If I saw a butterfly,
with wings wide open
floating in the air...
like seeing you passing by
with your sweet green eyes
making me swear
that if I had a chance
I would not miss it,
that if I had your lips
they would've been kissed!
I think that no... I wouldn't swear!
I would have waited
and let her free
to choose the best time
to come to me.
But, see, this butterfly...
your're not like her.
I see more colors in your delicate skin
I see more truth in your human sins
...and I see a sun that isn't fair.
'Cause it goes down, and you'll be gone.
Tomorrow night I'll be alone
- no butterly to dance to me!
So, time is running, and I can't wait.
And even thought with foolish faith,
I have to try to catch your flight,
in kisses, pictures, 'round my arms...
I have to try to hold you tight,
at least to think that I can hide
the sun from time,
the time from you
...and freeze your wings.
-- Joao Otero nov-2008 --
10 novembro 2008
Teal
there's a fading blurred line
between deep ocean
and sky,
there where you lose your eyes
into the waves
- or clouds,
where you don't know if you'll go
to where your heart loudly shouts,
where you don't know if you'll drown,
or maybe float,
or just walk
away from the shooting star
where once upon was a sign
to guide your sight and your route
-- Joao Otero nov/2008 --
between deep ocean
and sky,
there where you lose your eyes
into the waves
- or clouds,
where you don't know if you'll go
to where your heart loudly shouts,
where you don't know if you'll drown,
or maybe float,
or just walk
away from the shooting star
where once upon was a sign
to guide your sight and your route
-- Joao Otero nov/2008 --
01 outubro 2008
Causo
Dizia meu vô que certa vez ao entrar num banheiro dum restaurante de beira-de-estrada ouviu alguém exclamar lá de dentro aos demais do recinto: "...Mas uma cagada é a melhor coisa do mundo!".
Admirado, eis que meu vô responde:
"Ou esse cara não sabe foder, ou sou eu que não sei cagar!".
É... Vivendo e aprendendo.
Admirado, eis que meu vô responde:
"Ou esse cara não sabe foder, ou sou eu que não sei cagar!".
É... Vivendo e aprendendo.
28 agosto 2008
Bifurcações
britadeiras barulhentas, batidas, barbáries...
belo benfeitor, baratos bifocais.
benditas badaladas!
bonde, bifurcação, bosque...bordel!
bisbilhotices, baralhos, bizarrices bestiais
banho, belas brincando, barbitúricos, Ballantines
bolso balançando... barganha...
bala!
corpo boiando.
Veja outros poemas da coleção Letras
-- João Otero - 2-mar-2005 --
14 agosto 2008
Paixão e Amor (piegas, eu sei)
- por João Otero - 14/agosto/08
Enjôo muito facilmente.
Sempre me perguntei "como?" é que pessoas encontram suas almas-gêmeas e que diabos de amor é esse que faz as pessoas ficarem juntas para o resto da vida...
Na ignorância da minha adolescência sempre me pareceu impossível; no máximo, conformista.
Mas na análise das motivações acerca das separações (e que são muitas aqui nos EUA!) e na discussão entre amigos sobre a perecividade (ou não) da paixão, acabei por achar a minha resposta.
Pois que seja a paixão perecível, e que o amor não se sustente sem paixão, como sobrevivem os amores? Ou seriam apenas conveniências e conformismos os sobreviventes?
Mas e a paixão platônica, eterna, romancista, literária - existiria? Que sem graça a vida em não existindo!
Pois minha resposta é simples: o amor não sobrevive sem paixão - fato; mas as paixões não cessam, e sim se transformam.
Há três fases básicas, talvez quatro (ou até mais) nos relacionamentos longevos, todos sustentados por paixão, e que constróem o amor verdadeiro.
Primeiro há a paixão-larva, essa que se canta nas músicas, facilmente reconhecível, arrebatadora; seu propósito é a união inicial, a atração. E ela dura um tempo.
Depois, a paixão-casulo, trabalhosa, cultivante, se preparando para merecedora da borboleta....
E enfim a paixão-borboleta: reconhecedora de todo o esforço, colorida e orgulhosa dele.
A característica intrínseca mais marcante de qualquer paixão pode talvez ser a "descoberta". Cujo antônimo, o "tédio", define também justamente o seu ocaso. E então, se o romance-larva sobreviveu aos demais infortúnios e provações, é hora de trocar de brinquedo. E há no curso natural da vida outras "descobertas" a que se apaixonar: filhos podem ser uma nova motivação comum, um novo jogo, um novo desafio. Vira-se casulo.
Durante esse jogo, mais tarde, construiu-se, sem se perceber, um livro. E a história ganha peso suficiente, e alegrias e obstáculos acumulados o suficiente, para pôr na balança e justificar decisões, manter união, fazer valer a pena. Está-se borboleta.
E quem sabe ainda vêm os netos... (E sei lá eu o que acontece com as borboletas...)
A paixão nunca deixa de existir. Muda de cara. Mas está sempre lá, prestando suporte ao amor.
...Mas e eu, que enjôo muito facilmente?!
Bem, acho que ainda sou larva.
Se quiserem, me chamem de "verme"... ;)
Ou, a quem se arriscar, convença-me a casulo.
Enjôo muito facilmente.
Sempre me perguntei "como?" é que pessoas encontram suas almas-gêmeas e que diabos de amor é esse que faz as pessoas ficarem juntas para o resto da vida...
Na ignorância da minha adolescência sempre me pareceu impossível; no máximo, conformista.
Mas na análise das motivações acerca das separações (e que são muitas aqui nos EUA!) e na discussão entre amigos sobre a perecividade (ou não) da paixão, acabei por achar a minha resposta.
Pois que seja a paixão perecível, e que o amor não se sustente sem paixão, como sobrevivem os amores? Ou seriam apenas conveniências e conformismos os sobreviventes?
Mas e a paixão platônica, eterna, romancista, literária - existiria? Que sem graça a vida em não existindo!
Pois minha resposta é simples: o amor não sobrevive sem paixão - fato; mas as paixões não cessam, e sim se transformam.
Há três fases básicas, talvez quatro (ou até mais) nos relacionamentos longevos, todos sustentados por paixão, e que constróem o amor verdadeiro.
Primeiro há a paixão-larva, essa que se canta nas músicas, facilmente reconhecível, arrebatadora; seu propósito é a união inicial, a atração. E ela dura um tempo.
Depois, a paixão-casulo, trabalhosa, cultivante, se preparando para merecedora da borboleta....
E enfim a paixão-borboleta: reconhecedora de todo o esforço, colorida e orgulhosa dele.
A característica intrínseca mais marcante de qualquer paixão pode talvez ser a "descoberta". Cujo antônimo, o "tédio", define também justamente o seu ocaso. E então, se o romance-larva sobreviveu aos demais infortúnios e provações, é hora de trocar de brinquedo. E há no curso natural da vida outras "descobertas" a que se apaixonar: filhos podem ser uma nova motivação comum, um novo jogo, um novo desafio. Vira-se casulo.
Durante esse jogo, mais tarde, construiu-se, sem se perceber, um livro. E a história ganha peso suficiente, e alegrias e obstáculos acumulados o suficiente, para pôr na balança e justificar decisões, manter união, fazer valer a pena. Está-se borboleta.
E quem sabe ainda vêm os netos... (E sei lá eu o que acontece com as borboletas...)
A paixão nunca deixa de existir. Muda de cara. Mas está sempre lá, prestando suporte ao amor.
...Mas e eu, que enjôo muito facilmente?!
Bem, acho que ainda sou larva.
Se quiserem, me chamem de "verme"... ;)
Ou, a quem se arriscar, convença-me a casulo.
04 agosto 2008
Best Doughnut in the World Ever
25 julho 2008
Franqueza
Já aprendi que não se muda ninguém.
E cabe a ti aceitar ou recusar o que é, do jeito que é. Só te cabe a escolha, e nada mais.
Triste, como pode parecer; mas simples. A vida é muito simples. Nós é que teimamos em complicar.
A verdade é estampada. Cabe a ti ser apenas franco.
E vale notar que a franqueza difere da verdade.
A verdade é impessoal, o cerne de um fato. A franqueza transcende a verdade: é um valor e define caráter.
A verdade é implícita; a franqueza, explícita.
A verdade pode ser mascarada, omitida; a franqueza não.
A franqueza é a verdade proposital, não apenas circunstancial; não espera ser inquirida, indagada ou examinada; ela é apresentada expontaneamente, crua e sem intenção.
A verdade pode acompanhar a dúvida; a franqueza é companheira apenas da certeza - seja ela qual for.
Entre a verdade e a franqueza, prefiro receber o tratamento da última. Mesmo na dor que ela eventualmente provoque, e que a simples verdade - ou sua falta - poupasse. Porque a dor da franqueza é derradeira: é o chão, e de lá se constrói o alicerce, sabendo-se que o terreno é firme.
E mesmo que ambas se anteponham à mentira, o fazem em diferentes maneiras. A verdade aceita sua convivência, eventualmente. Mas a franqueza não.
E essa mentira, que "tem pernas curtas", é um fenômeno entrópico. Muita energia é necessária para que ela sobreviva...
E toda essa energia, física e psíquica, consome. Causa pequenas frustrações que se acumulam e influenciam. Tanto para o enganado quanto para o enganador.
Toda mentira cai em contradição, eventualmente, se levada por muito tempo. E mesmo o pior dos cegos, um dia a vê.
E para ambos o enganador e o enganado, a noção consciente de se estar afastando-se de seus próprios princípios, dos valores que cada um tem a si próprio como certo e errado, leva invariavelmente ao destino da amargura.
E é claro que há mentiras inocentes: mas atribua-as grau pela tua própria consciência, pois tua consciência nunca trai
a ti mesmo, mesmo que tu queiras ter-te enganado. O teu certo e o teu errado, embora relativos aos demais, são absolutos a ti, e por conta deles é que te definirás feliz ou amargo.
Então, para quê desperdiçar tempo, fechando os olhos? Encurte-se o caminho - a franqueza é uma aliada.
Cutuque tua própria ferida. Dê a cara a tapa. Assuma teus erros. E assuma teus desencantos também.
Tão mais logo quanto o fizeres, tão mais vivo e livre serás.
Nao te contentes em ser apenas verdadeiro, mesmo que não te favoreça de imediato: sejas franco.
-- por João Otero - 25-jul-08 --
E cabe a ti aceitar ou recusar o que é, do jeito que é. Só te cabe a escolha, e nada mais.
Triste, como pode parecer; mas simples. A vida é muito simples. Nós é que teimamos em complicar.
A verdade é estampada. Cabe a ti ser apenas franco.
E vale notar que a franqueza difere da verdade.
A verdade é impessoal, o cerne de um fato. A franqueza transcende a verdade: é um valor e define caráter.
A verdade é implícita; a franqueza, explícita.
A verdade pode ser mascarada, omitida; a franqueza não.
A franqueza é a verdade proposital, não apenas circunstancial; não espera ser inquirida, indagada ou examinada; ela é apresentada expontaneamente, crua e sem intenção.
A verdade pode acompanhar a dúvida; a franqueza é companheira apenas da certeza - seja ela qual for.
Entre a verdade e a franqueza, prefiro receber o tratamento da última. Mesmo na dor que ela eventualmente provoque, e que a simples verdade - ou sua falta - poupasse. Porque a dor da franqueza é derradeira: é o chão, e de lá se constrói o alicerce, sabendo-se que o terreno é firme.
E mesmo que ambas se anteponham à mentira, o fazem em diferentes maneiras. A verdade aceita sua convivência, eventualmente. Mas a franqueza não.
E essa mentira, que "tem pernas curtas", é um fenômeno entrópico. Muita energia é necessária para que ela sobreviva...
E toda essa energia, física e psíquica, consome. Causa pequenas frustrações que se acumulam e influenciam. Tanto para o enganado quanto para o enganador.
Toda mentira cai em contradição, eventualmente, se levada por muito tempo. E mesmo o pior dos cegos, um dia a vê.
E para ambos o enganador e o enganado, a noção consciente de se estar afastando-se de seus próprios princípios, dos valores que cada um tem a si próprio como certo e errado, leva invariavelmente ao destino da amargura.
E é claro que há mentiras inocentes: mas atribua-as grau pela tua própria consciência, pois tua consciência nunca trai
a ti mesmo, mesmo que tu queiras ter-te enganado. O teu certo e o teu errado, embora relativos aos demais, são absolutos a ti, e por conta deles é que te definirás feliz ou amargo.
Então, para quê desperdiçar tempo, fechando os olhos? Encurte-se o caminho - a franqueza é uma aliada.
Cutuque tua própria ferida. Dê a cara a tapa. Assuma teus erros. E assuma teus desencantos também.
Tão mais logo quanto o fizeres, tão mais vivo e livre serás.
Nao te contentes em ser apenas verdadeiro, mesmo que não te favoreça de imediato: sejas franco.
-- por João Otero - 25-jul-08 --
01 junho 2008
21 maio 2008
A Formiguinha e a Neve (adaptação, sem censura, por João Otero)
E a Formiguinha que prendeu o pézinho na neve, disse pra Neve:
- Óh Neve, tu que és tão forte, solta o meu pézinho?
A Neve então respondeu:
- Mais forte que eu é o Sol, que me derrete.
A formiguinha então se voltou ao Sol, e lhe pediu:
- Óh Sol, tu que és tão forte que derrete a Neve, que prende o meu pézinho, solta o meu pézinho?
Ao que o Sol respondeu:
- Mais forte que eu é o Muro, que me tapa.
Voltando-se então ao Muro, disse a formiguinha:
- Óh Muro, tu que és tão forte que tapa o Sol, que derrete a Neve, que prende o meu pézinho, solta o meu pézinho?
O Muro lhe disse então:
- Mais forte que eu é o Rato, que me fura.
A Formiguinha então implorou ao Rato:
- Óh Rato, tu que és tão forte que fura o Muro, que tapa o Sol, que derrete a Neve, que prende o meu pézinho, solta o meu pézinho?
- Mais forte que eu é o Gato - disse o Rato - que me come.
Nisso, então, a Formiguinha pediu ao Gato:
- Óh Gato, tu que és tão forte que come o Rato, que fura o Muro, que tapa o Sol, que derrete a Neve, que prende o meu pézinho, solta o meu pézinho?
O Gato, apressado, lhe respondeu:
- Mais forte que eu é o Homem, que me caça.
Vendo o Homem se aproximar, a Formiguinha num alento voltou-se ao Homem:
- Óh Homem, tu que és tão forte que caça o Gato, que come o Rato, que fura o Muro, que tapa o Sol, que derrete a Neve, que prende o meu pézinho, solta o meu pézinho?
- Ô Formiguinha... tu tanto ficou nessa lenga-lenga que não tá vendo que a neve já derreteu faz horas?
- Óh! Nem havia me apercebido! Muito obrigado, óh Homem!
- Que é isso, nem me agradece... Agradece àquele gato pederasta que come o Rato, que fura o Muro, que tapa o Sol, que derrete a Neve... Falando nisso, cadê o Gato?! Pôrra, Formiguinha...!
...E num acesso de fúria, era uma vez uma Formiguinha.
-- João Otero - 13-mai-2008 --
- Óh Neve, tu que és tão forte, solta o meu pézinho?
A Neve então respondeu:
- Mais forte que eu é o Sol, que me derrete.
A formiguinha então se voltou ao Sol, e lhe pediu:
- Óh Sol, tu que és tão forte que derrete a Neve, que prende o meu pézinho, solta o meu pézinho?
Ao que o Sol respondeu:
- Mais forte que eu é o Muro, que me tapa.
Voltando-se então ao Muro, disse a formiguinha:
- Óh Muro, tu que és tão forte que tapa o Sol, que derrete a Neve, que prende o meu pézinho, solta o meu pézinho?
O Muro lhe disse então:
- Mais forte que eu é o Rato, que me fura.
A Formiguinha então implorou ao Rato:
- Óh Rato, tu que és tão forte que fura o Muro, que tapa o Sol, que derrete a Neve, que prende o meu pézinho, solta o meu pézinho?
- Mais forte que eu é o Gato - disse o Rato - que me come.
Nisso, então, a Formiguinha pediu ao Gato:
- Óh Gato, tu que és tão forte que come o Rato, que fura o Muro, que tapa o Sol, que derrete a Neve, que prende o meu pézinho, solta o meu pézinho?
O Gato, apressado, lhe respondeu:
- Mais forte que eu é o Homem, que me caça.
Vendo o Homem se aproximar, a Formiguinha num alento voltou-se ao Homem:
- Óh Homem, tu que és tão forte que caça o Gato, que come o Rato, que fura o Muro, que tapa o Sol, que derrete a Neve, que prende o meu pézinho, solta o meu pézinho?
- Ô Formiguinha... tu tanto ficou nessa lenga-lenga que não tá vendo que a neve já derreteu faz horas?
- Óh! Nem havia me apercebido! Muito obrigado, óh Homem!
- Que é isso, nem me agradece... Agradece àquele gato pederasta que come o Rato, que fura o Muro, que tapa o Sol, que derrete a Neve... Falando nisso, cadê o Gato?! Pôrra, Formiguinha...!
...E num acesso de fúria, era uma vez uma Formiguinha.
-- João Otero - 13-mai-2008 --
07 março 2008
Estrela
Se a cada estrela que te pende ao rosto
pendesse um brilho e uma promessa
cego estaria a jurar sem pressa
como tu és linda, como te gosto
E se a cada tempo em que eu me pegasse
perdendo as horas no meu delírio
e com tua estrela cegante em brilho
o meu olhar sufocasse,
que triste a vida se eu não jurasse
que eu morria um pouquinho!
-- Joao Otero - 7-dez-2008 --
pendesse um brilho e uma promessa
cego estaria a jurar sem pressa
como tu és linda, como te gosto
E se a cada tempo em que eu me pegasse
perdendo as horas no meu delírio
e com tua estrela cegante em brilho
o meu olhar sufocasse,
que triste a vida se eu não jurasse
que eu morria um pouquinho!
-- Joao Otero - 7-dez-2008 --
pensamento: Mulher Ideal
Se a minha mulher ideal é tão perfeita...
...que diabos iria ela querer comigo?!
...que diabos iria ela querer comigo?!
26 março 2005
Sobre a Arte
Sobre a Arte
Uma definição muito precisa e simples para responder a pergunta “o que é arte?” poderia ser: “a arte é a intenção da beleza”.
Não se está, assim, avaliando-a. Apenas definindo-a.
Isso porque uma mesma “arte” – ou em melhores termos, uma mesma “obra-de-arte” – que é a sua forma de expressão – pode ser avaliada por diferentes paladares, de diferentes apreciadores.
Note-se aqui outro ponto importante: a “arte” é tão só a intenção! Se alguém apenas tentar, por mais que não tenha conseguido, realizar a beleza: isso é arte. Até porque a “beleza” é uma noção subjetiva, e pode variar de um a outro observador.
E mais, a arte não é a “obra”. Essa última constitui-se apenas no meio pela qual a arte – a intenção da beleza – torna-se expressa, aparente, perceptível. No entanto, a arte está apenas na intenção.
E antes que levantem-se críticas quanto a noção de “beleza”, consideremos aqui uma noção ampla em que se trate tão somente de um sinônimo para a “busca pela emoção”, ou "somatização de alguma emoção" – incluindo portanto a "feiura", a "surpresa" e outras tantas emoções.
A “arte” pode aparecer em tudo, com maior ou menor intensidade. Da mesma forma, uma “obra-de-arte” também é composta por arte, mas não apenas dela... Uma obra-de-arte pode conter outros elementos adicionais à arte. Explica-se:
Pode haver arte numa fórmula matemática, onde esforçadamente o matemático tenha buscado uma solução elegante a um problema – ele intencionalmente buscou beleza na sua solução.
Pode haver arte na obra-de-arte também (aliás, é onde mais se espera encontrá-la!). Mas na obra-de-arte também pode haver filosofia, quando se toca um tema polêmico, por exemplo. Numa obra-de-arte também pode haver ciência e técnica: um prédio arquitetônico pode possuir beleza artística (intencional), mas também possui uma organização funcional, e é projetado técnicamente. A fórmula matemática citada anteriormente também demonstra uma parcela de técnica – afinal, é matemática! ...Apenas que, talvez, a componente técnica na fórmula matemática possa ser muito mais relevante para a obra matemática que a sua componente artística. Da mesma forma que se espera que a componente artística de uma “obra-de-arte” seja muito mais relevante que qualquer outra das suas possíveis componentes.
O importante é notar que qualquer “obra” genérica – artísitica ou não – possui diversas “componentes”, sejam elas componentes técnicas, filosóficas, inovativas, de beleza, etc... e até mesmo artísticas (se a beleza for intencional)!
Nesse contexto, uma “obra-de-arte” é tão só "a" das obras que intenciona uma maior ênfase na componente artística – mas não que se desfaça das suas demais componentes.
Outro ponto de vista a detalhar é no que toca à “intenção”. Há diversas coisas “belas” no mundo, embora nem todas sejam intencionais. Uma flor pode ser bela, mas não é “arte” – ninguém propositadamente a fez, ela surgiu naturalmente. Uma “mancha” pode ser bela, mas não intencional, e sendo obra do acaso, não é arte. Entretanto a mesma “mancha” pode ser não tão bela assim, mas intencionalmente realizada por um artista – e dessa forma, já que houve a intenção, é arte sim, ainda embora a beleza possa não ter sido tão bem alcançada.
A arte é proposital.
Então, qualquer obra genérica possui diversas “componentes”. Inclusive “beleza”. Em maior ou menor grau. No entanto, a beleza por si só não é arte. A arte é a beleza propositadamente almejada. Relembrando, por cuidado: beleza no contexto que aqui se utiliza não significa necessariamente ser “bonito”, pode ser uma “feiura” intencional também, que é válida – desde que a feiura seja intencional, e não obra da incapacidade do artista, ou do acaso; a beleza aqui é a busca da somatização de uma emoção qualquer.
Logo, do conjunto de todas as obras, na qual se incluem as obras naturais e os acasos também, apenas o subconjunto das obras intencionais contém as obras capazes de possuir uma componente “artística”.
Assim sendo, pode-se agora tentar avaliar as “artes” e também as “obras-de-arte” – que são entre si noções muito distintas. Mesmo que a idéia de “avaliação” possua uma subjetividade implícita e fundamental, ainda assim, com as definições claras de “arte” e “obra-de-arte”, é possível aplicá-la.
Como é subjetiva, pode ser que a avaliação não seja aplicada de maneira uniforme e igualitária por todos os observadores, mas pode ser definida e fundamentada – na medida em que, ainda que os avaliadores discordem das “graus”, concordem nos conceitos e métodos de avaliação.
Ao se avaliar exclusivamente a “arte”, o avaliador deve buscar em sua própria subjetividade o quão “bela” a obra lhe parece, além de cuidar para perceber se essa beleza possui sua intenção de ser. Diferentes avaliadores discordarão quanto aos graus de beleza atribuídos. No entanto, arte é tão somente isso: havendo uma intenção de beleza, quão profundamente essa beleza toca o seu apreciador? E quão mais "bela" essa intenção parecer ao observador, tão mais notável e poderosa é essa arte!
Dessa forma um orginal de Michelangelo pode não diferir muito, artisticamente, de uma cópia barata em um pôster. Essas duas “obras” sim (o original e o pôster), diferem – no sentido de que a obra de Michelangelo foi apenas uma só, e possui, senão outros componentes, ao menos os componentes da originalidade, do valor histórico, da exclusividade e da antigüidade – que não existem no pôster. Mas no componente artístico são iguais – afinal um é cópia do outro. Talvez não sejam tão iguais, já que a qualidade do papel pode influir na noção de beleza percebida pelo observador – e nesse sentido é capaz de o pôster ser considerado até mesmo mais belo que o original..! Os componentes de originalidade, valor histórico, exlusividade e outros, são os que atribuem à obra original um maior valor que ao pôster (por exemplo, os pôsters não são nada exclusivos!). Mas atribuem valor diferente à obra, não à arte, já que em ambos os casos a arte é a mesma.
E assim, compreendendo-se esses conceitos, pode-se avaliar a obra-de-arte. Pode haver nas obras-de-arte diversas componentes além da artística: em Guernica, de Picasso, há uma forte componente chocante e filosófica, introspectiva, polêmica (ela fala sobre as atrocidades da guerra!). No entando, é de mesma intensidade bela, para a maioria das pessoas. Um criança que desconhece a história não irá compreender essa componente filosófica – mas irá compreender a beleza! Há arte de qualidade em Picasso. Embora a técnica de Picasso possa ter sido copiada, suas obras possuem a componente de originalidade – que os copiadores, por definição, não possuem. E assim, suas obras possuem um valor histórico maior. Mas não necessariamente pela beleza artística, ainda que na maioria dos casos. Pode muito bem haver copiadores de sua técnica que possuam obras menos valiosas, mas de componente artístico muito maior... Basta que essa obra pareça aos olhos do observador mais bela que as obras de Picasso! E assim, teoricamente, pode-se ter ao mesmo tempo uma obra com menos valor, mas com força artística muito maior que a obra valiosa.
A arte toca a resposta imediata do cérebro, emocional, que julga em sentido binário (bom/ruim). A instrospecção, ainda que possa estar no escopo da obra-de-arte, foge ao escopo da arte em si. A introspecção é racional, filosófica.
E aí se chega ao ponto: na intenção de romper padrões - de chamar a atenção, de chocar - muitas das obras de arte modernas e contemporâneas possuem fortes componentes de inovacionismo e filosofia – mas muito pouco componente de beleza. E menos ainda de componente artístico – que é quando a beleza existente é intencional. Muitas das obras de arte modernas devem sua beleza ao acaso – o que não é uma beleza artística. E muitas das obras-de-arte modernas tem em seu foco uma intenção introspectiva, e não uma intenção emocional.
Tem-se dado pouquíssima ênfase no componente artístico de certas obras, e muito mais ênfase nas demais componentes...
Poderiam citar Pollock, e dizer que seus respingos utilizam o acaso. É verdade. No entando, o "acaso", neste caso, foi utilizado de uma forma proposital, com a intenção de se buscar a beleza – e tão somente ela – e possui portanto um componente artístico muito grande.
A arte pode ser simples. Basta ser bela e intencional. As grandes obras-de-arte são além de tudo algumas vezes complexas, inovadoras, etc (que é o que diferencia as capacidades dos gênios das capacidades das pessoas mais comuns), e são valiosas e exclusivas por esses sentidos. Mas ao se considerar a arte, aprecie-a restritamente. Aprecie a arte, e não a obra. Embora "avalie" a obra, e não a arte.
Para a arte, não importa se é uma cópia, se uma criança ou um artista sem renome a traduziu em obra, ou se não possui um “significado”... Só importa se é "bela", e que foi essa a intenção de alguém.
As obras também são importantes, mas por outros sentidos. A arte é muito mais universal e simples do que as obras.
Em geral, ultimamente temos sofrido uma invasão de “obras-de-arte filosóficas”, mas de componente artísitico muito fraco. Se a obra é “de-arte”, a arte deveria ser o seu componente de maior importância. ...Ou então que se chame de “obra-de-filosofia” – pois os filósofos bem podem trocar sua usual forma de expressão, comumente um livro, por uma escultura ou uma tela (esculturas e telas não são propriedades exclusivas de artistas!).
Nada impede que um artísta tenha um papel social ou que seja também um filósofo. Mas essas são áreas diferentes. Mesmo que queira filosofar, é bom que o artista, quando em seu papel de artista, não se esqueça de fazer arte.
-- João Otero – 26-mar-2005 --
Uma definição muito precisa e simples para responder a pergunta “o que é arte?” poderia ser: “a arte é a intenção da beleza”.
Não se está, assim, avaliando-a. Apenas definindo-a.
Isso porque uma mesma “arte” – ou em melhores termos, uma mesma “obra-de-arte” – que é a sua forma de expressão – pode ser avaliada por diferentes paladares, de diferentes apreciadores.
Note-se aqui outro ponto importante: a “arte” é tão só a intenção! Se alguém apenas tentar, por mais que não tenha conseguido, realizar a beleza: isso é arte. Até porque a “beleza” é uma noção subjetiva, e pode variar de um a outro observador.
E mais, a arte não é a “obra”. Essa última constitui-se apenas no meio pela qual a arte – a intenção da beleza – torna-se expressa, aparente, perceptível. No entanto, a arte está apenas na intenção.
E antes que levantem-se críticas quanto a noção de “beleza”, consideremos aqui uma noção ampla em que se trate tão somente de um sinônimo para a “busca pela emoção”, ou "somatização de alguma emoção" – incluindo portanto a "feiura", a "surpresa" e outras tantas emoções.
A “arte” pode aparecer em tudo, com maior ou menor intensidade. Da mesma forma, uma “obra-de-arte” também é composta por arte, mas não apenas dela... Uma obra-de-arte pode conter outros elementos adicionais à arte. Explica-se:
Pode haver arte numa fórmula matemática, onde esforçadamente o matemático tenha buscado uma solução elegante a um problema – ele intencionalmente buscou beleza na sua solução.
Pode haver arte na obra-de-arte também (aliás, é onde mais se espera encontrá-la!). Mas na obra-de-arte também pode haver filosofia, quando se toca um tema polêmico, por exemplo. Numa obra-de-arte também pode haver ciência e técnica: um prédio arquitetônico pode possuir beleza artística (intencional), mas também possui uma organização funcional, e é projetado técnicamente. A fórmula matemática citada anteriormente também demonstra uma parcela de técnica – afinal, é matemática! ...Apenas que, talvez, a componente técnica na fórmula matemática possa ser muito mais relevante para a obra matemática que a sua componente artística. Da mesma forma que se espera que a componente artística de uma “obra-de-arte” seja muito mais relevante que qualquer outra das suas possíveis componentes.
O importante é notar que qualquer “obra” genérica – artísitica ou não – possui diversas “componentes”, sejam elas componentes técnicas, filosóficas, inovativas, de beleza, etc... e até mesmo artísticas (se a beleza for intencional)!
Nesse contexto, uma “obra-de-arte” é tão só "a" das obras que intenciona uma maior ênfase na componente artística – mas não que se desfaça das suas demais componentes.
Outro ponto de vista a detalhar é no que toca à “intenção”. Há diversas coisas “belas” no mundo, embora nem todas sejam intencionais. Uma flor pode ser bela, mas não é “arte” – ninguém propositadamente a fez, ela surgiu naturalmente. Uma “mancha” pode ser bela, mas não intencional, e sendo obra do acaso, não é arte. Entretanto a mesma “mancha” pode ser não tão bela assim, mas intencionalmente realizada por um artista – e dessa forma, já que houve a intenção, é arte sim, ainda embora a beleza possa não ter sido tão bem alcançada.
A arte é proposital.
Então, qualquer obra genérica possui diversas “componentes”. Inclusive “beleza”. Em maior ou menor grau. No entanto, a beleza por si só não é arte. A arte é a beleza propositadamente almejada. Relembrando, por cuidado: beleza no contexto que aqui se utiliza não significa necessariamente ser “bonito”, pode ser uma “feiura” intencional também, que é válida – desde que a feiura seja intencional, e não obra da incapacidade do artista, ou do acaso; a beleza aqui é a busca da somatização de uma emoção qualquer.
Logo, do conjunto de todas as obras, na qual se incluem as obras naturais e os acasos também, apenas o subconjunto das obras intencionais contém as obras capazes de possuir uma componente “artística”.
Assim sendo, pode-se agora tentar avaliar as “artes” e também as “obras-de-arte” – que são entre si noções muito distintas. Mesmo que a idéia de “avaliação” possua uma subjetividade implícita e fundamental, ainda assim, com as definições claras de “arte” e “obra-de-arte”, é possível aplicá-la.
Como é subjetiva, pode ser que a avaliação não seja aplicada de maneira uniforme e igualitária por todos os observadores, mas pode ser definida e fundamentada – na medida em que, ainda que os avaliadores discordem das “graus”, concordem nos conceitos e métodos de avaliação.
Ao se avaliar exclusivamente a “arte”, o avaliador deve buscar em sua própria subjetividade o quão “bela” a obra lhe parece, além de cuidar para perceber se essa beleza possui sua intenção de ser. Diferentes avaliadores discordarão quanto aos graus de beleza atribuídos. No entanto, arte é tão somente isso: havendo uma intenção de beleza, quão profundamente essa beleza toca o seu apreciador? E quão mais "bela" essa intenção parecer ao observador, tão mais notável e poderosa é essa arte!
Dessa forma um orginal de Michelangelo pode não diferir muito, artisticamente, de uma cópia barata em um pôster. Essas duas “obras” sim (o original e o pôster), diferem – no sentido de que a obra de Michelangelo foi apenas uma só, e possui, senão outros componentes, ao menos os componentes da originalidade, do valor histórico, da exclusividade e da antigüidade – que não existem no pôster. Mas no componente artístico são iguais – afinal um é cópia do outro. Talvez não sejam tão iguais, já que a qualidade do papel pode influir na noção de beleza percebida pelo observador – e nesse sentido é capaz de o pôster ser considerado até mesmo mais belo que o original..! Os componentes de originalidade, valor histórico, exlusividade e outros, são os que atribuem à obra original um maior valor que ao pôster (por exemplo, os pôsters não são nada exclusivos!). Mas atribuem valor diferente à obra, não à arte, já que em ambos os casos a arte é a mesma.
E assim, compreendendo-se esses conceitos, pode-se avaliar a obra-de-arte. Pode haver nas obras-de-arte diversas componentes além da artística: em Guernica, de Picasso, há uma forte componente chocante e filosófica, introspectiva, polêmica (ela fala sobre as atrocidades da guerra!). No entando, é de mesma intensidade bela, para a maioria das pessoas. Um criança que desconhece a história não irá compreender essa componente filosófica – mas irá compreender a beleza! Há arte de qualidade em Picasso. Embora a técnica de Picasso possa ter sido copiada, suas obras possuem a componente de originalidade – que os copiadores, por definição, não possuem. E assim, suas obras possuem um valor histórico maior. Mas não necessariamente pela beleza artística, ainda que na maioria dos casos. Pode muito bem haver copiadores de sua técnica que possuam obras menos valiosas, mas de componente artístico muito maior... Basta que essa obra pareça aos olhos do observador mais bela que as obras de Picasso! E assim, teoricamente, pode-se ter ao mesmo tempo uma obra com menos valor, mas com força artística muito maior que a obra valiosa.
A arte toca a resposta imediata do cérebro, emocional, que julga em sentido binário (bom/ruim). A instrospecção, ainda que possa estar no escopo da obra-de-arte, foge ao escopo da arte em si. A introspecção é racional, filosófica.
E aí se chega ao ponto: na intenção de romper padrões - de chamar a atenção, de chocar - muitas das obras de arte modernas e contemporâneas possuem fortes componentes de inovacionismo e filosofia – mas muito pouco componente de beleza. E menos ainda de componente artístico – que é quando a beleza existente é intencional. Muitas das obras de arte modernas devem sua beleza ao acaso – o que não é uma beleza artística. E muitas das obras-de-arte modernas tem em seu foco uma intenção introspectiva, e não uma intenção emocional.
Tem-se dado pouquíssima ênfase no componente artístico de certas obras, e muito mais ênfase nas demais componentes...
Poderiam citar Pollock, e dizer que seus respingos utilizam o acaso. É verdade. No entando, o "acaso", neste caso, foi utilizado de uma forma proposital, com a intenção de se buscar a beleza – e tão somente ela – e possui portanto um componente artístico muito grande.
A arte pode ser simples. Basta ser bela e intencional. As grandes obras-de-arte são além de tudo algumas vezes complexas, inovadoras, etc (que é o que diferencia as capacidades dos gênios das capacidades das pessoas mais comuns), e são valiosas e exclusivas por esses sentidos. Mas ao se considerar a arte, aprecie-a restritamente. Aprecie a arte, e não a obra. Embora "avalie" a obra, e não a arte.
Para a arte, não importa se é uma cópia, se uma criança ou um artista sem renome a traduziu em obra, ou se não possui um “significado”... Só importa se é "bela", e que foi essa a intenção de alguém.
As obras também são importantes, mas por outros sentidos. A arte é muito mais universal e simples do que as obras.
Em geral, ultimamente temos sofrido uma invasão de “obras-de-arte filosóficas”, mas de componente artísitico muito fraco. Se a obra é “de-arte”, a arte deveria ser o seu componente de maior importância. ...Ou então que se chame de “obra-de-filosofia” – pois os filósofos bem podem trocar sua usual forma de expressão, comumente um livro, por uma escultura ou uma tela (esculturas e telas não são propriedades exclusivas de artistas!).
Nada impede que um artísta tenha um papel social ou que seja também um filósofo. Mas essas são áreas diferentes. Mesmo que queira filosofar, é bom que o artista, quando em seu papel de artista, não se esqueça de fazer arte.
-- João Otero – 26-mar-2005 --
28 outubro 2004
Grito Mudo
Há um suspiro no sufoco
mudo, fundo, rouco
em queda infinda
E a minha voz ainda
morta, tosca, grossa
nesta profunda fossa
neste meu peito oco
E não há som que possa
abafar meu guizo
baixo, leve, limpo
daquele som que enrosca
entre o silêncio e o grito
no mais privado abismo
-- João Otero - 28-out-2004 --
mudo, fundo, rouco
em queda infinda
E a minha voz ainda
morta, tosca, grossa
nesta profunda fossa
neste meu peito oco
E não há som que possa
abafar meu guizo
baixo, leve, limpo
daquele som que enrosca
entre o silêncio e o grito
no mais privado abismo
-- João Otero - 28-out-2004 --
02 fevereiro 2000
Sonho Enquanto Passas
Como enquanto passas -
de ameixa e de uva...
Está escuro mas velas um morto
iluminam o meu caixão
Vou... com o teu olhar que amassa
que tu usas pra bater
no meu coração
...E me matas em que me escondo
entre os bichos
que vertem dos meus próprios nichos
de insensatez
Não sei se és um sonho,
pastéis ou limpidez...
Mas como enquanto passas -
de ameixa e de uva...
...e logo, logo, tu somes na curva
-- João Otero 02-fev-2000 --
de ameixa e de uva...
Está escuro mas velas um morto
iluminam o meu caixão
Vou... com o teu olhar que amassa
que tu usas pra bater
no meu coração
...E me matas em que me escondo
entre os bichos
que vertem dos meus próprios nichos
de insensatez
Não sei se és um sonho,
pastéis ou limpidez...
Mas como enquanto passas -
de ameixa e de uva...
...e logo, logo, tu somes na curva
-- João Otero 02-fev-2000 --
01 janeiro 1998
Rosas
Queime as rosas, quebre as rimas...
Nada me enfeita mais com brilho!
O suspirar é meu deleite,
O lamentar é meu suspiro.
Calo as vozes, cerro os cílios...
-- João Otero - 1998 --
Nada me enfeita mais com brilho!
O suspirar é meu deleite,
O lamentar é meu suspiro.
Calo as vozes, cerro os cílios...
-- João Otero - 1998 --
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