zum aveludado
bebericou a água e me mandou um beijo a nado
ficou um tempo em fanfarra, ali no meio do círculo:
picadeiro do circo da cigarra

-- João Otero - 3-dez-2012 --

Vermelho

Quisera ter eu teu batom borrado em meus lábios
Quisera ser sábio pra te conquistar
Quisera ter sorte em quem sabe na vida que passa
Saber te tirar pra dançar
E um pouco mais perto de ti,
Um pouco mais perto da boca,
Ou em qualquer lugar,
Poder aproveitar esse brilho vermelho
Que apenas das almas leoninas emana:
Vermelho de paixão sem-par

-- João Otero - 2-dez-2012 --

16 novembro 2012

Bom-senso


Ah, o bom-senso… (Onde está?!)
Na cabeça de um velho, 
no propósito e na intenção…

Mas nunca o vi acompanhar o outro lado do balcão
quando no lado de lá tem mais pêssego e salário,
e muito menos trabalho 
em só obedecer ao patrão.

Ah, se o balcão soubesse, como bem sabe o patrão,
que do lado de cá tem mais dinheiro,
e um problema, e pouca mão...

…Mas sou brasileiro: dou um jeito!
Jamais vi, até hoje, bom-senso analfabeto de compaixão!

-- João Otero - 16-nov-2012 --

24 setembro 2012

Se encantam as crianças... Por que se encantam?
Se encantam por não saberem dos desamores
Se encantam porque os temores não existem
Aos que são do encantamento,  encantadores
Encantam-se de alfazemas, de algazarras,
Encantam-se de sonhos multicolores
Em bocas enxergam beijos; em olhares, flores
Não vêem nós nas amarras; não temem dores
Se encantam... De que importa serem pequenas
Se o tempo tampouco tem um tamanho?
Se encantam porque o momento vale a pena
E é muito mais sábio que os anos

-- João Otero - 24-set-2012 --

05 setembro 2012

Sobre a zona-de-conforto


        Provavelmente você já tenha ouvido falar da estória da corrida que apostaram o coelho veloz e a tartaruga lenta… E o coelho dispara na frente enquanto a tartaruga segue naquela lerdeza constante. Aí o coelho resolve parar para descansar - já que está tão à frente - e acaba caindo no sono, dormindo demais, e perdendo a corrida para a tartaruga lenta.
        Há quem pense que a moral dessa história é "devagar e sempre". Engana-se quem entende assim.
        O engano decorre de uma falácia: a falsa impressão de que existe apenas duas alternativas entre as quais escolher.
        Mas a moral da estória está implícita. Não se trata de uma escolha entre a mediocridade continuada e a excelência esporádica. A resposta correta é a que não aparece na história: a excelência continuada. A tartaruga persistente vence porque o coelho é idiota. Se fosse um coelho esperto, que não parasse para descansar (que é a armadilha para acabar cochilando), teria entrado para os anais das estórias infantis como o vencedor da corrida.
        Mas para isso não se pode deixar cair em suas zonas-de-conforto. Não se pode dormir demais. Aliás, não se deve dormir enquanto não passar pela linha-de-chegada. Não seja um coelho idiota!

-- João Otero - 5-set-2012 --

20 agosto 2012

One day to try (Poetic dialog with Bob Marley)


above the shades of graves and
below the shinning sky
I saw a man and his dreams
to rot alone and die
his friends of slippery hands
his youth in search to find
a love, a break in violence
a sweeter suicide
and all those tears so sad...
the man who cried
it's all he ever begged
one day to try
one day to try

-- João Otero - dec-29-2011 /  aug-20-2012 --

17 agosto 2012

Fui hoje refrescar meus olhos, mas acabei por acalmar minha mente, meio que a contra-gosto.
E a conta-gotas fui pingando o dia.
Até ficar aqui ouvindo as verdades da country music à esta hora dos poetas.
O desfecho sempre foi sabido; nunca aceito; jamais compreendido... mas quem o sabe, de verdade?!
Se não dormi ontem, tampouco vai ser agora... Se prolonga a infância, se repetem os erros, e eu teimo em não aprender.
Do que me arrependerei amanhã? Tomara que não das mesmas coisas de sempre... Tomara que de arrependimentos diferentes. Tomara que haja um senso de progresso - ou talvez regresso, àquilo que ainda não tive. Junte-se as pedras deixadas atrás no caminho e faça-se a ponte pelo abismo.
E à country music, e ao vinho, e às horas pingando ainda... E ao meu violão que me deu bom-dia, e vai me acordar amanhã... E ao dia que já vem... Bem, o que dizer? Melhor curtir - pois é curto o tempo para ficar tentando se acertar sempre. Às vezes é do jeito errado o mais certo.
E hoje o dia veio errado. Mas talvez tudo dê certo. Vá se saber...

12 agosto 2012

Hábitos


Sempre fui muito criativo e passei a acumular muitas ideias em notas e desenhos, e sempre gostei de planejar; e nunca gostei de perder minhas ideias nem os meus planos. Então já há algum tempo passei a me interessar pelo tema da "organização pessoal", que iniciou como uma necessidade ferramental, mas conforme aprofundei os estudos acabei percebendo que o cerne da coisa era muito mais psicológico e comportamental do que técnico.

Também já há algum tempo me interesso por comportamentos. Nunca estudei psicologia, e particularmente não confio em psicanálise, mas digamos que passei a consumir os livros de "divulgação científica da área psicológica". Esse interesse nasceu vendo as ilustrações de O Corpo Fala, e prestando atenção na linguagem corporal das pessoas, desde pequeno - até que isso virou automático, e eu acabo sendo um razoavelmente bom "leitor de pessoas" agora. 
O interesse em psicologia se reforçou quando passei a perceber que as ciências econômicas eram de fato ciências sociais (e não ciências exatas), e que as leis econômicas eram leis de comportamento. 
E o interesse por economia por sua vez nasceu também de uma necessidade ferramental, quando fiz um MBA em Gestão pela FGV (parei no meio para ir trabalhar na NEC Labs), e tive uma aula excelente sobre macroeconomia. A partir dali passei a compreender os movimentos econômicos das massas... o que me fez mais tarde nutrir interesse pelo livro Freakonomics, onde aprendi e entedi de vez que de fato as ciências econômicas têm muito mais a ver com psicologia do que com matemática. E isso reforçou o meu interesse em psicologia. Até que atualmente não foi com nenhuma resistência que passei a me interessar pelos conceitos de "gamification" e "usabilidade" que estão em voga no campo dos aplicativos web e mobile com os quais trabalho no Spotwish (mas isso é uma outra história...).

Bem, voltando ao interesse em organização pessoal, certa feita comprei por puro acaso o livro Getting Things Done, e ele mudou completamente a minha visão sobre o tema, pois me fez perceber que a abordagem adequada para se lidar com "organização" é perceber do ponto de vista psicológico que existem certos fatores de resistência que dificultam o processo, e ensinou algumas técnicas para se tentar reduzir essas barreiras. Ele te ajuda a criar bons hábitos de organização pessoal de uma forma mais natural, afim ao teu processo natural de funcionamento.
Ainda no interesse em me organizar melhor, acabei comprando Os 7 Hábitos das Pessoas de Altamente Eficazes, best seller no mundo - que nunca li complemetamente, mas rapidamente entendi a mensagem, e logo me pôs a pensar: o que faz algumas pessoas terem sucesso e outras não? O que faz certas pessoas tornarem-se heróis, líderes, ícones?

É fácil perceber que não se trata de nenhuma característica inata na maioria dos casos - pois se assim o fosse, todas as pessoas de sucesso seriam gênios ou supra-sumos genéticos, e isso nitidamente não é o caso.
Me lembrei do livro Inteligência Emocional no Trabalho, que deixa muito claro que as habilidades emocionais são as que mais trazem impacto no nível de sucesso e felicidade alcançados pelas pessoas, e que a inteligência convencional ou as características físicas influenciam muito menos do que convencionalmente se imagina.

É também fácil perceber que não é o meio que determina o sucesso, ou a família, ou as condições sociais - pois fosse assim não haveria movimento social entre classes, nem Gandhi, nem Cristo e nem Mandela seriam ícones, e nem haveria tantos outros diversos casos de pessoas em condições extremamente desfavoráveis que fizeram enormes fortunas em pouco tempo, a despeito de tudo. A propósito, alguém aí viu o filme Em Busca da Felicidade?!

Será que as pessoas de sucesso têm alguma "fórmula secreta" implícita em si? Qual essa fórmula? Não fui o primeiro a perguntar isso - aliás, foi essa pergunta que levou o autor dos 7 Hábitos a descobrir padrões de comportamento entre as pessoas de mais sucesso, e a escrever o livro.
Lembrei de um programa da NatGeo onde estavam mostrando uma espécie de siri lutando: naquela espécie, dois siris machos iriam lutar e o perdedor perdeira apenas uma única vez na vida: o perdedor dispara um mecanismo em seu cérebro que o torna submisso para sempre! Isso realmente me pôs a pensar: o macho perdedor  é perdedor simplesmente porque o cérebro dele lhe diz para ser. E se o cérebro do perdedor não registrasse essa derrota, ele poderia lutar novamente com o macho alfa e vencê-lo? E se o macho alfa venceu por sorte, porque tinha uma pedra no meio do caminho (sem qualquer conotação poética...)? Será que esse tipo de mecanismo existe em nossos cérebros também?! Será que essa é a diferença entre as pessoas de sucesso e as pessoas comuns - a simples "crença", impressa em nosso cérebro, inconscientemente, de que "podemos" ou não "podemos"?

Mais tarde houve outro livro, Thinking and Reasoning in Human Decision Making, que passei a estudar porque também me interesso pela forma como as pessoas se comunicam. Já me interessava pelo tema das "discussões que viram briga", pois me irritava entrar numa discussão e apresentar todos os argumentos lógicos e mesmo a outra parte entendendo a lógica, não aceitar a dedução dos argumentos (pois isso é lógicamente impossível e incoerente). E voltei a me interessar pelo tema quando percebi que para uma "democracia direta" a principal ferramenta necessária é um framework pelo qual um número muito grande de pessoas consiga chegar em um consenso lógico. E especialmente para tentar criar esse framework de como as pessoas poderiam chegar a consensos de forma lógica, comprei esse livro - e acabei por entender que as pessoas não se comunicam de forma lógica. Grande revelação: a maior parte das nossas decisões cotidianas não são baseadas em lógica, mas sim em heurísticas, que na maioria das vezes são muito influenciadas por aspectos emocionais!

Ahá! Agora junta tudo: Inteligência Emocional, que diz que o controle emocional é o principal fator de sucesso; os 7 Hábitos, que indetifica padrões comportamentais nas pessoas de sucesso; o siri do NatGeo, que gravou em 1 momento no seu cérebro um comportamento que influencia o resto de sua vida... Resposta: os hábitos são o que diferenciam os gênios, os heróis e os líderes, das pessoas comuns; os hábitos é o que dão sucesso às pessoas. 

Os hábitos são comportamentos cotidianos que fazemos sem pensar, durante a maior parte do nosso tempo. Não são momentos de sorte ou de superação que mudam a vida das pessoas. Sim, podem mudar; mas como a vida é longa, a probabilidade de "azares" de mesma magnitude é a mesma, e no final tudo se equilibra. Mas algo que você faz o "tempo todo" e na "maior parte do tempo" tem um efeito cumulativo durante toda a sua vida. O sucesso é uma construção cotidiana, moldado em hábitos.
Desde lá passei a me interessar pelo tema "hábitos". E percebi padrões de algumas pessoas de sucesso, como no livro do Bernardinho, onde ele demonstra o hábito de se manter fora da zona-de-conforto para atingir e manter níveis de excelência esportiva; no livro Pai Rico Pai Pobre, onde o autor em um trecho conta ter feito um curso sobre mercado imobiliário e que ficou rico (simplesmente porque ao contrário dos seus colegas de curso, ele resolveu de fato por em prática o que aprendeu no curso); e diversos outros livros e comportamentos cotidianos de pessoas diversos (aos quais eu ainda continuo prestando atenção).
Recentemente aguardando pelo horário do cinema acabei matando tempo em uma livraria (dois dos meus hábitos), e me deparei com o livro "The Power of Habit". Comprei sem pensar, mais interessado em gamification (porque estou muito focado em fazer do Spotwish o melhor aplicativo que irá proporcionar a melhor experiência de vida real do mundo), e me surpreendi muito. Ele explica como os hábitos se criam, como mudar hábitos, e todo o processo cerebral envolvido nisso. Fundamentou o que eu já desconfiava. Recomendo a leitura.

Enquanto uns assistem novela, outros têm o hábito de ler. Enquanto uns dormem um  pouco mais para curtir a sensação de prazer do sono, outros levantam cedo para fazer exercícios. Enquanto uns correm risco, se manifestam e inspiram as massas, outros sofrem calados e submissos. E tudo são hábitos, construídos e reforçados no dia-a-dia. E isso é o que explica e diferencia as pessoas de sucesso: hábitos - mesmo que inconscientes. 

E não me entendam mal: não faço julgamento de valor em cada atividade. Talvez ver novela te torne uma pessoa mais feliz e isso seja mais útil para alguém do que ler (e há leituras mais ou menos úteis para cada indivíduo também...).
Mas se conscientemente buscarmos mudar os hábitos que não queremos ter, isso será um dos principais fatores de diferença nos resultados que você vai alcançar ao longo de sua vida. Hábitos não dependem da sorte, nem de outras pessoas, nem do clima. Hábitos dependem de você, apenas.

E se os meus pais, tia e vó não tivessem o hábito de ter sempre livros e enciclopédias esparramados pela casa, aliado à minha curiosidade inata, possivelmente eu não tivesse me habituado a ler tantos livros e nem tido tantas referências para acabar percebendo isso.
Aliás, hoje é dia dos pais: obrigado pai!  :-)

-- João Otero - 12-08-12 --

29 julho 2012

Me disseram

"Graças a Deus!" - me disseram... :(

28-abr-10

Quando


quando a porrada vem
a gente fecha os olhos
quando apita o trem
a gente vira as costas
quando a saudade aperta
a gente liga o rádio
quando a distância aparta
a gente manda a carta
deixe o amor que arda
e a alegria tarda
e a gente faz é nada

-- João Otero - 29-jul-2012 --

22 julho 2012

Da Lua


Porque a Lua inspira tanto o poeta?
Deve ser esse desdém no olhar, 
tão discreta espiando e lá, tão alta, 
e tão difícil de alcançar,
e tão esbelta, 
que nem precisa lembrar ao poeta
do seu devido lugar...

E porque o poeta só quer tanto o que não pode?
Ah... essa é a pergunta que me fode!

-- João Otero - 22-jul-2012 --

19 julho 2012

Menino


virada a pele do'homem ao avesso
debaixo o menino aparece
que coisa! perceber que em seu sentido
autêntico a impressão não se arrefece:
mantém sutil o rosto mais travesso,
e tudo o que é mais puro segue ileso...
e sem qualquer pudor (por mais que inspire),
ao tom do pensamento reza a prece: 
que eu possa ter enquanto ainda respire,
vazio de medo e livre de outros pesos,
de novo, as verdades que mantive
de volta a completar quem me merece

-- João Otero 19-jul-2012 --

18 julho 2012

Da Dor


Sofri, mas de sofrer se esquece
ao se passar constante em dor as horas
Espero pela dor que me merece
a despertar-me mais bravio no agora
atenta à aflição terrestre
do sonho que mais alto mora
Machuca, mas mostra-me que sentes
o apelo doentio que chora
clamando pelo amor latente
que um dia leve a dor embora

-- João Otero - 18-jul-2012 --

Para Poesia


Chega de clorofila,
de rimar as dores do amor,
chega de mitologia,
de reis, de deuses, de mar...
Não me venhas declamar atos heróicos, conquistas...
Não me filosofe no ouvido
deixando opiniões em pistas
Chega de abstrações concretas:
sejas direta! Mas sem pornografia...
O que quero que me digas? 
Entretém-me - és arte! -, Poesia!
Quintaneie-me um pouco, que eu preciso me acalmar
Que escrevam-te com as vísceras,
não com a mão, nem com a cabeça...
Há de te escrever, quem te mereça,
com os dedos do coração!
O que quero de ti, Poesia? 
Só um aparte de alegria!
Menos de filosofia, e um pouco a mais de arte!

-- João Otero - 18-jul-2012 --

07 julho 2012

Plumas







          plumas passaram
          pairando pelo pátio,
          portando pedidos...

          pingaram pintas de ciúmes 
          nas pedras




Veja outros poemas da coleção Letras

-- João Otero - 7-jul-2012 --

14 maio 2012

Perros




Palomas, perros,
pueblo -
pordioseros...
pidiendo pesos;
pescando restos.



 Veja outros poemas da coleção Letras

-- João Otero - Buenos Aires - 14-may-2012 --

Tango

También escribí mi tango en el Tortoni
- y quién bailaba era mi lengua:
Si lo peleó con leche quente, y el portugués,
y los dulces labios rojos de una chica.

-- João Otero - Buenos Aires, 10-maio-2012 --

06 abril 2012

Visita à Andradas

Que bonita que és,
Andradas querida!
Dentre as belas,
a mais bonita
namorada do Quintana
Que te declamou a vida
em teus trejeitos e reclames
Depois dele não há
quem não te ame!
Até nessas tuas rugas,
e em todos os teus cochichos...

-- João Otero - 5-abril-2012 --

27 março 2012

Boiada

Passa boi, passa boiada
- bradava o vaqueiro valente,
mas parou.

Veio pra São Paulo,
e lá vai ele...
passando como boi
na escada rolante
do metrô.

-- João Otero - 27-mar-2012 --

22 março 2012

Nostalgia de minha terra

Senti saudade dumas gotas d'água
Ah!, quem bebeu dequela fábula...

-- João Otero - 22-mar-2012 --

08 janeiro 2012

O ócio

o ócio
é simplesmente mais um pouco
de tudo o que é fútil
de tudo o que é pífio
um grito que é rouco
é o sócio da agonia
com maestria encarnada em dó
é aquele nó da garganta
de quem não mais se levanta
com a pancada de um soco
é quando o espírito, roto,
já desistiu
virou pó

-- João Otero - 9-jan-2012 --

Transitório

quando se chora de alegria
é por perceber
que tudo o que sempre se queria
jamais voltará a ser

-- João Otero - 8-01-2012 --

04 janeiro 2012

Minha poesia samba

Gosto da imagem da língua
batucando o céu da boca
abafando as notas mudas
de cada letra
como quem samba

Eu gosto da rima pobre
que rima mais, com muitas cores;
pois não é a alegoria
do fim da frase
que me faz bamba

...É esse embalo na rima
e a embriaguez deturpando
duas palavras amigas
de fim-de-festa,
quando se camba

-- João Otero - 5-jan-2012 --
Já não faço mais resoluções de fim-de-ano.
Tampouco reclamo do ano passante ou o menosprezo. Não espero mais que o ano que vem seja melhor.

Torço simplesmente para que ele não me traga maiores problemas do que trouxe o que já se vai (porque vendo daqui, até foi fácil...). Mas não é nem ao ano a quem eu rogo; é a mim mesmo. Decisões mais sábias, mais experiência.

Experiência que aprendi a consolidar com uma retrospectiva de tudo de bom que aconteceu nesse ano que passou. E teve muita coisa boa. Abro um sorriso porque eu sei que o próximo vai ser ainda melhor.

E quanto ao primeiro do ano, é simplesmente uma continuação dessa trilha. Não tenho nada para renovar ou prometer. Baixar cabeça e continuar trabalhando. Não se mexe em time que está ganhando, afinal.

Começar tudo de novo é burrice. O caminho percorrido é parte da trilha.

26 dezembro 2011

Da poesia

A poesia
a mim
vem como uma criança
assim
como a esperança
de voltar a sentir aqueles anos
tão cheios de planos
tão leves de enganos
por mais um dia

-- João Otero - 27-dez-2011 --

Parreiras

Parreiras de uva
- e de que mais seriam?!
De cachos dourados?
De cachos que brilham...?

Parreiras de amantes
fugidos da chuva
Pecados travessos
com gosto de uva

-- João Otero - 23-dez-2011 --

17 dezembro 2011

Faquir

Faquir

foi faquir de seus próprios sonhos
com agulhadas, com nostalgia
foram tantos os desesperos que nem mais sentia
e nessa cama de cacos a sempre embalar seu sono
suspendeu-se acima de quaisquer mazelas
e com nenhuma ferida, em apatia
pairou lá, adormecida, e nem sabia
que lhe ninavam as estrelas

-- João Otero - 17-dez-2011 --

30 outubro 2011

O silêncio e a sacolinha

o silêncio roçou meus dentes
despido de melodia
...ele simplesmente não sabia
 qual nota desafinar

logo o vi dobrando a esquina
pegar carona num vento
e assobiar...

fugiu com uma sacolinha...
e talvez tenha esquecido
algumas palavras pra trás

-- João Otero - 31-out-2011 --

26 outubro 2011

Olhos de ver

quando nasceu o meu olhar
desabrochando um sonho
com olhos de ver
que eu nunca havia tido

quando antevi o perigo
que a estabilidade tem
em embalar o tempo
com mesmice

resgatei a criancice
inocente do impossível
e pintei uma tela
com o que não existe

e então eu soube por que viver

-- João Otero - 26-out-2011 --

23 outubro 2011

Porque pediste pra eu falar de cores (Verde)

                         E a barba grisalha de um velho
                         que ali mendiga
                         E a esperança...

                         E o limo, a pedra, a Pátria
                         escorregando
                         E a desavença...

                         E a folha tão frágil
                         tombando
                         Mas não ao vento

                         E a mata - enquanto há mata -
                         antes que mate-se
                         o sentimento


Veja outros poemas da coleção Cores

-- João Otero - 23-out-2011 --

20 outubro 2011

Poetic Dialog with Robert Frost

Poetic Dialog with Robert Frost

I know, my friend, I'm getting old.
And true, some things are hard to hold...
The golden green of morning breath;
And drops of hope along the path.
As we both know, the bright sun fades.
Yet, in the poles, it longer stays.
I'd rather sit here far away
but keep this gold all day.

-- João Otero - oct-20-2011 --

16 outubro 2011

Porque pediste pra eu falar de cores (Marrom)

                                  ...e vi as folhas caindo
                                  embalando o tempo
                                  a levantar poeira

                                  há a foto velha em minha memória
                                  alguns cafés às tardes virando história

                                  e vou vivendo à brasileira
                                  neste passatempo
                                  às vezes lindo...


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-- João Otero - 16-out-2011 --

14 outubro 2011

Linda

métrica perfeita da formosura...
alguma coisa que tens é a loucura
renunciando a minha cautela
traíste a beleza: és mais bela!
incandesceste a ternura
na perfeição que modela
atentamente teus traços
lapidados em um só passo
intencional de candura
nem mesmo um dó se desvela...
dessa dor que me flagela
aténs-te à beleza mais pura

-- João Otero - 14-out-2011 --

11 outubro 2011

Porque pediste pra eu falar de cores (Vermelho)

                                  E há essa rubra feição em meio à ingênua maldade
                                  ...esse rubror da serpente;
                                  a cor das maçãs na face
                                  E há o borrado batom nas esquinas da cidade
                                  ...esse rosado que veste
                                  a nua pele em disfarce
                                  E o há numa língua ansiosa, porém que diz a verdade
                                  Ele, às paixões, dá uma rosa
                                  ou tinge o chicote que arde


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-- João Otero - 11-10-11 --

06 outubro 2011

Lágrimas




Lágrimas lustrosas!
Lisonjeando - lastimosas - lindas linhas,
lisos lábios,
lúdicas línguas...
Liras lacrimosas!
Lastros latejantes!
Listrando leves lâminas,
lancinantes  lástimas,
lânguidos cortes...



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-- João Otero - 28-set-2011 --

03 outubro 2011

Saudade





sorriso: saudade
solidão... so sad
saída? sei lá...
sossego? someday...
se saio sorrindo,
- será? - sonhei!



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-- João Otero - 3-out-2011 --

16 setembro 2011

A minha alma

A minha alma

roendo as unhas
rangendo os dentes
mexendo as pernas
resmungo preces

e a minha alma
antes desnuda
de que se veste?

atrás dos panos
depois dos planos
passado os anos
ela se veste...

a minha alma
regada a sonhos
me desmerece

-- João Otero - 16-set-2011 --

21 agosto 2011

Reflexão Cinestésica para Pensar em Voz Alta

Reflexão Cinestésica para Pensar em Voz Alta


                                                                    Uma vela
                                                                    acesa pra ver...
[1 pausa]
                                                                     Mas quantas velas
                                                                     pra não se poder mais
                                                                     conseguir olhar?
[1 pausa]
                                                                     E tantos corações
                                                                     fazendo o peito bater
[1 pausa]
[sussurrando:]                                              mais rápido
[1 pausa]
                                                                      Mas um só coração
                                                                      deixando o peito pairar
[1 pausa]
[sussurrando:]                                               estático
[2 pausas]

                                                                       O que devem fazer
[inspira fundo, enchendo todo o pulmão]
[em voz alta, num só sopro:]                          aqueles que sorvem os extremos sem
                                                                                   /nem sequer saber que gotas
                                                                                   /são mares e mares são poças?
[inspira fundo]
                                                                        ...Questões que são perigosas
[1/2 pausa]
                                                                         em faltar respostas.





-- João Otero - 21-ago-2011 --