Que bonita que és,
Andradas querida!
Dentre as belas,
a mais bonita
namorada do Quintana
Que te declamou a vida
em teus trejeitos e reclames
Depois dele não há
quem não te ame!
Até nessas tuas rugas,
e em todos os teus cochichos...
-- João Otero - 5-abril-2012 --
06 abril 2012
27 março 2012
22 março 2012
Nostalgia de minha terra
Senti saudade dumas gotas d'água
Ah!, quem bebeu dequela fábula...
-- João Otero - 22-mar-2012 --
Ah!, quem bebeu dequela fábula...
-- João Otero - 22-mar-2012 --
08 janeiro 2012
O ócio
o ócio
é simplesmente mais um pouco
de tudo o que é fútil
de tudo o que é pífio
um grito que é rouco
é o sócio da agonia
com maestria encarnada em dó
é aquele nó da garganta
de quem não mais se levanta
com a pancada de um soco
é quando o espírito, roto,
já desistiu
virou pó
-- João Otero - 9-jan-2012 --
é simplesmente mais um pouco
de tudo o que é fútil
de tudo o que é pífio
um grito que é rouco
é o sócio da agonia
com maestria encarnada em dó
é aquele nó da garganta
de quem não mais se levanta
com a pancada de um soco
é quando o espírito, roto,
já desistiu
virou pó
-- João Otero - 9-jan-2012 --
Transitório
quando se chora de alegria
é por perceber
que tudo o que sempre se queria
jamais voltará a ser
-- João Otero - 8-01-2012 --
é por perceber
que tudo o que sempre se queria
jamais voltará a ser
-- João Otero - 8-01-2012 --
04 janeiro 2012
Minha poesia samba
Gosto da imagem da língua
batucando o céu da boca
abafando as notas mudas
de cada letra
como quem samba
Eu gosto da rima pobre
que rima mais, com muitas cores;
pois não é a alegoria
do fim da frase
que me faz bamba
...É esse embalo na rima
e a embriaguez deturpando
duas palavras amigas
de fim-de-festa,
quando se camba
-- João Otero - 5-jan-2012 --
batucando o céu da boca
abafando as notas mudas
de cada letra
como quem samba
Eu gosto da rima pobre
que rima mais, com muitas cores;
pois não é a alegoria
do fim da frase
que me faz bamba
...É esse embalo na rima
e a embriaguez deturpando
duas palavras amigas
de fim-de-festa,
quando se camba
-- João Otero - 5-jan-2012 --
Já não faço mais resoluções de fim-de-ano.
Tampouco reclamo do ano passante ou o menosprezo. Não espero mais que o ano que vem seja melhor.
Torço simplesmente para que ele não me traga maiores problemas do que trouxe o que já se vai (porque vendo daqui, até foi fácil...). Mas não é nem ao ano a quem eu rogo; é a mim mesmo. Decisões mais sábias, mais experiência.
Experiência que aprendi a consolidar com uma retrospectiva de tudo de bom que aconteceu nesse ano que passou. E teve muita coisa boa. Abro um sorriso porque eu sei que o próximo vai ser ainda melhor.
E quanto ao primeiro do ano, é simplesmente uma continuação dessa trilha. Não tenho nada para renovar ou prometer. Baixar cabeça e continuar trabalhando. Não se mexe em time que está ganhando, afinal.
Começar tudo de novo é burrice. O caminho percorrido é parte da trilha.
Tampouco reclamo do ano passante ou o menosprezo. Não espero mais que o ano que vem seja melhor.
Torço simplesmente para que ele não me traga maiores problemas do que trouxe o que já se vai (porque vendo daqui, até foi fácil...). Mas não é nem ao ano a quem eu rogo; é a mim mesmo. Decisões mais sábias, mais experiência.
Experiência que aprendi a consolidar com uma retrospectiva de tudo de bom que aconteceu nesse ano que passou. E teve muita coisa boa. Abro um sorriso porque eu sei que o próximo vai ser ainda melhor.
E quanto ao primeiro do ano, é simplesmente uma continuação dessa trilha. Não tenho nada para renovar ou prometer. Baixar cabeça e continuar trabalhando. Não se mexe em time que está ganhando, afinal.
Começar tudo de novo é burrice. O caminho percorrido é parte da trilha.
26 dezembro 2011
17 dezembro 2011
Faquir
Faquir
foi faquir de seus próprios sonhos
com agulhadas, com nostalgia
foram tantos os desesperos que nem mais sentia
e nessa cama de cacos a sempre embalar seu sono
suspendeu-se acima de quaisquer mazelas
e com nenhuma ferida, em apatia
pairou lá, adormecida, e nem sabia
que lhe ninavam as estrelas
-- João Otero - 17-dez-2011 --
foi faquir de seus próprios sonhos
com agulhadas, com nostalgia
foram tantos os desesperos que nem mais sentia
e nessa cama de cacos a sempre embalar seu sono
suspendeu-se acima de quaisquer mazelas
e com nenhuma ferida, em apatia
pairou lá, adormecida, e nem sabia
que lhe ninavam as estrelas
-- João Otero - 17-dez-2011 --
30 outubro 2011
O silêncio e a sacolinha
o silêncio roçou meus dentes
despido de melodia
...ele simplesmente não sabia
qual nota desafinar
logo o vi dobrando a esquina
pegar carona num vento
e assobiar...
fugiu com uma sacolinha...
e talvez tenha esquecido
algumas palavras pra trás
-- João Otero - 31-out-2011 --
despido de melodia
...ele simplesmente não sabia
qual nota desafinar
logo o vi dobrando a esquina
pegar carona num vento
e assobiar...
fugiu com uma sacolinha...
e talvez tenha esquecido
algumas palavras pra trás
-- João Otero - 31-out-2011 --
26 outubro 2011
Olhos de ver
quando nasceu o meu olhar
desabrochando um sonho
com olhos de ver
que eu nunca havia tido
quando antevi o perigo
que a estabilidade tem
em embalar o tempo
com mesmice
resgatei a criancice
inocente do impossível
e pintei uma tela
com o que não existe
e então eu soube por que viver
-- João Otero - 26-out-2011 --
desabrochando um sonho
com olhos de ver
que eu nunca havia tido
quando antevi o perigo
que a estabilidade tem
em embalar o tempo
com mesmice
resgatei a criancice
inocente do impossível
e pintei uma tela
com o que não existe
e então eu soube por que viver
-- João Otero - 26-out-2011 --
23 outubro 2011
Porque pediste pra eu falar de cores (Verde)
E a barba grisalha de um velho
que ali mendiga
E a esperança...
E o limo, a pedra, a Pátria
escorregando
E a desavença...
E a folha tão frágil
tombando
Mas não ao vento
E a mata - enquanto há mata -
antes que mate-se
o sentimento
Veja outros poemas da coleção Cores
-- João Otero - 23-out-2011 --
que ali mendiga
E a esperança...
E o limo, a pedra, a Pátria
escorregando
E a desavença...
E a folha tão frágil
tombando
Mas não ao vento
E a mata - enquanto há mata -
antes que mate-se
o sentimento
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-- João Otero - 23-out-2011 --
20 outubro 2011
Poetic Dialog with Robert Frost
Poetic Dialog with Robert Frost
I know, my friend, I'm getting old.
And true, some things are hard to hold...
The golden green of morning breath;
And drops of hope along the path.
As we both know, the bright sun fades.
Yet, in the poles, it longer stays.
I'd rather sit here far away
but keep this gold all day.
-- João Otero - oct-20-2011 --
I know, my friend, I'm getting old.
And true, some things are hard to hold...
The golden green of morning breath;
And drops of hope along the path.
As we both know, the bright sun fades.
Yet, in the poles, it longer stays.
I'd rather sit here far away
but keep this gold all day.
-- João Otero - oct-20-2011 --
16 outubro 2011
Porque pediste pra eu falar de cores (Marrom)
...e vi as folhas caindo
embalando o tempo
a levantar poeira
há a foto velha em minha memória
alguns cafés às tardes virando história
e vou vivendo à brasileira
neste passatempo
às vezes lindo...
Veja outros poemas da coleção Cores
-- João Otero - 16-out-2011 --
embalando o tempo
a levantar poeira
há a foto velha em minha memória
alguns cafés às tardes virando história
e vou vivendo à brasileira
neste passatempo
às vezes lindo...
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-- João Otero - 16-out-2011 --
14 outubro 2011
Linda
métrica perfeita da formosura...
alguma coisa que tens é a loucura
renunciando a minha cautela
traíste a beleza: és mais bela!
incandesceste a ternura
na perfeição que modela
atentamente teus traços
lapidados em um só passo
intencional de candura
nem mesmo um dó se desvela...
dessa dor que me flagela
aténs-te à beleza mais pura
-- João Otero - 14-out-2011 --
alguma coisa que tens é a loucura
renunciando a minha cautela
traíste a beleza: és mais bela!
incandesceste a ternura
na perfeição que modela
atentamente teus traços
lapidados em um só passo
intencional de candura
nem mesmo um dó se desvela...
dessa dor que me flagela
aténs-te à beleza mais pura
-- João Otero - 14-out-2011 --
11 outubro 2011
Porque pediste pra eu falar de cores (Vermelho)
E há essa rubra feição em meio à ingênua maldade
...esse rubror da serpente;
a cor das maçãs na face
E há o borrado batom nas esquinas da cidade
...esse rosado que veste
a nua pele em disfarce
E o há numa língua ansiosa, porém que diz a verdade
Ele, às paixões, dá uma rosa
ou tinge o chicote que arde
Veja outros poemas da coleção Cores
-- João Otero - 11-10-11 --
...esse rubror da serpente;
a cor das maçãs na face
E há o borrado batom nas esquinas da cidade
...esse rosado que veste
a nua pele em disfarce
E o há numa língua ansiosa, porém que diz a verdade
Ele, às paixões, dá uma rosa
ou tinge o chicote que arde
Veja outros poemas da coleção Cores
-- João Otero - 11-10-11 --
06 outubro 2011
03 outubro 2011
16 setembro 2011
A minha alma
A minha alma
roendo as unhas
rangendo os dentes
mexendo as pernas
resmungo preces
e a minha alma
antes desnuda
de que se veste?
atrás dos panos
depois dos planos
passado os anos
ela se veste...
a minha alma
regada a sonhos
me desmerece
-- João Otero - 16-set-2011 --
roendo as unhas
rangendo os dentes
mexendo as pernas
resmungo preces
e a minha alma
antes desnuda
de que se veste?
atrás dos panos
depois dos planos
passado os anos
ela se veste...
a minha alma
regada a sonhos
me desmerece
-- João Otero - 16-set-2011 --
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