20 março 2011

Do tanto que eu tenho

Do tanto que eu tenho

é cheio de tanto
o peito que eu tenho    
um tanto que quanto
de tudo o que eu minto
e às vezes dá nele
um vazio tão cheio
tão cheio de tanto
esse lado que sinto

é de um tanto quanto
metade do meio
enchido de sonhos
dum sono que tenho
num vento varrido
em borboleteio
chegou-me atrevido
com um galanteio

e o cheiro de encanto
do lado do meio
tão perto da lua
tão perto do seio
flutua vazio
bem leve e ligeiro
varrido dos campos
de um sono alheio

e como era lindo
o vento ventando
o pranto que omito

e como era feio

-- João Otero - 20-mar-2011 --

28 janeiro 2011

O medo

o medo,
um algo ruim dissolvido na incerteza
assaltante e posseiro da mente,
cujo pensamento deveria unicamente
se ocupar de mexer as pernas imóveis,
de correr com presteza!
o medo,
que não serviu jamais para mais do que alguns conselhos
que no teu espelho, serviu apenas para evitar alguns cacos,
uns parcos erros, alguns cortes
(mas já se sofrendo...)
o medo,
que serviu apenas para evitar algumas mortes
(mas já se morrendo...)
o medo,
que enfim, pobre coitado,
nunca deixou por estes lados nada que preste
o medo,
professor severo da timidez
inimigo da paixão e qualquer outra insensatez
palhaço triste do circo da vida, ocupando as tuas noites,
no picadeiro dos teus sonhos
(porque não mais dos meus)
ao medo,
companheiro daqueles que não têm ânsias,
companheiro daqueles que não têm sorte,
o meu sincero abraço forte,
as minhas palmas
e adeus!

-- João Otero - 27-jan-11 --

18 janeiro 2011

Memórias de vinho, macarrão, sushi e bochechas de uma mulher-gato.

10 janeiro 2011

Veias

Dóem as veias
De que se nutre essa dor?
Estariam entupidas
De angústias ou pavor?
Ou estariam elas secas
De amores e frescor?
Dóem as veias
Dóem-me mais do que a dor
Dóem-me além do corpo
Que se esvaiu em torpor
Teriam as veias levado
Para longe o meu calor?
Dóem as velhas veias
Intimadas a depor

-- João Otero - 10-jan-11 --

04 janeiro 2011

Nunca confie nos teus amigos bêbados

A mão companheira é a que bendigoSegredos contados por entre alguns dedos
Onde há abrigo,
confronta-se os medos
...Mas nunca confie nos teus amigos bêbados

Nunca confie nos teus amigos bêbados!

Tudo o que já pude, tudo o que consigo
Tudo o que imito, todos que arremedo
Se são teus amigos
Desvele o segredo
...Mas nunca confie nos teus amigos bêbados

Nunca confie nos teus amigos bêbados!

-- João Otero - 4-jan-10 --

13 dezembro 2010

relógio

Meu relógio biológico tá estragado!

pensamento: sábio

Já que eu não posso ser burro, que possa ser sábio...

pensamento: ironia

A ironia é o argumento dos fracos.

08 dezembro 2010

À Madrid

À Madrid

Pensei em te dar uma flor
mas uma flor não servia,
porque as pétalas não cantam
como encanta a poesia
que brotou do teu olhar
que me tem com simpatia,
que aflorou a aflição
de um amor que eu nem sabia...
Pensei em te dar uma flor,
mas te dei minha poesia...
Eu só quis que tu soubesses
desse amor que eu sentia

-- João Otero - 8-dez-10 --

06 dezembro 2010

Saudade Degringolada

Se eu sentisse saudade delaseria de cor amarela
Dessas, de fim de tarde...

E sopraria uma brisa
dessas que afloram cismas
censuradas da verdade

É... Seu eu tivesse essa saudade,
seria minha!
E não dela! - a infeliz dessa cadela -
que não era quem eu tinha




ps:   :-P   lamentável... hehe ;-)

-- João Otero - 6-dez10 --

24 novembro 2010

Matei uma Barata

Matei uma Barata

Agora há pouco matei uma barata.
Mas não era uma barata qualquer. Era uma ba-ra-ta; pré-histórica; quase 10 centímetros...
Quase um mamute!

Eu já tinha visto essa nojenta outro dia.
Tentei duas chineladas, mas não adiantou. A barata se jogava da parede - literalmente - bem na hora que eu ia acertá-la.
Deixei a janela aberta, com a esperança de que ela tivesse querendo ir embora.  Como não a vi mais por uns 2 dias, assumi que ela tinha colaborado com a minha situação.

Foi aí que eu li a notícia de uma pesquisa recenta da UFRJ, onde diz que a inversão térmica do verão faz as baratas saírem dos bueiros e procurarem locais mais frescos: isso mesmo, nossa casa. É parceiro... quando Murphy ataca, Murphy ataca mesmo.

Já não chega o nojo - o completo asco que me dá só imaginar a imagem de uma barata; hoje,  eu, revirando meus papéis, dou de cara e quase que encosto numa!

Pra conseguir matar uma barata, você tem que pensar como elas.
Se um cara com muita raiva de mim estivesse me caçando impiedosamente, e eu fosse uma barata, para onde eu iria? Obviamente para o buraco mais escuro e difícil de cavocar possível, tão logo esse maluco desse a primeira chinelada.

A operação se deu mais ou menos assim: primeira coisa, retirar todos os papéis, livros, aparelhos, e pilhas e pilhas de coisas que estavam naquela sala (recém me mudei pessoal), em volta do balcão-hotel apropriado pela Barata.
Levei tudo pra sala ao lado. Ensacolei todas as bugigangas soltas espalhadas ao redor, pra não dar margem à obstáculos me atrapalhando.
Arredei todos os móveis, para não deixar lugares inalcançáveis.
Ela tinha entrado numa caixa. Deixei a caixa para mexer por último.
Enfim tentei matar a desgraçada, mas ela fugiu ao redor daquele balcão umas quatro vezes; todas tentativas de assassinato frustradas. Ela corria por todos os lados, se enfiava em todos os buracos e ficava até de ponta-cabeças nas reentrâncias do móvel.

Bem, pensei: agora que eu tinha movido tudo para a outra sala, essa outra sala automaticamente teria se tornado o lugar preferido para a próxima hospedagem noturna da filha-da-puta da Barata. Eu já tinha me resignado. Comecei a guardar meus livros e ajeitar melhor as coisas, para pelo menos diminuir essa probabilidade.

Pra fazer uma ideia do tamanho da barata, sabe como eu fui conseguir matar a infeliz? ...Eu estava levando os livros da segunda sala pro meu quarto, quando ouvi um barulho naquela primeira sala.

O que eu ouvi era a barata carrendo! A barata era tão grande que dava pra ouvir os "passos" dela!
Peguei a infeliz quase na porta, indo justamente para a sala do lado!

Eu não teria conseguido pensar tão bem como uma barata nem que eu fosse uma!

Teve mais um corre-corre, mas dessa vez em campo aberto: salve Sun Tzu, senhor da guerra, e todos os aprendizados que ele me deu sobre "o terreno"!
A barata dessa vez não teve a menor chance. (Apesar de eu ter fechado os olhos; porque aquela gosma é foda...)

E a tal pesquisa da UFRJ ainda fica do lado das baratas, vê se pode?!
Ah, é comida do passarinho? Ah, faz parte da cadeia alimentar da aranha?
...Eu quero mais é que se fodam todas as baratas!
Os passarinhos e as aranhas que virem vegetarianos, ué! Não está na moda mesmo?!

Finalmente, achei o abridor de vinho que eu tava procurando antes disso tudo.
A lei da compensação pelo menos fez gelar um pouco mais o vinho que eu deixei no freezer.

Um brinde às baratas mortas. Saúde pra mim!

-- João Otero - 24-nov-10 --

23 novembro 2010

música: A Rima

A Rima
(samba)

Você que está aí tão distraída
nessa cadeira de madeira envelhecida
me ouvindo cantar e beijando uma bebida
daquelas fortes, só pra esquecer da vida -
vem me beijar...

Você que me parece tão doída
venha pra perto e se escore cá num canto
pra desfazer essa amargura entristecida
vindo provar o dôce mel dos meus encantos
enquanto eu canto...

            Você não tenha pressa de saber
            daquela rima em que eu falo de você
            como se fôsses minha bela, minha linda
            a perdição da minha vida, o meu dôce
            como se fôsses...

         (ai, aiai, aiai, aiaiai, aiaiai... como se fôsses)
         (ai, aiai, aiai, aiaiai, aiaiai... a minha vida e o meu dôce)

Você que em tristes olhos acolheu
os lentos sôfregos arranhos de um violão
enquanto eu toco o seu olhar com os olhos meus
dentro dos seus me vejo só você e eu
pelo salão

            Você que se encontrava sem abrigo
            já tem meu peito como seu novo recanto
            Te quero tanto, mesmo quando eu não te digo
            você comigo é a tal rima que reclamo,
            pois já te amo!

         (ai, aiai, aiai, aiaiai, aiaiai... foi só te ver e eu já te amo!)
         (ai, aiai, aiai, aiaiai, aiaiai... foi só te ver e eu já te amo!)

-- João Otero - 22-nov-2010 --

31 outubro 2010

Anjo que passa

venha meu anjo,
e dance o teu ventre
por entre essas mesas
e seja a beleza
por entre essas taças
desalma-me o dia
desarma-me o punho
desfaça a tristeza
que ia em meu cunho

(e eu sigo vidrado no jeito que passas...)

venha meu anjo,
com tua silhueta
sineta dos sonhos
que eram tristonhos
até teu olhar
dilata-me o instante
destrata-me o beijo
que eu pressuponho
ante o teu desejo

(...mas não me censures só por te beijar!)

-- João Otero - 31-out-10 --

28 outubro 2010

Loucura

cada qual mulher tem sua vil loucura
e eu, com meus cascudos, não entendo nada...
numas sei que fui a loucura provocante
mas de outras eu tive a loucura provocada

vêm com apetrechos, cheias de frescura
uma, de varrida, me deixou por nada
mas depois voltou, cheia de ternura
sendo inda mais louca e se jurando fada

cada qual mulher, uma loucura errante;
cada tal loucura que se faz por nada...
uma, que me amava, se mentia pura
outra, nao me disse e me perdeu na estrada

-- João Otero - 24-28/out/10 --

04 outubro 2010

Ouvi uma pérola hoje: "o que estraga a boceta é a mulher que vem junto..."

15 setembro 2010

As Vogais dos Meus Olhos

E depois de rimar essas vogais
que despencam dos meus olhos

com um "vai, meu pai... descanse em paz"

queria que as lêsseis de traz pra frente
e me dissésseis:

"ia, meu filho... não vou mais!"

...Mas eu sei que tu não podes me esquentar
outra vez com teu beijo

se da boca fria o hálito nem sai

Tenho então meus olhos soluçando com as vogais
que eu não queria

rimas de perfeita companhia
ao resto de esperança que me trai

-- João Otero - 26-ago/15-set-10 --

05 setembro 2010

Chorei hoje.

15 agosto 2010

Houvesse figura

é tão doído
um parto de letras
num buraquinho que nem se consegue saber
pra se dizer o que nem lá se tem consciente
...essas palavras que eu não consigo achar
entre dois-pontos e um parêntese aberto

-- João Otero - 16-ago-10 --

pensamento: E viveram felizes para sempre

"...E viveram felizes para sempre" é algo que um autor preguiçoso escreveu pra não ter que continuar a história em outros livros... E desde então, os demais autores apenas copiaram.

05 agosto 2010

pensamento: rosas

Nem tudo é um mar-de-rosas... Mas uma rosa, umazinha, já não é um mar...?!